A presença de Evita no Peron Peron…
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…e da moderna Florencia Kirchner também
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Do repórter Claudio Leal, da revista digital Terra Magazine, O editor do Bahia em Pauta recebeu o seguinte e-mail, postado em São Paulo:

“Vitor,

Carol, a nossa correspondente em Buenos Aires, fez uma crônica deliciosa da presença da filha de Cristina no bar Perón Perón. Thais (Bilenky, da Folha, ex-TM e grande amiga do BP) estava com Carol.
Dê uma lida na crônica, pois é a sua cara.
Abraços,

Claudio.

O texto de Carol vai na íntegra para os leitores do BP, com agradecimentos a Claudio, Carol e Thais. Confiram,

(Vitor Hugo Soares)

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Carol Pires

De Buenos Aires

Para entender a Argentina é imperativo conhecer Borges e o peronismo. Conhecer, mas não necessariamente entender, porque apesar de toda a erudição do maior escritor argentino, o peronismo é bem mais difícil de compreender. Um movimento político que agrega direita e esquerda, é Menem mas também é Kirchner? Borges, um não-peronista, dizia: “Os peronistas não são bons, nem ruins, são incorrigíveis”.
Na busca por boas picadas e uma explicação do peronismo chega-se a Palermo Hollywood, no bar Perón Perón.
Já tarde da noite, quando todos se embriagaram com vinho peronista, cerveja peronista e sanduíche peronista, assistiram ao documentário peronista, e aqueles caras da mesa ao lado começam a cantar pela enésima vez a marcha peronista (¡Perón, Perón, qué grande sos!) alguém comenta: ok, já está com clima de festa da juventude nazista, talvez seja hora de ir.
É uma overdose de peronismo, mas ir ao Perón Perón é parada obrigatória para quem gosta de história e política argentina. De quebra, encontrar Florencia Kirchner, a filha mais nova da presidente Cristina Kirchner, foi o que bastou para a quinta-feira passada (24) ser uma das últimas e a mais peronistas das noites argentinas, que, para mim, vão chegando ao fim.
O Perón Perón é todo decorado com motivos peronistas. Algumas mesas têm máquinas de costura, como as que o governo peronista distribuía nos anos 1940, um altar para Evita com velas e flores, e muitas fotos dos dois mais poderosos casais peronistas, Perón e Evita, e Néstor e Cristina. O cardápio, o nome dos lanches, e até o vinho é peronista lá.
O vinho se chama El Justicialista, como o partido criado pelo general Juan Domingo Perón. Sob o lema “nacional e popular”, é vendido a 45 pesos, algo como 20 reais. Com a chegada do verão, foi lançada também a cerveja peronista, que tem quatro sabores, passando pela pilsen “Evita” à scotch “Doble K”.
O bar é frequentado por políticos e artistas alinhados ao governo. Eram por volta das 22h quando chegou Florencia Kirchner, caminhando, sozinha, de roupa branca e mocassins de oncinha.
Florencia estudava cinema em Nova York quando o pai morreu e ela voltou para Buenos Aires. Agora ela está envolvida em dois projetos, em um documentário sobre o pai Néstor Kirchner, morto em outubro de 2010, dirigido pelo uruguaio Adrián Caetano e em um média-metragem chamado Entre escenas, escrito e dirigido por ela.
Os amigos que estavam com ela eram do Instituto Nacional de Cinema, contou um dos garçons depois. Ela foi muito discreta a noite toda, conversou com as poucas pessoas que a abordaram, e ao final saiu caminhando sozinha, sem equipe de segurança à vista. Não podia ser um estilo mais diferente da mãe, que vive de vestidos plissados e saltos altíssimos em luto, faz discursos emocionados e intermináveis. Serem tão diferentes, mãe e filha, não podia ser mais peronista.

Carol Pires

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