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O eterno Tamba Trio, em “Visgo de Jaca”, de Rildo Hora e Sérgio Cabral”, para animar a festa.

(Gilson Nogueira)

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E no embalo maravilhoso do Tamba Trio o editor do Bahia em Pauta embarca para merecido descanso de fim de semana na beira da Praia de Guarajuba, litoral norte de Salvador. O BP será renovado na medida do possível, que ninguém é de ferro. OK?

(Vitor Hugo Soares)

dez
09
Posted on 09-12-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-12-2011


JANIO
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CRÔNICA/PELEJA

Capitão Bolsonaro X Capitão Virgulino

Janio Ferreira Soares

Quase ao mesmo tempo em que o deputado Jair Bolsonaro desafiava a presidente Dilma a admitir se gosta ou não de homossexual, o juiz Aldo Albuquerque, da 7ª Vara Cível de Aracaju (SE), proibia a publicação e comercialização do livro “Lampião – o Mata Sete”, de autoria do juiz aposentado Pedro de Morais, onde o autor afirma que o rei do cangaço mantinha uma relação homoafetiva com o cangaceiro Luiz Pedro, e que o mesmo também seria namorado de Maria Bonita – formando assim o primeiro triângulo amoroso do cangaço. A ação judicial foi movida pelos seus descendentes, obviamente ofendidos por Lampião ter sido chamado de gay e Maria Bonita ter sido literalmente associada ao impagável bordão de Valéria, personagem do programa Zorra Total (“ai, como eu tô bandida!”).

Sem entrar no imbróglio jurídico/erótico e nem aí para as preferências sexuais dessa rapaziada, comecei a pensar numa ideia que poderia dar uma bela literatura de cordel, que seria uma peleja entre o capitão Bolsonaro (sim, ele é capitão da reserva do Exército) e o temido capitão Virgulino, elevado a patente a pedido de seu “padim” Padre Cícero, para combater a Coluna Prestes.

O local do embate seria o Raso da Catarina, esconderijo de Lampião e octógono perfeito para confrontos de cabras que não têm medo da morte nem da sobrancelha arqueada de Dilma. E lá, o velho caçador de boiolas – sabiamente disfarçado de cangaceira – se entrosaria no bando e ganharia a simpatia de Lampião, dividindo com ele alforjes, perfumes e punhais. Plano perfeito.

Só que, numa noite de Lua cheia, Zóio de Lume (era assim que Lampião o chamava por conta de seu olhar de rolinha-fogo-pagô) exageraria na cachaça, dormiria mais cedo e acordaria com uma estranha ardência lombar inferior a lhe incomodar.

Na dúvida se teria sido o peba na pimenta ou algo do tipo “valha-me Deus, será?”, um desconfiado Bolsonaro voltaria para Brasília e nunca mais homofobizaria ninguém. Já o Capitão Virgulino, coitado, uivaria apaixonado, toda vez que a Lua do Raso prateasse sua saudade sem fim.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

dez
09
Posted on 09-12-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-12-2011


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Miguel, hoje, no Jornal do Comércio (PE)


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OPINIÃO POLÍTICA
A propina roubada

Ivan de Carvalho

Está ficando cada vez mais difícil entender.

O soldado PM, empresário e campeão de kung-fu, João Dias – responsável pela deflagração da série de denúncias que acabou resultando na demissão do comunista baiano Orlando Silva do cargo de ministro do Esporte – está em novo litígio, desta vez com o antecessor de Orlando Silva no citado ministério, Agnelo Queiroz, que na época era, como o sucessor, do PC do B, mas agora no PT e no cargo de governador do Distrito Federal. Alguns dos convênios com ONGs que ajudaram a derrubar Orlando Silva tinham sido herdados da gestão de Agnelo Queiroz no Ministério do Esporte.
Bem, o que se relatou até aqui não é difícil de entender. O que é difícil, não só de entender, mas até mesmo de acontecer, é o que aconteceu na quarta-feira. O soldado PM João Dias Ferreira invadiu a sede do governo do Distrito Federal armado com um pacote de R$ 200 mil, segundo relatou depois à Polícia Civil, aonde foi levado preso, após jogar o dinheiro em cima de uma mesa, na Secretaria de Governo.

Ele explicou na delegacia que foi devolver o dinheiro, que lhe fora entregue por duas pessoas, uma delas a chefe de gabinete do secretário de Governo, Paulo Tadeu, principal auxiliar do governador Agnelo Queiroz. Autuado por injúria e lesão corporal, o soldado João Dias explicou que os R$ 200 mil que jogou sobre a mesa, no Palácio do Buriti, eram uma propina que lhe deram para que ficasse calado, isto é, parasse com as denúncias que desatou a fazer de uns tempos para cá e que já envolvem seriamente o governador.
Ficou difícil de entender porque não levaram o soldado PM João Dias e o dinheiro para a 2ª DP, que é a delegacia da circunscrição em que está a sede do governo, mas para a 5ª DP. A explicação dada nos meios governistas é de que esta seria “mais discreta”. No entanto, não foi explicado o que se estava querendo esconder, assim como fica difícil entender que por um injustificado interesse pela discrição (seria para passar despercebido o fato à imprensa?) o governo haja deslocado o caso da delegacia da circunscrição para uma outra.

Mais intrincado e de difícil compreensão fica o caso quando se verifica que dos R$ 200 mil que o soldado João Dias, segundo ele, jogou em cima da mesa, na 5ª DP foram contados apenas R$ 159 mil. Fico me perguntando se alguém resolveu cobrar uma comissão de R$ 41 mil sobre a propina devolvida ou se o próprio soldado PM jogou sobre a mesa governamental R$ 41 mil a menos do que afirmou. Em qualquer das hipóteses, alguém teria surrupiado uma parte da suposta propina de R$ 200 mil devolvida, o que talvez seja uma inovação nas modalidades de corrupção no país, apesar do amplo know-how brasileiro nesse campo. A não ser que a suposta propina haja sido mesmo de R$ 159 mil (coisa extremamente improvável, já que propina sempre é fixada em números redondos).
E ainda ficam restando coisas a esclarecer. O soldado PM João Dias, há mais de um mês uma das celebridades instantâneas mais destacadas do país, recebeu realmente a propina, arrependeu-se por questões de consciência ou conveniência e foi ao palácio devolver para ficar liberado a prosseguir nas denúncias? Ou ele simplesmente pegou uma parte do seu próprio dinheiro e o atirou sobre a mesa palaciana para criar a idéia falsa de que lhe quiseram comprar o silêncio por R$ 200 mil, o que, em si, já seria uma nova denúncia? E, de quebra, passar a idéia (verdadeira ou falsa?) de que, tão irrefreável está a ladroagem que os corruptores já não se contentam em apenas pagar propinas, eles também roubam das propinas que eles mesmos pagam.

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