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OPINIÃO POLÍTICA

A bola da vez

Ivan de Carvalho

Antes de entrar no assunto de hoje, cabem algumas linhas sobre o de ontem. Só para registrar que o mandado de prisão expedido pelo desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal J.J. Costa de Carvalho contra o secretário de Saúde de lá, Rafael Aguiar Barbosa, por negligência e desobediência a ordem judicial, não chegou a ser cumprido. O mandado foi expedido no dia 28, houve um recurso e, pelo atraso provocado pelo fim de semana e o feriado de Finados, havia a expectativa de que ontem afinal seria decidido o recurso (pelo mesmo desembargador-relator que expedira o mandado) e, se indeferido, executado o mandado de prisão. Não chegou a ser.

Ocorreu que, como num passe de mágica, a Secretaria de Saúde explicou que os medicamentos cujo não fornecimento a um hemofílico haviam provocado todo o problema já estavam disponíveis nas prateleiras da Farmácia Popular. Curioso que a Secretaria tenha informado também que um desses medicamentos é comprado pelo Ministério da Saúde após “criteriosa” avaliação. A liminar para a Secretaria de Saúde do DF entregar os medicamentos foi dada em 9 de setembro – há praticamente dois meses.

É muita cara de pau. Para quem já pusera em risco – por negligência, má gestão ou pirraça – a vida alheia.

Bem, vamos ao assunto de hoje. Para o que não é preciso sair do Distrito Federal, ainda que fazendo, de passagem, referência a baianos.

Como já se esperava, após a queda do baiano Orlando Silva (PC do B) do Ministério do Esporte por suspeitas e indícios de corrupção no Programa Segundo Tempo, o também baiano e ex-comunista, mas agora petista Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, tornou-se o que a gíria política chama de “a bola da vez”.

Na lambança em que o Ministério do Esporte, com o seu Programa Segundo Tempo, se envolvia com ONGGs (Organizações Não Governamentais Governamentais, pois se alimentam de dinheiro público), o procurador geral da República, Roberto Gurgel, considerou que estavam envolvidos tanto o então ministro Orlando Silva quanto seu antecessor no ministério, Agnelo Queiroz, também baiano. Ele fora ministro quando estava no PC do B. Atualmente é governador de Brasília.

Então o chefe do Ministério Público da União pediu ao Supremo Tribunal Federal abertura de inquérito, incluindo como investigados o então ministro e o governador ex-ministro. A ministra Carmen Lúcia, do STF, aceitou o pedido e abriu a investigação. Isso acabou de tirar do cargo o auto-intitulado “indestrutível” Orlando Silva. Com a queda deste, o inquérito foi deslocado do STF – foro privilegiado de ministros, parlamentares, dentre outras autoridades – para o Superior Tribunal de Justiça, foro privilegiado dos governadores.

Como Orlando Silva foi jogado pra fora de campo, Agnelo Queiroz tornou-se a “bola da vez”. Os dois vão responder ao STJ, se o inquérito chegar a se tornar processo, mas Agnelo tem outro problema. Crivado de acusações, ontem ele ganhou um presente desagradável: o senador e promotor público Demóstenes Torres anunciou que o partido Democratas vai propor na Câmara Distrital do DF o impeachment de Agnelo Queiroz.
Dos 24 deputados distritais, 19 assinaram esta semana documento de apoio ao governador. Dos cinco restantes, pelo menos um também o apóia. Nesse contexto, a decretação de um impeachment parece inviável.

Mas certamente lembra o leitor de José Roberto Arruda. Era governador do Distrito Federal pelo DEM. Tinha o apoio de 18 dos 24 deputados distritais. Não sofreu impeachment, pois teve sua prisão decretada. Corrupção. Passou dois meses preso e renunciou ao mandato. O apoio que tinha na Câmara Distrital já se havia evaporado.

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