Situações próximas da escravatura foram detectadas em empresas
subcontratadas pela Zara (Marcelo del Pozo/Reuters/PÚBLICO)

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Após denúncias sobre as “precárias condições de trabalho” nas empresas que subcontratou no Brasil, a Zara chegou a acordo ontem (19) com o Governo brasileiro e irá investir 1,4 milhões de euros em ações sociais.

O Ministério do Trabalho brasileiro chegou a pedir uma indenização de 8,2 milhões de euros, mas esse montante foi rejeitado pela multinacional espanhola da área do vestuário. Agora a Zara chegou a acordo e irá investir em ações sociais, após várias denúncias relativas a empresas fornecedoras que davam aos seus trabalhadores “condições próximas da escravatura”.

O acordo foi estabelecido nesta segunda-feira e assinado em São Paulo entre a Zara e o Ministério Público do Trabalho brasileiro. Para além do pagamento de 1,4 milhões de dólares, a empresa comprometeu-se a eliminar as “precárias condições de trabalho” nas empresas subcontratadas. Será ainda criado um fundo de emergência para resolver outras situações de precariedade que venham a ser descobertas.

No final do Verão foram instauradas 52 acusações contra a Zara, depois de ter sido descoberto que uma das empresas subcontratadas no Brasil, a AHA, que emprega sobretudo imigrantes vindos da Bolívia e do Peru, submetia os funcionários a condições próximas da escravatura, incluindo condições de trabalho consideradas desumanas, pagamentos muito baixos e horas excessivas de trabalho.

O acordo alcançado está a ser considerado por vários analistas brasileiros como uma admissão de culpa por parte da Zara, sublinhou o El País. A empresa negou inicialmente qualquer responsabilidade nos casos de precariedade detectados e alegou que ignorava a situação que ocorria em empresas subcontratadas pelo grupo.

O acordo agora alcançado permitirá “incentivar a promoção dos direitos humanos”, considerou a procuradoria do Trabalho brasileira em comunicado. Os programas sociais que a Zara irá financiar serão agora geridos por organizações não governamentais como o Centro Pastoral do Emigrante, ligado à Igreja Católica, o Centro de Apoio ao Imigrante e a Associação Nacional de Estrangeiros no Brasil.

(Com informações do jornal português Público e do El País, da Espanha)

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