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Postado em 13-12-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-12-2011 17:51


Inês Dourado: cientista ISC-UFBA

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DEU NO UOL-CIENCIAS E SAÚDE

Nos últimos três anos foram registrados 3.614 novos casos de Aids na Bahia, de acordo com dados da Secretaria da Saúde do Estado. Somente em 2010, houve um crescimento de 155% em relação ao ano anterior, totalizando 1.976 casos. Este ano, até agosto, foram identificados 864 pacientes com o vírus HIV.

Além do número de incidências da doença, que apresentou um acréscimo principalmente em 2010, há outros dados que chamam a atenção. De acordo com um estudo realizado pelo Instituto de Saúde Coletiva, da Universidade Federal da Bahia, com 1241 pessoas, 50% dos pacientes de HIV Aids têm acesso tardio aos serviços de saúde, o que diminui a expectativa de vida. Outros 40,3% levam até três meses para ter a primeira consulta médica e apenas um quarto chega aos serviços públicos de saúde, um mês após o diagnóstico.

A coordenadora da pesquisa, a cientista baiana Inês Dourado, afirma que o acesso tardio é hoje uma das principais preocupações na luta contra a epidemia de Aids. “Tem impacto no curso clínico da infecção, na efetividade do tratamento, na qualidade de vida dos pacientes, no risco de morte e nos custos para o sistema de saúde”, disse.

Foi o que aconteceu com a desempregada que se identificou apenas como Roberta. Ela disse ao UOL que suspeitava que era portadora do vírus, mas só confirmou o diagnóstico após ter sido internada por conta de uma insuficiência respiratória. Situação parecida ocorreu com o irmão do professor Alecsandro Silva. “Ele morreu porque não sabia da doença e não se tratou. Se soubesse logo, poderia sobreviver e se tratar com os coquetéis de medicamentos”, acredita.

A cientista, que nesta semana está recebendo a professora americana Sofia Gruskin, da Universidade de Harvard, recomenda que sejam realizados esforços adicionais para assegurar a disponibilidade de serviços de diagnóstico precoce da infecção com mecanismos que garantam a referência para os serviços de assistência em HIV/Aids em Salvador. Ela também sugere o aumento do número de serviços especializados em assistência a para pessoas que vivem com a doença na capital baiana e maior disponibilidade de informações sobre diagnóstico e assistência.

Medo do teste

Apenas o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico gratuito através de testes realizados a partir da coleta de uma amostra de sangue em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) de forma anônima. Entretanto, a falta de informação é um dos maiores aliados do acesso tardio ao tratamento da doença, segundo a coordenadora de DST/Aids da Secretaria da Saúde do Estado, Jeane Magnavita. “Outro fator é o medo que o paciente tem de fazer o teste”, afirmou.

Magnavita alerta ainda para um fenômeno que ocorre desde o início dos anos 2000 que é a negligência – principalmente dos mais jovens – no que se refere ao uso de preservativos. “Com a difusão das informações de que os coquetéis de medicamentos ampliam a expectativa de vida dos portadores de HIV, muita gente deixou de usar camisinha. As pessoas estão achando que a Aids não mata, mas ela continua sendo uma doença letal”, explica.

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