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OPINIÃO POLÍTICA

Análise preliminar

Ivan de Carvalho

Em uma análise “pelo menos preliminar” do quadro político baiano, um político peemedebista que não pretende ser candidato a mandato algum em 2012 nem em 2014, faz a previsão de que a primeira dessas eleições será decidida em Salvador com um segundo turno disputado entre o pemedebista Mário Kertész, representando as oposições ao governo estadual e o deputado Nelson Pelegrino, representando o PT e os partidos que estão e se mantiverem na base política do governo Jaques Wagner.

Que o petista Pelegrino vai disputar as eleições para a sucessão do prefeito João Henrique, hoje no PP, todo mundo já sabe. E que ele tem muito amplas possibilidades de classificar-se para o praticamente certo segundo turno é inegável, sempre com a ressalva de que cálculos políticos, por mais seguros que pareçam, não gozam de isenção de falhas.

De repente, diriam os adversários de futuros imutáveis, a candidata comunista Alice Portugal, do PC do B, quem sabe até ajudada pela comoção provocada no mundo pelo choreio das choreanas ante o impensável passamento de Kim Jong-il, a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro”, ganha impulso e se classifica na vaga reservada à “base aliada” no segundo turno? Nesse caso, Pelegrino sobraria.

Mas essa teoria pode ser ilusória, pois a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro” tem a palavra “companheiro” e esta é quase um monopólio do PT, algo contabilizado no patrimônio imaterial do partido. De modo que a “Mais Alta Encarnação do Amor Revolucionário Companheiro” poderia ser capitalizada, agora que desencarnou e não pode reclamar, pelo petista Pelegrino, caso o apraza (pessoalmente, não acredito muito que o companheiro baiano reivindique de herança a aura política do companheiro choreano).

Também os cálculos de futuro político sem isenção de falhas podem admitir, não só Alice, como outros, a exemplo do deputado e secretário municipal de Governo João Leão, que se proclamou candidato pelo PP em entrevista exclusiva concedida esta semana à Tribuna da Bahia. Com o óbvio apoio, embora não declarado por não haver chegado a hora, do prefeito João Henrique.

Mas, e Mário Kertész, radialista e ex-prefeito por seis anos ou pouco mais? Porque ele, ao invés dos deputados ACM Neto, do DEM, no momento o primeiro colocado nas pesquisas eleitorais, ou Antonio Imbassahy, o segundo colocado, competente ex-prefeito por oito anos?

Bem, como já insisti neste espaço, para a oposição ir unida às urnas, ajustes abrangendo as eleições de 2012 e 2014 terão de ser feitos, como declara ACM Neto, com o silêncio de Imbassahy e a expressa discordância de Geddel Vieira Lima, sob a alegação de que são dois momentos e cenários diferentes, cada um com suas próprias circunstâncias. Isso, aliás, é óbvio, tanto que não se chegará a ajuste algum se o que se buscar não forem ajustes ajustáveis às circunstâncias de 2014.

Volto àquele peemedebista que só é candidato a fazer uma previsão “pelo menos preliminar”. Ele observa que ACM Neto “vive um bom momento em Brasília, onde está sendo a voz da oposição na Câmara federal”. Esta circunstância lhe tem, inclusive, proporcionado presença constante na mídia nacional. Se for candidato a prefeito perde isto e se eventualmente perder a eleição, será a segunda derrota consecutiva para mandato majoritário (prefeito), o que pode prejudicar seus planos para 2014.

Mário Kertész? “É um profissional. Profissional na política, como na administração. Saberá conversar com todos os setores da sociedade. E a idade (67 anos) ajuda. Por causa dela, não assusta ninguém que tenha importantes pretensões futuras”. Isso elimina um dos focos principais de resistência a aspirantes a candidato. E se Kertész for candidato de uma coalizão das oposições, deverá estar no segundo turno, raciocina o analista do partido dele.

E como fica Imbassahy? Ah, bem, aí interromperam a conversa. Ele fica para outra vez

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