Conteúdo Livre – Caetano Veloso

LEI SECA

Os americanos só se referem ao período em que as bebidas alcoólicas foram para a ilegalidade como “prohibition”. Aqui em Portugal, como aí no Brasil, dizemos “lei seca”, não sei se graças à criatividade dos lusófonos ou se o traduzimos de algum outro idioma falado por gente mais imaginativa. Nunca vi “dry law” em inglês. Era a proibição em si que o malfadado veto ao álcool representava. Malfadado porque logo se fez óbvio que criminalizar as bebidas alcoólicas só serviu para aumentar a excitação relativa a seu uso e para criar uma economia paralela em que gângsteres famosos pontificavam, o que serve como forte argumento contra a ilegalidade de qualquer droga. Mas hoje em dia, no Rio, como no Brasil todo, a expressão “lei seca” já só evoca a bemvinda campanha para inibir o uso de álcool por motoristas. Digo que ela é bem-vinda porque, embora não seja grande entusiasta de proibições, sempre achei que a violência que representa a presença de veículos pesados e velozes por entre os habitantes das cidades deve ser tratada como tal. É muito triste e feio e injusto que alguém morra porque um automóvel subiu na calçada. É tétrico que coisas assim se deem sem que haja uma reação firme da sociedade. A instituição da “lei seca” é uma firme reação social a algo que não nos exige nada de menos.

Estou em Lisboa e não tive tempo de verificar todos os detalhes envolvidos no caso que me aconteceu no Rio às vésperas de minha viagem. Correndo entre um show e outro, tentei buscar informação precisa na internet, pois alguns conhecidos me disseram que, se você se recusa a soprar o bafômetro (direito legítimo: o cidadão não é obrigado a produzir provas contra si), sua carteira será suspensa por uma semana e você pagará uma multa de quase mil reais. Seu carro poderá voltar para casa com você, só que dirigido por alguém que, com zero álcool no organismo, venha em seu socorro. Para quem pode pagar uma multa dessas, é pequeno incômodo. Mas e quem fez o teste e passou, limpíssimo? Bem, aí vem a questão de se o carro está com toda a papelada em dia (não simplesmente se o carro está obviamente em condições de trafegar).

O que aconteceu comigo foi que meu filho Zeca me pediu uma carona de nossa casa no Leblon até o Jardim Botânico. Apenas dobrei a esquina e entrei na Bartolomeu Mitre, meu filho me fez parar no posto de gasolina que fica ali, pois ele precisava comprar algo para levar para a namorada (não era bebida alcoólica). A barraquinha e a já familiar bola branca suspensa no ar (que a Gadú e eu brincamos que é o cenário do nosso show) estavam na esquina da Praça Antero de Quental. Acho que um dos fiscais, ao me ver parado ali por algum tempo e, com ter entrado no posto, evitar a Bartolomeu Mitre e seguir pela San Martin (sim, porque se Ipanema é da Bahia e de seus heróis da independência, o Leblon é dos países que foram nossos hermanos na Guerra do Paraguai), julgou tratar-se de um motorista alcoolizado querendo driblar a revista. Digo isso porque, mal pus o carro em movimento, ainda dentro do posto, ele veio de lá acenando para eu parar junto ao meiofio da praça. Fi-lo fagueiro, já que faz uns 25 anos que não bebo. Achei que valia o incômodo: a causa era nobre.

Mas eis que ele tomou minha carteira de habilitação e pediu os documentos do carro. Eu não tinha ideia precisa de onde estes estariam nem do que exatamente seriam. Abri o porta-luvas e achei uma bolsa marrom cheia de papéis e folhetos. Abri e, diante do incompreensível, pedi ajuda à autoridade. Ele saiu correndo para tratar de outro caso, levando minha carteira na mão e me deixando com a bolsa e o mistério. Veio um companheiro seu e me informou que o papel que eu devia estar procurando era “verdinho”, e que ele era o chefe da operação. Tomou de minha mão o papel verde e correu para o complexo tenda-bola. Demorou tanto que comecei a perguntar ao primeiro. Que olhou para a placa do meu carro e disse “5. Se não estiver agendado até final de setembro vai ser recolhido”. 5?! “Sim, placa com final 5”. Quer dizer que há risco de que prendam meu carro? “Acho melhor você ir ver lá”, apontando para a bola. Fiquei nervoso. Meu filho se manteve calmo. Fui lá tentar perguntar. Parece que, ao me ver, tiveram a ideia de me aplicar o teste do bafômetro. Mas não o fizeram de imediato. Ainda havia outros na fila. O meu deu zerozero. Me informaram que meu carro seria “recolhido ” porque “ o agendamento da vistoria para carros com placa de final 5” tinha prazo encerrado em 30 de setembro. Fiquei irado. Já me tinham dito que no Rio é assim: grande campanha para ver se há motoristas embriagados e muitos que provam que não estão sendo punidos por detalhes burocráticos que parecem cavados pelos agentes na hora. Não cri. Uma amiga me diz que mesmo que o teste prove presença de álcool no organismo, a pessoa não passa por vexames maiores do que esse.

Gritei que me parecia contraproducente para a campanha que tão grande transtorno se abatesse sobre um abstêmio. Que em Lisboa o teste é feito à janela do carro, sem que outros problemas sejam buscados. Que dizem que em São Paulo também. Mas ele me ensinou que não agendar a vistoria no prazo é uma infração e, uma vez flagrada uma infração, não se pode não punir o infrator. Perfeito. Ele só se dirigia a meu filho. Mandou eu me queixar pela imprensa. É o que estou fazendo aqui, embora não
tenha tido tempo de estudar direito o caso. Sou pela Lei Seca e contra Alexandre Felipe.

(Publicado este domingo em O Globo e A Tarde)


Gelson Domingos: morto a bala quando trabalhava/
foto JB
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DEU NO JORNAL DO BRASIL (ONLINE)

O cinegrafista da Rede Bandeirantes de Televisão, Gelson Domingos, morreu depois de ser atingido por uma bala perdida durante operação policial que envolveu cerca de cem homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), na manhã deste domingo, na Favela de Antares, em Santa Cruz (Zona Oeste).

Os policiais militares entraram na favela, controlada pela facção criminosa controlada de Fernandinho Beira Mar, preso na penitenciária federal de segurança máxima de Campo Grande (MS), pela área de lazer da Comlurb e foram recebidos a tiros pelos bandidos.

Houve intenso tiroteio e o cinegrafista da Rede Bandeirantes que atuava na cobertura jornalística da operação policial foi baleado no peito. Ele foi encaminhado para a UPA 24 horas do Cesarão, também em Santa Cruz, mas não resistiu aos ferimentos.

Ainda não se sabe o motivo da operação policial. De acordo com a PM, a situação na comunidade, ainda ocupada, é de aparente tranquilidade.

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Futuros Amantes

(Chico Buarque)

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
06


Chico arrasa em BH
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DEU NO UAI – DIVIRTA-SE (MG)

O público mineiro teve que esperar 20 minutos a mais para ver Chico Buarque. O show que abriu a nova turnê nacional do cantor e compositor carioca na noite deste sábado, no Palácio das Artes, começou com atraso, mas a plateia nem ligou. Quando Chico surgiu no palco, a histeria foi total e todo o Palácio das Artes, de pé, o aplaudiu efusivamente. Chico agradeceu e logo começou a cantar Velho Francisco, música sua de 1987.

Quem enfrentou a fila para garantir um lugar na estreia ganhou outro presente: pela primeira vez na carreira Chico cantou ao vivo, em um show, a música Geni e o Zepelin, composta no período da ditadura. A plateia fez coro no famoso refrão. Além dela, o músico apresentou ainda outros sucessos como Anos dourados, Ana de Amsterdam, e Todo o sentimento, além de todas as faixas do novo CD, Chico, que também dá nome à turnê.

Nem as duas músicas de bis conseguiram saciar a plateia, que não queria ir embora. E mesmo ao final do show seguiam as homenagens ao músico. Um grupo de pessoas que se conheceu na fila da compra de ingressos levou cópias de letras de clássicos de Chico e continuou cantando. A plateia, acompanhou. Foi de lá, também, que presenças ilustres para o cantor conferiram a estreia, entre eles a namorada de Chico, Thais Gulin, a filha Sílvia Buarque de Holanda com o marido, o também ator Chico Dias, e a filha do casal, Irene.


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Jairo Costa Jr.

Redação CORREIO

Fazer xixi ou jogar lixo na rua, ficar com a grana de alguém achada no chão e furar filas são deslizes de civilidade admitidos pela maioria dos moradores de Salvador. Mas, desde que o autor da “infração” seja sempre o outro. Foi este o resultado de uma pesquisa feita pelo Instituto Futura para o CORREIO, cujos números revelam o apego dos soteropolitanos ao velho dito popular do “faça o que digo, mas não o que faço”.

Para chegar à constatação, a Futura foi a campo entre 30 de agosto e 3 de setembro em 16 regiões da capital baiana. Ouviu 601 homens e mulheres, de todas as faixas etárias, graus de escolaridade e classes sociais. Em todos os cruzamentos, os dados indicaram a mesma direção.

“O resultado é que, de uma forma geral, percebe-se que os responsáveis por comportamentos sociais inadequados e, consequentemente por alguns problemas da cidade, estão sempre o mais longe possível do ‘eu’”, afirma o pesquisador Tyago Hoffmann, diretor técnico do instituto.

Maus Hábitos

É o caso das respostas a um antigo comportamento dos baianos, criticado por dez entre dez turistas: espalhar urina em paredes, ruas e calçadas, muitas vezes sem se importar se a testemunha for uma criança de 7 anos ou uma senhora de 60.

Quando indagados se acham que as pessoas urinam na rua, 95,8% dos entrevistados disseram que sim, e apenas 3,8% juraram de pés colados que os soteropolitanos procuram um banheiro ao sentir a bexiga apertada. Outros 72,4% garantiram ter alguém próximo chegado ao xixi de rua, mas 27% afirmaram que ninguém de suas cotas é ou já foi capaz de dar uma de cachorro em poste.

No entanto, o mesmo contingente que reconhece a existência do mau hábito joga para o outro a culpa pelo cheiro de xixi que, volta e meia, é sentido nas esquinas de Salvador. É tanto que 65,6% dos entrevistados disseram nunca ter urinado na rua, contra 34,4% de mijões assumidos.

Neste caso, o único desvio de padrão entre os diversos grupos pesquisados ocorre por gênero: 58% dos homens admitiram que já urinaram na rua; só 14,7% das mulheres confessaram o mesmo comportamento.

(Leia integra da pesquisa na edição impressa do Correio este domingo)

nov
06
Posted on 06-11-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 06-11-2011


Mario, no jornal Tribuna de Minas (MG)

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