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Posted on 25-10-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2011

deu no jornal português Diário de Notícias

Após meses de polémica, o Senado brasileiro acabou esta terça-feira com o sigilo eterno dos documentos considerados ultra-secretos, limitando em 50 anos o prazo máximo que os papéis do Estado poderão permanecer em segredo.

A posição dos senadores contrariou a do relator, o ex-presidente Fernando Collor de Mello, que se opôs declaradamente à divulgação dos documentos.

O receio do relator e dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores é o de que o conteúdo de alguns documentos, em especial os relacionados com a formação das fronteiras brasileiras, possa abalar a relação do Brasil com países vizinhos, como Peru e Bolívia.

No seu relatório, Collor de Mello tentou retomar a versão original do projeto de Lei de Acesso à Informação, enviado ao Congresso em 2009, pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa versão não estabelecia qualquer limite para a prorrogação do prazo do sigilo dos documentos ultrassecretos.

O Senado, porém, optou pela versão aprovada na Câmara dos Deputados, que derrubou o sigilo eterno e determinou que a prorrogação do prazo só poderia ser feita uma vez. Na prática, nenhum papel do Estado poderá ser guardado por mais de 50 anos.

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Posted on 25-10-2011
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DEU EM O GLOBO

As flores em vida que ele, em parceria com Guilherme de Brito, pediu no samba “Quando eu me chamar saudade” foram dadas – ainda que sempre haja quem diga que o reconhecimento não foi à altura. “Depois da vida”, para citar uma de suas tantas músicas que falam de morte, as flores continuam a ser depositadas. Começa hoje (24) uma série de homenagens a Nelson Cavaquinho em função de seu centenário, que se completa no próximo sábado.

A primeira é um debate hoje, às 20h, no Instituto Moreira Salles, com Sérgio Cabral, João Pimentel e José Novaes (autor de “Nelson Cavaquinho: luto e melancolia na MPB”) mediados por Rosa Maria de Araújo.

– Vou manifestar um profundo remorso por uma maldade que cometi: arrumei um emprego para ele no “Jornal do Brasil” – adianta Sérgio Cabral. – Ele entregava o jornal do dia para os funcionários. Eu nunca o vi tão triste quanto naqueles dois ou três dias atrás do balcão. Depois, sumiu. Abandono de emprego.

A história reforça uma das características que Nelson Antônio da Silva manteve até a morte, em 18 de fevereiro de 1986: seu amor pelas ruas, pela boemia, pelas margens da vida, de onde extraía a matéria-prima de sua música.

– Nelson era um clochard brasileiro – resume Elton Medeiros, citando a palavra francesa para tipos como o Carlitos de Charlie Chaplin.

Amigo por três décadas, seu colega nas noites do Zicartola (1963 a 65) e no disco “Quatro grandes do samba” (1977), Elton participará na sexta-feira, às 18h30m, de um show da Velha Guarda da Mangueira em homenagem ao compositor, abrindo a série Som em 4 Tempos da Sala Funarte Sidney Miller.

– Eu o conheci depois de ele ser expulso da polícia (por atitudes como jogar baralho e beber fardado). Fazia parte do regional da zona do Mangue, com Cartola e outros, e eu ia vê-lo tocar. Ele gostava de cantar em rendez-vous, com aquele cheiro de álcool, todos os tipos de álcool.

Intimidade com Deus

Os serões nos botequins mais vagabundos não o impediam de ser altamente religioso, ainda que não gostasse de entrar em igreja. Rezava antes de comer e enquanto bebia, mesmo no meio de uma quadra de escola de samba “com uma cuíca roncando sobre sua cabeça”, como lembra Elton.

– Ele tinha muita intimidade com Deus. Falava de Deus como de um amigo – lembra Carlinhos Vergueiro, que produziu o disco “Flores em vida” (1985), em que vários cantores interpretavam Nelson, e lança em novembro um CD todo dedicado à obra do sambista, com participações de Chico Buarque, Wilson das Neves, Cristina Buarque e Marcelinho Moreira.

É uma obra em que opostos se atraem: flor e espinho, festa e pranto, mocidade e cabelos brancos. Nada em Nelson é moderado, dos porres às paixões, da obsessão pela morte à compulsão pela vida.

– Ele falava da morte para falar da vida. Não queria morrer, não era um suicida. Gostava muito de viver – ressalta Carlinhos.

Por obra do acaso, o cantor redescobriu, para seu disco, um samba em parceria com Guilherme de Brito que só tivera uma esquecida gravação – de Ari Cordovil, em 1957 – e que Beth Carvalho também interpreta no CD que sairá em novembro. “Palavras malditas” é um Nelson típico: “Eu não perdoo a tua ingratidão/ No nosso coração/ Nem tudo é como se deseja/ Eu não errava quando te dizia/ A mão que acaricia é a mesma que apedreja”.

– Nelson é o meu xodó maior. Passou até Natal na minha casa. Ele me deu “Folhas secas”, e eu passei a gravar sempre as novas. Era até um incentivo para ele continuar compondo – lembra Beth.

Foi a cantora quem apresentou Moacyr Luz ao compositor, numa noite de 1984. Ao produzir dois CDs de Guilherme de Brito, ele se aproximou mais da obra, que interpretará na quinta-feira, no Instituto Moreira Salles, ao lado de Gabriel da Muda, e no sábado, no Espaço Cultural dos Correios, em projeto que também terá Claudia Telles na quinta e Jards Macalé na sexta.

– Passei a estudar as harmonias surpreendentes dele e, muito modestamente, seguir o mesmo caminho – diz Moacyr.

O conjunto Galo Preto acompanhou Nelson Sargento e Soraya Ravenle no CD “O dono das calçadas” em 2001, quando dos 90 anos de Nelson Cavaquinho. Afonso Machado, bandolinista e responsável pela maior parte dos arranjos do grupo, pretendia ter publicado naquela época sua pesquisa sobre o autor de “A flor e o espinho”. Como não houve dinheiro, ficou para o centenário a homenagem, que será lançada pela ND Comunicação na quinta-feira, a partir das 19h, no Museu da República. O Galo Preto também lança um CD tocando a obra do compositor.

– Não tem a pretensão de ser uma biografia. É um painel da vida dele com histórias que muitas pessoas me contaram – diz Afonso.

Como as entrevistas são daquele momento (1999 a 2001), há depoimentos de Guilherme de Brito, Jair do Cavaquinho e João Nogueira, que morreram tempos depois. O músico dividiu o livro em pequenos capítulos, registrando histórias famosos, como a do sonho que Nelson teve de que morreria às 3h da manhã, o que o levou a atrasar o relógio para impedir que a hora chegasse logo.

Ou aspectos menos conhecidos, como sua relação com o instrumento que lhe deu sobrenome artístico. Nelson tocou muito cavaquinho, compôs choros com ele – quase todos perdidos, sendo que Afonso localizou “Nair” na Biblioteca Nacional -, mas depois tornou-se exclusivo do violão, criando o estilo de tocar apenas com dois dedos da mão direita, o polegar para os bordões, o indicador para as primas.

Em novembro, as homenagens continuam no Festival Villa-Lobos: Zé Renato e Leandro Braga farão um show no dia 26, no Espaço Tom Jobim. E o filme de Leon Hirszman sobre ele será exibido no dia 15, no Instituto de Educação de Surdos.

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Posted on 25-10-2011
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DEU NO BALAIO DO KOTSCHO (O BLOG DO JORNALISTA RICARDO KOTSCHOO

Ministro sob suspeição

No começo da tarde desta terça-feira, a ministra do STF Carmem Lúcia Antunes Rocha, uma das figuras mais sérias que conheço no tribunal, abriu inquérito para investigar as suspeitas de envolvimento do ministro do Esporte, Orlando Silva, nos esquemas de corrupção da pasta, atendendo a pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

Os seguidores do PCdoB que aportaram neste blog desde a semana passada para me criticar, deveriam acompanhar com mais cuidado o noticiário e não ficar brigando com os fatos.

No mínimo, o ministro Orlando Silva está agora, oficialmente, sob suspeição. Como poderá atuar em nome do Brasil nas negociações sobre a Copa do Mundo e as Olimpiadas marcadas para o nosso país?

***

Pressionada por todos os lados, a presidente Dilma Rousseff resolveu dar um tempo _ exatamente para mostrar ao mundo que não decide sob pressão.

O problema é saber quanto tempo ela vai levar para fazer o que até as paredes do Palácio do Planalto, que não são surdas, já sabem faz tempo: tirar Orlando Silva do Ministério do Esporte.

De um lado, estavam toda a grande imprensa brasileira, a FIFA e a CBF, querendo a cabeça de Orlando Silva de qualquer jeito; de outro, o aliado PCdoB apoiado pelo ex-presidente Lula, que recomendou ao partido e ao ministro para irem à luta e não abrirem mão do Ministério do Esporte.

Não estou aqui revelando nenhum segredo de Estado, até porque não os tenho. Quem anunciou o apoio incondicional de Lula foi o próprio presidente do PC do B, Renato Rabelo, em discurso durante ato público promovido na mesma noite de sexta-feira em que o ministro ganhou um “voto de confiança”, uma sobrevida concedida por Dilma.

A presidente mal tinha acabado de chegar da sua viagem à África, sem tempo nem para desarrumar as malas, e todo mundo já estava anunciando a demissão de Orlando Silva, até o mané do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, que se achou no direito de antecipar em Zurique a troca do ministro do Esporte brasileiro, antes mesmo de Dilma recebê-lo em audiência.

Resultado: Orlando Silva entrou no gabinete da presidente da República cheio de moral, disposto a se manter no cargo e anunciando que tinha todos os documentos para provar sua inocência, mas não foi por isso que ele ficou, nem mesmo por contar com o apoio do padrinho Lula.

Foi, simplesmente, porque Dilma não pode trocar ou manter ministros a pedido de terceiros. Exageraram na dose, e ela resolveu se dar um prazo para esperar os resultados da varredura que mandou fazer no Ministério do Esporte e reunir documentos dos orgãos de controle do próprio governo, do TCU, da CGU e da PGR.

Desta vez, não será a imprensa a anunciar como vitoriosa a queda do sexto ministro de Dilma em menos de dez meses de governo, nem será apenas pelas acusações do ex-aliado à revista “Veja”.

Será Dilma, no momento em que ela achar mais conveniente. Mas não passa, na pior das hiopóteses, da reforma ministerial prevista para o começo do próximo ano.

Pouco importa se ele recebeu ou não dinheiro pessoalmente na garagem do ministério, o que me parece inverossível, e é evidente que não aparecerá nenhum recibo ou vídeo para provar a entrega da propina.

O fato é que Orlando Silva não tem a menor condição política nem moral de permanecer no cargo pelo conjunto da obra, pela enxurrada de casos comprovados de desvio de dinheiro público envolvendo ONGs de camaradas como o soldado João Dias, funcionários do Ministério do Esporte, dirigentes e militantes do PCdoB, um esquema de roubalheira que está em funcionamento faz muitos anos no país inteiro.

Por isso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito sobre os “malfeitos” tanto na administração de Orlando Silva, como na de seu antecessor, Agnelo Queiroz, que assumiu o ministério em 2003, na cota do PCdoB, e depois se bandeou para o PT e se elegeu governador de Brasília.

Mais do que ninguém, a presidente Dilma sabe que a situação do ministro do Esporte é insustentável e indefensável _ no mínimo, por omissão, por não saber o que se passa sob as suas barbas.

“Ele não resistiria a mais uma denúncia nova”, teria dito a presidente a interlocutores durante a viagem de segunda-feira a Manaus. Entre eles estava o ex-presidente Lula, que viajou com Dilma de Brasília a Manaus no avião presidencial e de lá foi para o México.

Já escrevi aqui várias vezes e repito: pelo que conheço dos dois, não há a menor chance de que a definição do caso Orlando Silva, seja qual for, possa abalar a relação entre Lula e Dilma. Os dois sabem que jogar um contra o outro é o principal objetivo da imprensa hoje, e sabem também que um precisa do outro para defender a continuidade do projeto político que chegou ao poder em 2003.

Perdem seu tempo os coleguinhas que a todo momento procuram encontrar divergências entre eles e acusam Lula de interferir demasidamente no governo da sucessora. Ambos se respeitam e são, acima de tudo, amigos fraternos.

Toda vez que a oposição midiática ou partidária, o secretário-geral da FIFA e o presidente da CBF, e quem mais for, estiverem de um lado, e Lula, de outro, podem ter certeza de que Dilma ficará com Lula. E a aliança dos dois se fortalece.


Siria de al Assad: bola da vez?
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OPINIÃO POLÍTICA

Dois cenários

Ivan de Carvalho

A liberdade aparentemente acaba de marcar um ponto na Líbia, um ponto ainda a ser confirmado pelo futuro próximo. É que foi extinto o regime leigo e totalitário de Muammar Gaddafi e um conselho está no poder, tendo anunciado a formação, no máximo em duas semanas, de um governo interino e eleições ao final de um período de seis meses para a eleição de uma assembléia nacional constituinte.

A vitória foi obtida pelas multidões desorganizadas ou no máximo organizadas por meio de redes sociais da Internet somadas a grupos melhor organizados, embora muito menos numerosos. O golpe de misericórdia, sem o qual talvez o resultado não fosse aquele a que se chegou, mas uma difícil e cruel vitória da ditadura liderada por Gaddafi, foi dado pelas operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan.

Essas operações, como se recorda, foram iniciadas por dois dias de intensos bombardeios americanos com uso de alta tecnologia, após o que os EUA se retraíram, por cautelas políticas e a França e Inglaterra passaram à linha de frente, na qual se mantiveram até a derrota final do regime.

Uma derrota tão completa que a Otan já deve nos próximos dias encerrar suas atividades no país, não o tendo feito ainda sob o argumento que ainda é necessário alguma vigilância para que se respeitem os direitos humanos – o que não é despropositado.

A grande questão, no entanto, é que ninguém sabe para onde vai a Líbia. A intenção atual é a Assembléia Nacional Constituinte produzir um Estado democrático e uma sociedade livre, mas a Líbia nunca teve antes um estado democrático e a sociedade local jamais conheceu a liberdade. A tradição, nessas duas vertentes, está absolutamente ausente. A Líbia é um ajuntamento de grupos e tribos e há um grande temor de que, em não muito tempo, eles estejam se engalfinhando pelo poder, pelo controle do país. Um possível, mas vago indício do futuro: 97 por cento da população Líbia é muçulmana sunita (como, aliás, Gaddafi também era).

A bola da vez no mundo árabe, se não for o Iemen, onde as coisas parecem estar sendo encaminhadas mediante um complexo acordo que inclui a abdicação do rei, será – ou já é – a Síria. O fim de Gaddafi e seu regime vai deslocar (já está ostensivamente deslocando) o foco para a Síria, há quatro décadas dominada pela ditadura hereditária alauíta de Hafez al-Assad e seu sucessor e filho Bashar a-Assad. Os muçulmanos alauítas representam cerca de 10 por cento da população Síria. Os cristãos, outros dez por cento e outro tanto é de muçulmanos xiitas. O restante, cerca de 70 por cento, é de muçulmanos sunitas.

Internacionalmente – política e diplomaticamente – a Síria está cada vez mais isolada, embora ainda receba proteção relevante da Rússia e da China. Mas esses dois países estão ficando cada vez mais discretos e cautelosos nessa proteção à medida que a violência da repressão às manifestações contra o governo, que espantosamente não cessam ante o aparelho repressivo posto em movimento, vai ganhando amplitude. Como o Egito, a Síria é fundamental – também tem fronteiras com Israel e, pior que o Egito, não tem, como o país do Nilo, um tratado de paz com o Estado judeu, mas uma política belicista.

Em tempo: os Estados Unidos chamaram seu embaixador, que estava há semanas recebendo ameaças de morte na Síria. O governo sírio, claro, reagiu, chamando a Damasco, ontem, o seu embaixador. Tensões que só aumentam.

out
25
Posted on 25-10-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2011


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Depois de um combatente rebelde ter afirmado que foi o carrasco de Kadhafi, surge agora outro vídeo de um soldado que reinvidica o feito, exibindo como prova roupas e um anel, supostamente do ex-ditador líbio.

Após a captura e morte de Muammar Kadhafi, em Sirte, os combatentes rebeldes parecem entrar agora numa corrida para ficarem com o protagonismo da execução do ditador líbio. Conforme adianta a edição de hoje do jornal espanhol “El Mundo”, depois de ter surgido no YouTube um vídeo onde um dos rebeldes reclamava para si os louros de ter sido ele a abater Kadhafi, surge agora novo vídeo, onde outro combatente afirma ter sido o “carrasco” de Kadhafi, exibindo supostas provas. Não é o primeiro e provavelmente não será o último deste protagonismo macabro.

Senad el Sadik el Ureybi é o nome complicado do homem que afirma, num vídeo descarregado no YouTube, ter disparado duas vezes sobre o ex-ditador líbio. O rebelde explica como tudo se passou, afirmando que “Agarrámos Kadhafi e fiz-lhe um golpe na cara. Alguns companheiros queriam levá-lo e foi quando lhe dei dois tiros na cabeça e no peito”, diz.

Na gravação, que rapidamente se espalhou pela Internet, o rebelde mostra para a câmara uma camisa ensanguentada e um anel de ouro que, garante, pertenciam a Muammar Kadhafi.

Um dia antes da revelação deste vídeo, já tinha sido publicado outro, onde aparecia também um combatente rebelde, supostamente o carrasco de Kadhafi, celebrando a captura e a morte do ex-ditador.

(Com informações dos jornais El Mundo, da Espanha, e DN, de Portugal)

out
25


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CRÔNICA DO TEMPO

As marchas dos indignados

Aninha Franco

A última grande mobilização humana aconteceu nos anos 1960 contra as duas guerras mundiais, quase sequenciais, a segunda de crueldade insuportável. Propôs-se paz e amor em festivais de rock, criaram-se comunidades socialistas – uma delas, vista em Os filhos de João –, fizeram-se passeatas enormes, discutiram-se, mais uma vez, a Liberdade – mormente a sexual –, a Igualdade e a Fraternidade. Nos anos 1980, o capitalismo se apropriou dos figurinos e trilhas sonoras dos embates e ganhou muito dinheiro vendendo liberdades azuis e desbotadas, todas lindas, sem qualquer ideologia. Os ícones do movimento sobreviventes às drogas enricaram, tornaram-se políticos do sistema e o mundo seguiu seu curso capitalista até que o equilíbrio da balança, o sonho socialista, ruiu com o Muro de Berlim, em 1989.

O Brasil viveu o que pôde de tudo isso, paralisado em 13 de dezembro de 1968 pelo AI-5. Dia de Santa Luzia, e nos fecharam os olhos. Dia do forró, e nos cortaram a língua. Dia em que o AI-5 proibiu as festas de reunir, criticar, pensar com independência e ser inteligente. A ditadura, truculenta, desconectada de qualquer conteúdo, censurou Antígona e mandou prender Sófocles, proibiu Laranja Mecânica de Kubrick e empastelou desenhos eróticos de Picasso. E fizeram das pessoas inteligentes que não saíram do País, vítimas disso, merecedoras de bolsas-conteúdo.

As marchas cívicas – Diretas Já, Impeachment de Collor –, localizadas, combateram momentos específicos da democratização ou pós, em 1992. Mas a ocupação de Wall Street, as marchas dos indignados e contra a corrupção estão acontecendo contra o mesmo inimigo, contra o capitalismo que destrói instituições bancárias, mas não seus banqueiros, que devasta políticas públicas em benefício de interesses privados. Elas precisam existir para que restaurantes parem de explodir, cidadãos deixem de empobrecer em sociedades estáveis como os USA, crianças não sejam atiradas nas lixeiras, e 10% de humanos continuem analfabetos absolutos num País como o Brasil. Elas servem para bloquear humanos que ganham dinheiro com isso.

Aqui, lá e sempre….

Aninha Franco, autora teatral da Bahia, escreve na revista Muito , o suplemento dominical do jornal A Tarde.


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FOLHA:DEU NA COLUNA DE MÔNICA BÉRGAMO

Ingressos para show de João Gilberto estão encalhados em SP

João Gilberto encalhado: a apenas 11 dias de seu show em SP, 1.144 ingressos, ou mais de um terço do Via Funchal, onde ele se apresentará, ainda estão disponíveis. O eventual fracasso já causa estresse na equipe que organiza a apresentação do pai da bossa nova. As vendas foram anunciadas há mais de um mês.

Os ingressos para ver João Gilberto em SP custam de R$ 500 a R$ 1.000. Os lugares colados ao palco estão esgotados. Mas logo atrás, na plateia 2, mais de 300 cadeiras ainda estavam vazias até a tarde de ontem. Nos mezaninos centrais ainda existiam 189 lugares, por R$ 700.

Já no Rio, onde João Gilberto toca no dia 15/11, os ingressos estão esgotados.

A informação está na coluna de Mônica Bergamo, publicada na edição desta terça-feira da Folha. A íntegra do texto está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

out
25
Posted on 25-10-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 25-10-2011


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Duke, hoje no Super Notícia (MG)

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25


Garcia & Rodriguea fecha no Leblon…

…E se o Mac Donalds fechar?
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Deu no Blog Rio de Janeiro a Dezembro, por Bruno Agostini
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Domingo, no tuíter, muita gente repercutindo o fechamento do Restaurante Garcia & Rodrigues, no Rio de Janeiro. Gosto (gostava) muito desta Casa, que hoje encerra seus trabalhos no Leblon. Procurando uma resposta, dei de cara com esse texto maravilhoso, já é um alento, observem:
(Maria Olívia Soares, jornalista, colaboradora do BP)
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Steve Jobs, Garcia & Rodrigues: não entendo tamanha comoção

Confesso que fiquei meio abestalhado com o culto a Steve Jobs quando o empresário americano morreu.
Fiquei com saudade dos tempos em que nossos ídolos eram Cartola, Ayrton Senna, Tom Jobim, Zico, Renato Russo, Jonh Lennon, Roger Waters (e David Gilmour), Michael Jordan…

Para mim, o Steve Jobs é só um empresário genial. Quando Cartola morreu é provável que não tenha saído uma linha sequer no The New York Times registrando o fato. Mas, como sabemos, Cartola é muito mais importante para a Humanidade do que Steve Jobs. Ouça-me bem, amor, o mundo é um moinho. Seus acordes valem mais que qualquer maçã, que qualquer Ipad. A Mangueira é mais que o Vale do Sicílio. Não entendi bem a comoção geral. Mas tudo bem, esse mundo é muito doido mesmo.

A veneração a Steve Jobs é uma prova de que o capitalismo tomou mesmo conta do mundo. Meus heróis morrerem de overdose, meus inimigos estão no poder. Ideologia, você sabe… Saudades dos meus ídolos.

Garrincha, cadê você?

Me lembrei do Steve Jobs ontem, ao notar uma verdadeira comoção diante de fato tão corriqueiro é irrelevante, o fechamento do Garcia & Rodrigues do Leblon.

O Facebook está se derretendo em lágrimas nas palavras dos órfãos desse restaurante-padaria-delicatessen. Caramba, o Garcia & Rodrigues é uma franquia. Tem loja na Barra, em São Paulo. E eles ainda querem abrir uma outra unidade no Leblon, menorzinha. Pra quê chorar, minha gente? Quer pão bom ali pelos lados do Leblon? É só chegar no Talho Capixaba, pertinho dali. E, cá entre nós, o Garcia original, o Janjão, está dando expediente ali no Lorenzo Bistrô, uma graça, uma delícia, uma delicadeza, comida pura, verdadeira, aconchegante. E, pão por pão, os do La Bicyclette, perto do Lorenzo, no Jardim Botânico, é bem melhor. A Escola do Pão também. Le Pain du Lapin.
Tudo bem que é uma troca ruim a chegada do Porcão e o fim do Garcia. Até porque, logo ali, em Ipanema, temos um Porcão, e outro ainda melhor, até pela vista, no Aterro do Flamengo. Mas também não é para tanto…

O que mais espanta é que, ao contrário do chororô pelo fim do Garcia, não vi quase ninguém lamentar o fim do Penafiel. O centenário restaurante da Saara, patrimônio carioca, fechou as portas há uns três anos. Pouca gente se manifestou. O Joaquim Ferreira dos Santos, o João Paulo Cuenca. Eu.

Do mesmo modo, A Paulistinha, clássico do Centro, destino dos mais sábios foliões depois do Bola Preta, berço do Berro da Viúva, reduto do samba, lar de bambas como o Mocyr Luz, que servia chope, bolinho de bacalhau e sacanagem, sim, sacanagem, os palitinhos de dente que espetavam salsichas, tomatinhos e coisinhas assim, que era servidos nas festas caseiras dos anos 1970 e 1970, e anda bastante sumido. O povo prefere Doritos com cheddar… Tem gosto pra tudo.

Mas, enfim, o Penafiel fechou as portas sem alarde. A Paulistinha também. O Le Coin deu lugar a uma casa de carnes sem caráter, sem pôsteres do Flamengo nas paredes, sem vida, sem flamenguistas, sem bossa, sem nada. Ninguém chorou… E, assim, amigos, infelizmente, caminha a humanidade. Chorando a morte de empresários, caindo em prantos pelo fechamento de um restaurante de rede.

Imagine se o Mc Donald’s vai a falência?
Nem quero imaginar…

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