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Postado em 24-10-2011
Arquivado em (Newsletter) por vitor em 24-10-2011 19:09


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DEU NA AGÊNCIA ESTADO

Há um lado afetivo em “Marighella”, documentário de Isa Grispum Ferraz sobre o guerrilheiro, morto pela polícia política em plena ditadura. Carlos Marighella (1911-1969), quadro histórico do Partido Comunista e dirigente da ALN (Ação Libertadora Nacional), era tio de Isa.

Assim, à reconstrução histórica da figura do militante mesclam-se recordações afetivas da diretora, que fala de um tio carinhoso, porém cercado de mistérios, que aparecia de vez em quando e, em seguida, sumia do mapa. Fala de como a notícia da morte do tio veio pela TV quando a família assistia a um Corinthians x Santos muito especial, pois naquela noite caía a série de vitórias de 11 anos seguidos do time da Vila Belmiro sobre seu rival.

É preciso dizer que essa pátina familiar é muito tênue e que o cerne do filme é a reconstrução histórica de uma trajetória. Esse percurso é refeito de maneira ampla, tendo como consultor o jornalista Mário Magalhães, que prepara a sua biografia. Isa utiliza entrevistas com militantes que combateram ao lado do guerrilheiro, o depoimento de Clara Charf, sua viúva, de seu filho Carlos Augusto Marighella e de figuras notáveis na resistência à ditadura, como o professor Antonio Candido, que tem Marighella na conta de um herói do povo brasileiro. Há, além disso, narrativa em off de poemas e escritos de Marighella, interpretados pelo ator Lázaro Ramos, e um arrepiante rap de Mano Brown, celebrando a biografia do personagem e destacando sua luta em favor dos pobres.

“Marighella” não é um documento jornalístico sobre a controvertida figura de um guerrilheiro. Não ouve o outro lado, ou os outros lados, como em termos ideais deveria fazer uma reportagem de jornal, uma pesquisa acadêmica ou mesmo uma biografia isenta. Não é imparcial. É uma homenagem e filme de um lado: o de uma pessoa da família, e também o de uma parcela da sociedade brasileira, aquela que simpatizou com a luta contra a ditadura militar. Mesmo aí encontram-se divisões. É possível que quem tenha fé na resistência pacífica não nutra simpatia por quem pegou em armas para se opor.

Controvérsias à parte, Marighella foi figura exemplar na luta contra a ditadura e morreu defendendo suas ideias, sem medo e sem recuar um passo. O homem que cai nessas circunstâncias não morre; vira mito. Fica encantado, como dizia Guimarães Rosa, em outro contexto.

MARIGHELLA

Espaço Unibanco Pompeia – Hoje, 22h40

Espaço Unibanco – Quarta, 18h20

Cine Sabesp – Dia 31, 16h30

Unibanco Arteplex – Dia 3/11, 15h30

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