Negromonte, das cidades, na zona de tiro
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OPINIÃO POLÍTICA
Zona de turbulência

Ivan de Carvalho

É impressionante o número de ministros demitidos nos primeiros 11 meses e cinco dias (o mais recente ato de demissão só ontem foi oficializado, embora houvesse ocorrido e anunciado no domingo). Saiu a contragosto o petista Antonio Palocci, do cargo de ministro-chefe da Casa Civil, Alfredo Nascimento, do PR, foi obrigado a deixar o Ministério dos Transportes, Wagner Rossi, do PMDB, acabou defenestrado do Ministério da Agricultura, Pedro Novais, também do PMDB, foi arrancado a forceps do Ministério do Turismo, Orlando Silva, do PC do B, chutado do Ministério do Esporte e Carlos Lupi, presidente nacional licenciado do PDT, que dispensou a bala para cair do Ministério do Trabalho e Emprego.

Além dos citados, que deixaram os cargos sob denúncias de haverem se envolvido com malfeitos e eventualmente malfeitores, caiu ainda, por incompetência para a função, o ministro das Relações Institucionais, o petista Luís Sérgio, mas foi levantado para ocupar o Ministério da Pesca, ainda que não se tenha notícia de que em toda a sua vida haja pescado sequer uma piaba. E Ideli Salvati, da qual também não se tem notícia de que haja cometido igual proeza – e, quem sabe, por isso mesmo? – foi retirada da Pesca e posta nas Relações Institucionais, onde, afirmam até aqui os governistas, tem se desempenhado a contento.

Convém, de quando em vez, relembrar essa vasta relação, o que, até, sugere uma de três conclusões: ou a presidente da República não sabe escolher seus auxiliares mais importantes, ou vários deles não foi ela que escolheu (o que seria lamentável, pois quem foi eleita presidente e recebeu mandato para isto foi ela) ou não há na sua base política ou social pessoas adequadas e disponíveis para esses cargos, hipótese que parece a mais improvável, ainda que não impossível.
Depois da queda espetacular de Carlos Lupi do cargo de ministro do Trabalho e Emprego (o espetáculo fica por conta da maneira como ele se comportou entre a deflagração do processo e seu desfecho), três ministros enfrentam ou estão entrando na zona de turbulência.

O mais notório dos três é o ministro das Cidades, Mário Negromonte, deputado e presidente do PP da Bahia. Alvo de núncias, ele as atribui a “fogo amigo” – gente do PP que lhe quer tomar o cargo para devolvê-lo ao ex-ministro Márcio Fortes.

No entanto, o PT, que mira com gula o Ministério do Trabalho, instrumento para se tornar hegemônico no movimento sindical, tem mais fome ainda para abocanhar o Ministério das Cidades, com orçamento bem maior e as obras da Copa do Mundo – evento que, em entrevista recente a Marília Gabriela, no SBT, o agora saudoso Doutor Sócrates disse que custará muito caro ao povo brasileiro, dará lucro à Fifa e melhor seria, para nós, que não fosse realizada no Brasil. Lembrou ainda que grande parte da crise econômica que a Grécia está enfrentando decorre da realização, lá, das Olimpíadas.

Bem, além de Negromonte, está entrando na zona de turbulência o petista mineiro Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (questionamento de faturamento com consultorias de uma empresa, quando não ocupava cargo público ou mandato). E finalmente o petista baiano Afonso Florence, contra cujo Ministério do Desenvolvimento Agrário a oposição já tentou, sem êxito, criar uma CPI na Câmara. No domingo, no Canal Livre da Band, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, disse que o governo está dificultando informações sobre esse ministério, mas garantiu que “as denúncias vêm aí, vão sair”, embora sem antecipar nenhuma.

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