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Duas pessoas possivelmente com olhos de aves de rapina, que os têm de extrema eficiência, estão surpreendentemente se comportando como cegos em tiroteio. O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, do PDT, e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT.
1. O primeiro, de acordo com o noticiário, ouviu da presidente Dilma uma orientação no sentido de desafiar e confrontar a mídia, que vinha veiculando e levantando denúncias contra ele, mas num sintoma de que talvez esteja também com problemas de audição, mira na direção errada e lança desafio à autoridade da presidente da República, confrontando-a na medida em que diz que é “indestrutível”, que “a Dilma não vai me tirar” e que só sai do ministério “abatido por bala e bala forte”, porque ele, Lupi, é “pesadão”.
Caneta, assinatura da presidente, tudo isso seria uma futilidade. Mas um Colt 45, ah, aí vamos respeitar.
No entanto, ante outra bronca presidencial, desta vez por intermédio da ministra-chefe da Casa Civil, senadora licenciada Gleisi Hoffmann (que, como afirmam da presidente, também adoraria dar ou mesmo transmitir broncas), o ministro Lupi pede desculpas à presidente e faz uma declaração pública abrasadora (e abraçadora): “Presidenta, eu te amo”.
A nação aguarda, emocionada e ansiosa, o próximo capítulo.
2. Enquanto isso, também em Brasília, desenrola-se outra novela, com indicação de horário – como a anterior – para lá de meia noite. O personagem principal é o governador Agnelo Queiroz, que, como o ministro, emerge do meio de muitas denúncias. Ou submerge no meio delas, tanto faz.
Uma das denúncias é a de que, quando era, representando o PC do B, o dirigente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – veja o leitor a responsabilidade da coisa, já que o órgão fiscaliza a qualidade de alimentos e medicamentos e os licencia, entre outras funções – teria recebido uma propina de R$ 50 mil. R$ 45 mil em dinheiro e mais uma transferência (a prova material) de R$ 5 mil, no dia 28 de janeiro de 2008, paga por Daniel Tavares, que trabalhava como lobista da União Química.
A Folha de S. Paulo de ontem conta uma história. Na quarta-feira da semana passada, Agnelo Queiroz, hoje do PT e governador de Brasília, disse que podia provar que fizera apenas um empréstimo pessoal de R$ 5 mil a Daniel Tavares e que este, com a transferência, pagara o empréstimo. A Folha questionou quais eram as provas que tinha, mas o governador do DF não respondeu. Depois, por meio de sua assessoria, voltou à versão anterior: “O que o governador disse é que, de modo geral, há provas de que ele fala a verdade”. Mas radicalizou: “A palavra de um governador de Estado já é, por si, uma prova”.
Ah, então prova mais forte é a palavra de um presidente da República. E, mais ainda, da República mais poderosa do planeta. No entanto, Richard Nixon renunciou à Presidência para não sofrer impeachment por haver mentido. O presidente francês Sarkozi chamou há dias o então primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, de “mentiroso”. E, para voltar ao Distrito Federal, quão indestrutíveis foram as provas representadas pela palavra dos então governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda!
Até quando, ó Catilina, abusarás de nossa paciência?

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Comentários

Alexandre on 17 novembro, 2011 at 15:05 #

Esse ditado que a justiça tarda mas não falha e terrível que adianta agora ficar claro que era tudo uma armação do Roriz e do Durval se o Arruda já pagou todo o pato, foi preso, tirado do governo e execrado na opinião publica? A Jaqueline foi absolvida, o Durval é absolvido de tudo, o Roriz não foi incomodado, e o Agnelo por conta disso foi eleito e faz um péssimo governo, ou seja, a justiça que tarda, falha.


sérgio on 3 dezembro, 2011 at 23:36 #

EXMO. SR. DEPUTADO PRESIDENTE DA CÂMARA DE DEPUTADOS – CÂMARA DOS DEPUTADOS BRASÍLIA – DF.

REFERÊNCIA: PROCESSO DE IMPEACHMENT CONTRA O MINISTRO DO TRABALHO: EXMO. SR. CARLOS LUPI

Sérgio Augusto Pereira de Borja, brasileiro, casado, professor de direito Constitucional na Faculdade de Direito da PUC\RS e Professor de Instituições de Direito na Faculdade de Direito da UFRGS, advogado inscrito na OAB do Rio Grande do Sul sob nº8629, residente e domiciliado à rua Marquês do Pombal, nº 1589, vem dizer e requer o que segue:
I – Que o ministro referido em epígrafe vem sofrendo acusações diversificadas através da imprensa falada, escrita, televisionada e ainda na Internet;
II – Que as acusações foram levadas ao conhecimento e posterior apreciação da Comissão de Ética da Presidência da República presidida pelo eminente Dr. Sepúlveda Pertence;
III – Que a Comissão em pauta emitiu, conforme foi noticiado amplamente na imprensa, parecer considerando que as explicações dadas pelo Ministro Carlos Lupi, em razão das acusações, não foram satisfatórias;
IV – Que o laudo, embora não sendo conclusivo juridicamente, pois sujeito eventualmente a posterior aferição pelo Judiciário, no entanto, tem o condão de colocar a autoridade enfocada sob suspeita;
V – Que o artigo 37 da Constituição emoldura o estado democrático de direito em princípios basilares entre os quais o da moralidade que possui dois aspectos: a essência e a aparência;
VI – Que como cidadão é dado ao ministro, como a todos, a proteção de não poder ser condenado antes do trânsito em julgado de sentença;
VII – Que, no entanto, este direito sofrendo a ponderação com o princípio republicano que alberga em seu cerne a finalidade pública, cotejados ambos os direitos, não pode o primeiro sobrepujar este último, sob pena de derrogar e inviabilizar ontologicamente a própria República;
VII – Que a inércia ou seu não eventual afastamento como órgão político, na pendência das acusações agora robustecidas conforme o texto das recomendações reforçaria a tese e suspeitas de que o bem público e a finalidade pública, estariam sujeitas e abaixo dos apetites e interesses de coligações partidárias enodoando assim o regime republicano, constitucional e a democracia;
VIII – DO PEDIDO: Assim, com base na Constituição Federal e na lei 1079 de 1950, vem, com força na argumentação expendida e no relatório da Comissão de Ética da Presidência da República solicitar o processo de IMPEACHMENT da autoridade em epígrafe. Conforme permissivo legal pede a juntada do Relatório e das Recomendações da Comissão de Ética da Presidência da República, sobre o qual se esteia este pedido, sendo que o rol de testemunhas é o mesmo que é citado no corpo de referido expediente.

Porto Alegre, 1 de dezembro de 2011.

SÉRGIO AUGUSTO PEREIRA DE BORJA
CIDADÃO e CONTRIBUINTE


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