“É com esse que eu vou: “belo espetáculo
com público reduzido no TCA
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Maria Olivia viu no TCA e comenta no Bahia em Pauta

Depois das marchinhas de carnaval em Sassaricando, musical de sucesso há cinco temporadas, os roteiristas Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral, mais uma vez em parceria com Claudio Botelho e Charles Möeller, voltam a ribalta com outra farra carnavalesca: O musical É Com Esse Que Eu Vou, sambas de carnaval de rua e de salão, que se tornaram clássicos de 1920 a 1970.

Os baianos tiveram a oportunidade de se deleitar com o belo espetáculo este final de semana, no Teatro Castro Alves, a preços populares, R$ 10 e R$ 20. No palco, sete atores-cantores encantaram o reduzido público presente com os inesquecíveis sambas de carnaval. A folia reuniu no palco baiano a nobre linhagem que tomou conta da Lapa carioca e vem transformando aquele espaço de samba – Pedro Paula Malta, Pedro Miranda, Marcos Sacramento e Makley Matos, uma diva de musicais, Sheila Matos, e duas legítimas herdeiras do trono do samba, Beatriz Faria, filha de Paulinho da Viola (fiquem de olho nela, maravilhosa) e Juliana Diniz, filha de Mauro Diniz e neta de Monarco.

‘É com esse que eu vou’ dá sequência ao espetáculo “Sassaricando” – que contabilizou quatro anos em cartaz, com mais de 200 apresentações em várias capitais do país e um total de 170 mil espectadores. Nesta nova montagem, Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral radiografaram as marchinhas de carnaval e resgataram o que de melhor foi produzido no gênero. Pura nobreza da produção musical brasileira, a exemplo de ‘Com que roupa’ (Noel Rosa), ‘Lata d´água’ (Jota Júnior/Luiz Antônio), ‘Leva meu samba’ (Ataulfo Alves), ‘Ai que saudades da Amélia’ (Ataulfo Alves/Mário Lago), ‘Seu Libório’ (João de Barro/Alberto Ribeiro), ‘Falta um zero no meu ordenado’ (Benedito Lacerda/Ary Barroso), ‘O homem sem mulher não vale nada’ (Roberto Roberti/Arlindo Marques Jr) e muito mais. O trabalho será lançado pela Biscoito Fino, em cd duplo, com direção musical de Luis Filipe de Lima.

A Bahia, mais uma vez, me matou de vergonha. Para um espetáculo desta grandeza e a preços populares, metade das cadeiras do TCA estavam vazias, pasmem senhores leitores. Divulgação ruim, talvez. Deixei o teatro encantada com o show, mas decepcionada com meus conterrâneos que, a toda semana, lotam qualquer apresentação de Axé , Arrocha ou pagode da vida.

Uma pena, perderam a oportunidade de ver um belíssimo musical, com uma orquestra afinadíssima e ouvir música, de verdade.

Maria Olívia Soares, jornalista, é colaboradora do Bahia em pauta.

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