nov
20
Postado em 20-11-2011
Arquivado em (Artigos) por vitor em 20-11-2011 10:42

DEU NO SITE DE CHICO BRUNO http://www.chicobruno.com.br/

Direto da Varanda: Chico Bruno

E tome crédito

Desde há muito tempo este sítio alerta para a possibilidade de o crescimento econômico brasileiro ser uma ficção, pois ele é todo calcado no consumo através de facilidades de crédito.

O repórter Fernando Nakagawa, na edição de sábado (19) de O Estado de S. Paulo, mostra que “o governo volta a incentivar o crédito para o consumo em um momento que, teoricamente, tem ingredientes arriscados: brasileiros nunca deveram tanto e nunca comprometeram parcela tão grande do salário para pagar as dívidas”.

Fernando revela que “desde a crise de 2008, quando o governo aumentou a oferta de crédito para manter a economia aquecida, a dívida total dos brasileiros saltou 80,7% e o valor das parcelas pagas mensalmente cresceu 60%. Enquanto isso, o salário aumentou bem menos: 33,3%”.

“O endividamento das famílias está no nível mais alto da história: pessoas físicas devem cerca de R$ 715,19 bilhões aos bancos em operações das mais simples, como o microcrédito e o cheque especial, até financiamentos longos, como o imobiliário e de veículos, passando pelo caro cartão de crédito”.

“Cada brasileiro deve atualmente 41,8% da soma dos salários de um ano inteiro, um recorde”.
“Em 2008 os brasileiros deviam o correspondente a 32,2% de sua renda de 12 meses”.

Apesar do recorde do endividamento, o governo aumentou as chances de os brasileiros se endividaram mais ainda.
Novos incentivos para financiamentos voltados ao consumo – como o crédito para veículos, pessoal e consignado foi liberado.

Pelo visto a equipe econômica está pouco se lixando se os estoques estão elevados, a produção industrial está em queda e o flagelo do desemprego ronda o país.
Resumo da ópera.

O repórter Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo, perguntou ao economista espanhol Santiago Nino Becerra, que em 2006 previu a crise econômica que afeta a Espanha, se o caso espanhol poderia servir de lição ao Brasil que experimenta um boom.

Eis a resposta de Becerra:

“Acredito que o Brasil vive uma situação virtual como a que viveu a Espanha de 1995 a 2007. Pelo que eu sei, a economia brasileira navega em um mar de créditos no qual o governo incentiva o consumo de tudo, como ocorreu na Espanha. Para “resolver” a questão da distribuição de renda, o Brasil deu acesso a crédito a um porcentual enorme da população. Algo parecido com o que ocorreu na Espanha. De 1997 a 2007, os salários reais dos espanhóis só cresceram 0,7%. Mas a população consumiu de tudo. Penso que o Brasil hoje é a Espanha em 2003, numa versão 2.0”.

Por isso, não é exagero se prever que o futuro do Brasil pode ser igual ao da Espanha de hoje, pois a política econômica brasileira é uma ficção.
O mais doloroso é que os condutores da economia sabem disso, mas ignoram em nome da ótica eleitoral.

20.11.2011 | 11:07:06
Direto da Varanda: Chico Bruno
E tome crédito
Desde há muito tempo este sítio alerta para a possibilidade de o crescimento econômico brasileiro ser uma ficção, pois ele é todo calcado no consumo através de facilidades de crédito.
O repórter Fernando Nakagawa, na edição de sábado (19) de O Estado de S. Paulo, mostra que “o governo volta a incentivar o crédito para o consumo em um momento que, teoricamente, tem ingredientes arriscados: brasileiros nunca deveram tanto e nunca comprometeram parcela tão grande do salário para pagar as dívidas”.
Fernando revela que “desde a crise de 2008, quando o governo aumentou a oferta de crédito para manter a economia aquecida, a dívida total dos brasileiros saltou 80,7% e o valor das parcelas pagas mensalmente cresceu 60%. Enquanto isso, o salário aumentou bem menos: 33,3%”.
“O endividamento das famílias está no nível mais alto da história: pessoas físicas devem cerca de R$ 715,19 bilhões aos bancos em operações das mais simples, como o microcrédito e o cheque especial, até financiamentos longos, como o imobiliário e de veículos, passando pelo caro cartão de crédito”.
“Cada brasileiro deve atualmente 41,8% da soma dos salários de um ano inteiro, um recorde”.
“Em 2008 os brasileiros deviam o correspondente a 32,2% de sua renda de 12 meses”.
Apesar do recorde do endividamento, o governo aumentou as chances de os brasileiros se endividaram mais ainda.
Novos incentivos para financiamentos voltados ao consumo – como o crédito para veículos, pessoal e consignado foi liberado.
Pelo visto a equipe econômica está pouco se lixando se os estoques estão elevados, a produção industrial está em queda e o flagelo do desemprego ronda o país.
Resumo da ópera.
O repórter Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo, perguntou ao economista espanhol Santiago Nino Becerra, que em 2006 previu a crise econômica que afeta a Espanha, se o caso espanhol poderia servir de lição ao Brasil que experimenta um boom.
Eis a resposta de Becerra:
“Acredito que o Brasil vive uma situação virtual como a que viveu a Espanha de 1995 a 2007. Pelo que eu sei, a economia brasileira navega em um mar de créditos no qual o governo incentiva o consumo de tudo, como ocorreu na Espanha. Para “resolver” a questão da distribuição de renda, o Brasil deu acesso a crédito a um porcentual enorme da população. Algo parecido com o que ocorreu na Espanha. De 1997 a 2007, os salários reais dos espanhóis só cresceram 0,7%. Mas a população consumiu de tudo. Penso que o Brasil hoje é a Espanha em 2003, numa versão 2.0”.
Por isso, não é exagero se prever que o futuro do Brasil pode ser igual ao da Espanha de hoje, pois a política econômica brasileira é uma ficção.
O mais doloroso é que os condutores da economia sabem disso, mas ignoram em nome da ótica eleitoral.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • novembro 2011
    S T Q Q S S D
    « out   dez »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    282930