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OPINIÃO POLÍTICA

2012 e 2014

Ivan de Carvalho

O PMDB, o PSDB e o Democra tas, partidos que estão na oposição ao governo estadual e, nos casos do PMDB e PSDB, também do governo municipal da capital, conversam, há meses, com a intenção de montar uma coligação para as eleições do sucessor do prefeito João Henrique, eleito pelo PMDB com a essencial ajuda, no segundo turno, do eleitorado do DEM e hoje filiado ao PP.

A articulação pode ainda envolver pelo menos o PR e o PPS. O primeiro destes partidos está formalmente na oposição ao governo estadual comandado pelo PT, mas integra a base política do governo federal petista. Não integra a base de apoio do prefeito João Henrique. A seção estadual é presidida por César Borges, que, agora sem o mandato de senador, pode já não ter o mesmo cacife de que dispunha quando a direção nacional do partido lhe deu a presidência estadual, dela retirando o deputado José Carlos Araújo.

Mesmo sem o cacife representado pelo mandato de senador em um Senado problemático para o governo nas duas Legislaturas anteriores, César Borges vem, até aqui, se mantendo no comando estadual do PR sem problemas, embora haja adotado uma evidente estratégia de “submersão”, isto é, ele não tem feito questão de exposição na mídia, de opinar sobre os acontecimentos políticos ou de definir publicamente posições de seu partido na Bahia.

Quanto ao PPS, que é oposição tanto ao governo federal quanto ao estadual e o municipal, a tendência natural é que se integre a uma coligação oposicionista, caso esta seja realmente concretizada. O PPS tinha uma “pinimba” insanável com o carlismo – que ajudou pessoalmente vários dos seus integrantes baianos, especialmente nos tempos do partido antecessor, o PCB – por causa da posição intransigente de seu presidente nacional, o deputado pernambucano Roberto Freire, mas a esta altura esse tipo de coisa não faz mais sentido.

Há dificuldades óbvias e grandes no caminho de uma coligação oposicionista, envolvendo os partidos citados, para a prefeitura de Salvador. Não estou fazendo referência à anunciada candidatura do deputado do PR Maurício Trindade, anunciada por ele mesmo. Mas aos três nomes principais na relação de possíveis candidatos da coligação – Mário Kertész, do PMDB, Antonio Imbassahy, do PSDB e ACM Neto, do DEM.

A questão toda envolve não somente a eleição de prefeito da capital em 2012 como as eleições majoritárias de 2014. ACM Neto reafirmou esta semana que seu projeto político contempla uma eleição majoritária em 2012 ou 2014 e isto, à primeira vista, indica que será candidato a prefeito no ano que vem ou a governador em 2014. Haveria ainda duas alternativas também “majoritárias” para 2014 – candidatura a senador ou a vice-governador (pelo menos esta última é citada apenas para constar, pois, em princípio, deve ser descartada).

Mas se ACM Neto não conseguir unir a oposição em torno de seu nome para prefeito – por desentendimento ou pela escolha de Imbassahy ou Kertész para disputar a prefeitura – as coisas se complicam, porque para 2014 estariam Neto e o ex-deputado e ex-ministro Geddel Vieira Lima, principal líder do PMDB da Bahia, ambos querendo suceder Jaques Wagner no governo. E os dois com muita determinação. Há ainda que definir os papéis do PSDB e do PR e a participação (esta, menos complexa, porque mais modesta pela própria natureza) do PPS.

Daí que a coligação para prefeito é factível, tendo em vista o consenso de que, não havendo ela, uma vitória seria quase impossível (Kertész proclama abertamente a impossibilidade). Factível, mas de difícil, complicadíssima articulação. E se houver um momento em que a coligação em exame for anunciada para 2012, nesse momento quase toda a coligação para 2014 já estará (mesmo secretamente) esquematizada. Com algum espaço reservado, claro, para os caprichos do imprevisível e os do eleitorado.

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