dez
10

OPINIÃO POLÍTICA

Oposições divididas

Ivan de Carvalho

As expectativas maiores são de que o senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que passou o dia ontem na Bahia em atividades preparatórias de candidatura, represente o PSDB nas eleições presidenciais de 2014, com o apoio do Democratas e eventualmente outros partidos. A outra principal opção do PSDB ainda é o ex-governador paulista e já duas vezes candidato a presidente José Serra, cuja qualidade mais destacada é a persistência.
Não por coincidência, foi poso à venda nas livrarias, ontem, o livro – talvez meio livro, meio panfleto, questão que só análises profundas poderão esclarecer – “A Pirataria Tucana”, escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., no qual o autor acusa José Serra e Aécio Neves de haverem preparado dossiês um contra o outro, quando eram pré-candidatos a presidente pelo PSDB nas eleições de 2010.
O autor acusa Serra de montar uma central de “arapongagem” na Anvisa, quando era ministro da Saúde e de a haver mantido ativa depois. Além disto, o jornalista-escritor reivindica para ele mesmo a glória de ter sido o responsável pela elaboração do dossiê contra Serra, encomendado a ele pelo próprio Aécio. Nenhum dos dois dossiês foram usados, segundo o Inspetor Clouseau, perdão, segundo o autor de um dos dossiês e do livro, porque Serra e Aécio chegaram a um acordo.
De qualquer sorte, o senador Aécio Neves, na Bahia, disse que não comentaria o assunto por enquanto, enquanto José Serra seguiu o mesmo caminho. “Não li ainda não. Prometo que, quando eu ler, comento”, disse, rindo, o que sugere que o assunto pode ser mesmo sério.
Aliás, talvez já pondo as barbas (que não usa) de molho, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, simpático à candidatura de Aécio, comentou no programa Canal Livre, da Band, que Aécio e Serra não são os únicos nomes disponíveis no PSDB para disputar a presidência da República. Citou o governador Goiás, Marconi Perillo e o senador Álvaro Dias, ex-governador do Paraná, como alternativas que o PSDB tem para um acordo.
Enquanto isso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, guru dos tucanos, adverte que Aécio está dando mole, muito maneiro e muito parado na oposição, e oportuno (não disse se no segundo turno ou antes, a depender das circunstâncias), nos juntemos”.ensina, lá na linguagem dele, que uma candidatura a presidente da República não se constrói de repente, é um processo longo e não dá para perder tempo.
Como se observa, a confusão é grande entre os tucanos, cada um bicando numa direção diferente, quando não se bicam. E no meio de tudo isso, Serra irrita os quatro pré-candidatos do PSDB à prefeitura de São Paulo, agindo como “candidato-fantasma”, no dizer de um dos quatro. É que Serra não define se quer ou não quer disputar a prefeitura (se quiser, fica praticamente impossível outra candidatura tucana) e nada indica que a declaração de Aécio, feita ontem em Salvador, incitando-o a ser candidato, vai tirar Serra de cima do muro, posição que deve considerar estratégica.
Mais complicação para o PSDB? Tem. Contestando o senador Aécio Neves, para quem se tucanos e democratas estiverem separados em 2014, isso fragilizará a oposição, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino, reafirmou a disposição de seu partido de lançar candidato próprio para a sucessão de Dilma Rousseff. “Busquemos nos fortalecer o PSDB e o Democratas e, no momento


===========================================================
A sugestão da música para começar o dia no BP vem da jornalista Rosane Santana, lá de Caravelas, na costa azul do sul da Bahia.
A música é dedicada a Danielle, paraense da gema, e ao seu Tiago, paraense por adoção.

Viva Fafá. Viva o Pará.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Wagner e Campos:primeiros movimentos

==========================================================

ARTIGO DA SEMANA
Egos em chamas no Nordeste

Vitor Hugo Soares

No aeroporto internacional de Salvador fui esperar sábado passado uma querida amiga que retornava de Recife. Como de praxe, passei primeiro na livraria para andar com prazer entre pilhas de jornais, livros e revistas – estas repletas de manchetes e novidades sobre Griselda, Teresa Cristina, o português Guaracy e outros personagens de “Fina Estampa”, a novela da TV Globo , paixão nacional da temporada.

Sou um fã de não perder um capítulo do folhetim escrito pelo pernambucano de Carpina Agnaldo Silva. Na livraria, porém, o que mais me chamou a atenção foi o desenho da capa da revista semanal Carta Capital, assinado por Laura Beatriz, sob a chamada da reportagem principal “O Nordeste avança”, que anuncia:”Após o ciclo dos programas sociais, a região aposta nas grandes obras e nos projetos industriais para crescer acima da média nacional”.

“Nordeste, a segunda onda”. Com indisfarçável orgulho folheio a revista editada no sudeste, às vésperas da divulgação dos dados sobre o crescimento zero do PIB brasileiro no último trimestre. Resultado surpreendente e desastroso que deixou tonto até o ministro Mantega, da Economia, diante do bafo “da crise que vem com força da Europa e dos Estados Unidos”.

O desenho da capa tem o estilo e o apelo típicos das tradicionais capas das publicações da literatura de cordel. Lembra à primeira vista os livretos vendidos nas feiras nordestinas de cidades entre a Bahia e Pernambuco às margens do Rio São Francisco, onde nasci e passei boa parte da juventude.
Uma figura masculina, jovem, com chapéu típico imortalizado por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e seus cangaceiros, dá o tom principal da ilustração jornalística. O toque tropicalista sobre o chapéu, no entanto, é que faz toda a diferença: chaminés de fábricas lançando fumaça, automóveis modernos, edifícios em construção, frutas e bebidas em cores que antecipam sabores regionais. “Uma beleza!”, como costuma resumir diante de imagens assim outra amiga sempre otimista, esta de Irecê, no interior baiano.
Ao meu lado, Margarida, minha mulher e também jornalista, logo levanta suspeitas sobre o teor da matéria. “Algum interesse deve haver por trás de tanto otimismo e elogios ”. Vem dela o comentário cético soprado com indisfarçável ironia no ouvido do jornalista ainda deslumbrado enquanto aguarda o troco pela compra da revista semanal, um jornal do dia e algumas publicações com as últimas fofocas de “Fina Estampa”, que ninguém é de ferro.
Não pretendo reproduzir neste espaço o que informa e analisa Carta Capital nas muitas páginas de seu Especial sobre o Nordeste. Quem ainda não o fez e tiver interesse que leia o conteúdo informativo e faça suas próprias avaliações críticas. Peço permissão apenas para destacar a entrevista de Antonio Risério, ao repórter Lucas Callegari .
Na apresentação, o entrevistado é definido como “poeta, antropólogo, tradutor, ensaísta de talento e, mais recentemente, marqueteiro político, com participação ativa em campanhas do PT, inclusive a de Dilma Rousseff”. A edição da conversa leva o título “Autoestima reconquistada”
A revista assinala que Antonio Risério é antes de tudo um baiano, da turma de Gilberto Gil e Caetano Veloso, com a verve sempre a postos para tecer críticas afiadas à política e à cultura. Risério, além disso, demonstra ser um dos últimos e melhores polemistas do país desde a primeira resposta, quando define o Nordeste e o momento vivido pela região Nordeste.
Ele adverte que esta não é uma região homogênea, mas decide falar sobre ela como se fosse um conjunto. E a partir daí afirma que esse conjunto de fato “experimentou notável desenvolvimento social e econômico nos últimos anos, com avanço especial de Pernambuco e do Ceará. E rasga mais fundo com a faca da polêmica : “Pernambuco decolou.Tem um projeto claro e consistente de desenvolvimento sócio-econômico, configurando-se a partir da racionalidade administrativa e do diálogo geral com a sociedade”. Ponto para Eduardo Campos, o governador do PSB exaltado na entrevista.
E a Bahia nesse contexto? “Na verdade, a Bahia, apesar de sua posição no ranking da economia brasileira, está ficando para trás. Há não muito tempo era ela que se industrializava, montava um pólo petroquímico, firmava-se como vanguarda cultural, etc. Pernambuco pouco mais era que um engenho. O panorama mudou. Penso que o problema da Jaques Wagner (governador petista do estado) é que, por não ter um projeto claro para a Bahia, ele não sabe o que fazer com a hegemonia que conquistou. Limita-se a tocar obras federais. É por isso que digo que a Bahia tem a faca e o queijo, mas falta a mão” .
Tem mais pólvora e veneno na conversa, mas acho melhor não riscar o fósforo para não incendiar de vez o circo do poder no Nordeste, lotado de egos flamejantes e que não conseguem ver ou pensar em mais nada alem dos projetos para a sucessão da presidente Dilma em 2014.É só conferir no suplemento especial de Carta Capital, especialmente na entrevista de Risério.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail:Vitor_soares1@terra.com.br

  • Arquivos

  • dezembro 2011
    S T Q Q S S D
    « nov   jan »
     1234
    567891011
    12131415161718
    19202122232425
    262728293031