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OPINIÃO POLÍTICA

Sucessão vista do PMDB

Ivan de Carvalho

O principal líder do PMDB da Bahia, ex-ministro Geddel Vieira Lima, atual vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, manifestou ontem, durante almoço de fim de ano do comando do partido com os jornalistas, forte convicção de que o radialista e ex-prefeito Mário Kertész será candidato à sucessão do prefeito de Salvador, João Henrique, nas eleições do ano que vem.
Geddel chegou, em certo momento, a afirmar, sem expressar ressalvas, que Kertész vai concorrer à prefeitura e disse que muito provavelmente o ex-prefeito irá liderar uma chapa que reunirá os três principais partidos de oposição na Bahia, PMDB, Democratas e PSDB.
Geddel preferiu não detalhar os fatos ou raciocínios que o levam a ter conviccão tão firme quanto à disposição do radialista Mário Kertész de aceitar a candidatura, quando este, publicamente, ainda deixa a questão em dúvida. A circunstância fundamental que o ex-prefeito põe como condição para aceitar a candidatura à sucessão de João Henrique é a coalizão das oposições (pelo menos DEM, PSDB e PMDB) em torno de seu nome. Ele tem avaliado que, divididas, as oposições não teriam chance. Já o ex-ministro Geddel considera tal coligação oposicionista muito provável, mas é evidente que ainda existem pontos a acertar.
Um deles, apenas a título de exemplo: Geddel discorda da tese de ACM Neto, principal liderança com mandato no DEM e possível candidato deste partido a prefeito – aliás, em plena campanha (em modalidades que a lei eleitoral não proíbe, não deve, nem pode proibir) – que as decisões sobre a sucessão em Salvador em 2012 estarão inevitavelmente vinculadas às eleições majoritárias de 2014 para governador, vice e senador.
É uma discordância e tanto. Mas é difícil imaginar que uma certa vinculação possa inexistir ou ser dispensada, mesmo considerando a observação de Geddel de que, em 2014, terão de ser levadas em conta as circunstâncias de 2014, atualmente desconhecidas. Isso conta e até pode levar a acertos ajustáveis ao surgimento de circunstâncias imprevistas. Difícil é não fazer esses acertos ajustáveis e unificar as oposições.
Os políticos peemedebistas não escondiam ontem que a ausência absoluta do PP no encontro petista que proclamou a candidatura do deputado Nelson Pelegrino foi um fato (ou não-fato?) agradável. Especialmente quando somado ao fato representado pela entrevista exclusiva concedida à Tribuna da Bahia pelo secretário municipal de Governo, João Leão – um dos três principais líderes do PP na Bahia e certamente com respaldo do prefeito –, assumindo que o PP terá candidato próprio a prefeito e que este será ele mesmo.
Bem pensado, não há razão para Leão fugir da raia. É deputado federal eleito com mais de 200 mil votos, se perder a disputa pelo Palácio Thomé de Souza não fica sem mandato, sua campanha aqui até ajuda seu grupo no município fronteiriço de Lauro de Freitas (onde o PP enfrentará o PT). E a campanha lhe dará notoriedade na capital e aumentará sua notoriedade no estado, em todos os lugares onde seja captada a campanha eleitoral da capital pelo rádio e TV.
Ah, e o prefeito João Henrique? Como observa um experiente peemedebista, ele precisa de um candidato e um palanque para defender-se de ataques que venha a sofrer, para proclamar o que realizou e para não se colocar na incômoda situação de uma liderança omissa. O palanque do PT serviria? Bem, quando se tratasse de palanque mesmo, daqueles à antiga, ouviria vaias dos “companheiros”, assegura o peemedebista. E no palanque eletrônico, que tempo, que defesa e que vitrina lhe dariam?
Além do PP, já tem, na base do governo, o PC do B com Alice Portugal e mais uns aí.

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