nov
11
Postado em 11-11-2011
Arquivado em (Crônica, Janio) por vitor em 11-11-2011 22:54


==========================================================

CRÔNICA

A primavera dos dragões da USP

Janio Ferreira Soares

Apesar de não gostar muito do estilo literário de Nelson Motta, corri para comprar seu último livro, A Primavera do Dragão – A Juventude de Glauber Rocha -, na esperança de que as deliciosas histórias do biografado amenizassem a minha cisma com a escrita do autor.
Capa de primeira, letras graúdas, cadeira de balanço ajustada no ponto exato da sombra de uma mangueira para não dar chance ao Sol do São Francisco, lá vou eu rumo a Vitória da Conquista e adjacências na ilustre carona de uma turma da pesada.
Pouco depois da metade do livro recebo a visita do amigo Mestre – leitor voraz também conhecido como Tarzan por conta de sua intimidade com as coisas da natureza (a propósito, o seu diálogo com um pica-pau através de batidas percussivas num tronco de uma velha quixabeira já virou um clássico nas rodas de viola) -, que assunta: “e aí, bom? Posso levar?”. Confesso que me deu vontade de emprestá-lo, mas desisti e fui até o final, até para não parecer implicância com o escritor que nunca envelhece. Mas não teve jeito.
Sabe aquela sensação de quando você espera algo arrebatador e recebe na caixa da vitrola um lance tipo Araçá Azul? Pois foi mais ou menos isso que aconteceu, porém fiquei na minha, esperando outras opiniões.
Primeiro liga o Mestre, revoltado: “quer dizer que nem o dragão nem os dragãozinhos queimavam uma coisinha pra animar o ambiente, é? Me engana!”. Mas só depois que eu li no Terra Magazine os depoimentos de João Carlos Teixeira Gomes (Joca), Antonio Guerra Lima (Guerrinha) e Fernando da Rocha Peres (o bananeira fake), danados da vida com as inverdades do livro, foi que eu vi que não estava sozinho no quesito pôxa-mas-que-desperdício-de-histórias-bacanas.
Falando em dragão, pensei que não existiam mais bichos-grilos, mas alguns sobrevivem na USP e agora lutam por baseados livres nas dependências do campus. Beleza. Como sugestão, eles deviam reivindicar uma extensão da USP na região de Cabrobó (PE), com uma fábrica de mariola e uma padaria por perto – e com uma polícia importada da Jamaica fazendo a ronda. O Mestre seria jubilado.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos

  • novembro 2011
    S T Q Q S S D
    « out   dez »
     123456
    78910111213
    14151617181920
    21222324252627
    282930