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Postado em 30-11-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 30-11-2011 21:27


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CRÔNICA/TEMPO

Fiu Fiu

Gilson Nogueira

A saudade dos anos de convivência com os colegas estudantes de jornalismo da Universidade Federal da Bahia, a Ufba, de 1968 a 1971, bate forte, machuca e fica. Fica e insiste, tanto, tanto, num doer diferente, que o jeito é fazer do recordar daquele tempo um dipirona psicológico para engolir de vez e escrever, no pique, logo, texto, sem pompa , visando diminuir a dor diferente, pelo menos, até o dia do reencontro, já anunciado no site Bahia Já, do jornalista Tasso Franco, um dos integrantes da turma considerada a mais irreverente que a Bahia Acadêmica conheceu.

Verdade ou não, importa que, no próximo dia 11, vamos completar 40 anos de formatura em jornalismo. Viva a Turma de 1971 de Jornalismo da UFBA! É uma data e tanto, dessas que honram os que a construíram, com dificuldade, na base do esforço, do suor diário, com trabalho e muito estudo, por isso, merecedora de beijos e abraços redondos, na exaltação da conquista gloriosa e da amizade, entre alunos e mestres, imorredoura, sempre disposta a desafiar os anos fincada no respeito mútuo e na admiração recíproca de uma geração que orgulha o diploma que recebeu com a assinatura do então reitor Augusto Mascarenhas.

E a danada da saudade aumenta, ao ouvir Tropicália, de Caetano Veloso, cantada pelo próprio, no You Tube. Essa música tem a cara do ano que muitos acham que não terminou, 1968, quando foi gravada, por Caetano, e de quem pretendia, como ele,eu e muita gente mais,por exemplo, seguir dizendo eu vou por que não.

É uma saudade fantasiada de dorzinha fina, que mexe com o coração do jovem idoso digitador dessas linhas e que serve para despertar lembranças de uma turma sensacional de alunos da velha escola que fazia questão de quebrar paradigmas e de encarar a caretice reinante, após a ditadura, com atitudes consideradas além do seu tempo, por parentes, amigos e professores e funcionários da universidade.

Ao assobiar um fiu fiu amavelmente sonoro para a professora Consuelo Pondé de Senna, em plena sala de aula, por sua beleza física escultural, além, claro, por seu talento como mestra, ao ensinar História da Arte, no dia de sua apresentação, a turma de 1971 carimbou seu apelido.

Assim, de lágrima em lágrima fina, cantando Sá Marina, por dentro, sinto que em cada canto daquele prédio que, antes, abrigara o Instituto de Cultura Hispânica, no Vale do Canela, há uma música no ar, uma gargalhada, um grito qualquer, até um palavrão, insistindo em ficar, ali, misturado ao som das teclas das primeiras matérias escritas nas velhas máquinas de escrever do Jornal Laboratório, sob a supervisão do grande Florisvaldo Mattos, nos sambas que serviam de lanche nos intervalos das aulas..

Há, ainda, um sempre adeus imenso aos queridos colegas jornalistas que morreram. Eles vão estar lá!
Por favor, informem-me local do encontro, antes que o inesperado faça uma surpresa. Quem sabe!

Gilson Nogueira, jornalista da turma de 1971 da UFBA , é colaborador de primeira hora do Bahia em Pauta

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Comentários

rosane santana on 1 dezembro, 2011 at 0:29 #

Maravilha, Gilson, parabéns a todos!


regina on 1 dezembro, 2011 at 16:55 #

Ai que delicia!!!! Vou entrar em contato com minha turma a ver se arrumamos um encontro também, qualquer motivo é bom pra voltar ao tempo, aos bons tempos, digo…
Abração, Gilson!


gilson on 1 dezembro, 2011 at 17:27 #

Vítor, Rosane, Regina, obrigado, em nome da Turma de Jornalistas de 1971 da UFBA.
” Não há verdadeira felicidade sem sabedoria, e esta pode ser encontrada em todos os estágios da vida”, escreveu Rousseau.
Nós endossamos o que disse o grande romancista e filósofo suiço de língua francesa. Com vocês. Mil abraços!


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