dez
17
Postado em 17-12-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 17-12-2011 10:15

http://youtu.be/FuGgiQ56V48

==========================================================

MARIA OLÍVIA SOARES

DICA PARA O BAHIA EM PAUTA

Maré de Lançamento, novo DVD de Gerônimo, tem lançamento agendado para o dia 19 (segunda-feira), a partir das 18 horas, no Museu de Arte Moderna da Bahia. O novo trabalho é resultado de um registro do show que o cantor e compositor apresentou com a Banda Mont‘Serrat, no início deste ano, no Teatro Castro Alves, pelo projeto Domingo no TCA, a R$ 1 real. O show teve a participação especial de Bira Marques com a Orquestra Afro Sinfônica.

Os fãs de Gerônimo lotaram a sala principal do TCA, a gravação feita pela TVE captou todo o entusiasmo do músico e da platéia. Este é o segundo registro em DVD de Gerônimo. São 22 faixas selecionadas entre um vastíssimo repertório. Claro que não poderia ficar de fora a belíssima É D’Oxum, além de Jubiabá e Eu Sou Negão. ‘Eu coloquei também algumas músicas inéditas, informa Gerônimo. Entre elas, Vida Feliz, uma parceria com Saul Barbosa; Acaba Quando Começa, já gravada por Jorge Aragão, Netinho e Elba Ramalho; Fumo e Mel e Alvorada Alerta Mocidade’.

Sempre atento e atuante, o autor de Nessa cidade todo mundo é D’Oxum também tem suas críticas quanto aos caminhos da música na Bahia: ‘O axé virou elite, só quem está no camarote ou entre as cordas se delicia. E aí veio esse movimento do gueto, de pagode, que ao mesmo tempo é um protesto social, mesmo colocando a mulher – fonte de inspiração – como elemento de terceira classe, e elas até curtem fazer os movimentos eróticos’, dispara Gerônimo. E o artista completa, dando o ‘tiro de misericórdia’: – O axé podia ter uma letra pueril, infantil, romântica, mas as melodias eram diferentes. Hoje, quando você escuta as músicas de pagode, percebe-se que os caras não têm a mínima noção do que é plágio. É tudo igual. A única coisa que fica diferente é o tema, observa o menino do bairro da Saúde, que sabe muito da alma baiana, ele tem olhos e ouvidos de ver.

‘Essa música invade todas as casas. Você vai ver que uma hora dessas vai ter inaugurações oficiais, municipais e governamentais com o pagode tocando. E vêm o prefeito e o governador da época quebrando até o chão, a mulherada toda, todo mundo fazendo aquela dança sensual. Tudo isso pode acontecer, porque a música é capaz de unir exércitos, povos, como também pode fazer o contrário. Ela pode colocar na cabeça das pessoas que elas são o que são porque devem ser assim. Ela pode incentivar o uso de drogas, o estupro, podem dizer à mulher que ela pode perder o pudor e soltar mais a libido. Por ser a música uma atividade, temos que ter muito cuidado com aquilo que a gente faz, ensina Gerônimo, que conclui: Quem sou eu para poder consertar isso. Existe também aí um grande interesse capitalista’.

Maria Olívia Soares, jornalista, é colaboradora do Bahia em Pauta

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • dezembro 2011
    S T Q Q S S D
    « nov   jan »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    262728293031