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OPINIÃO POLÍTICA

As ONGs do mal

Ivan de Carvalho

Não são os primeiros casos. Não serão os últimos.

Mas à medida que caem ou balançam, em ritmo alucinado, em conseqüência de casos que envolvem corrupção, ocorridos em suas respectivas áreas de atuação, ministros do governo Dilma Rousseff, manifestam-se com força modalidades de corrupção que há algumas décadas atrás não existiam.

Assim, entre os vários aspectos do que vem acontecendo, vale dentre eles destacar o da instrumentalização de entidades inventadas há não muito tempo com a melhor das intenções, a de ajudar os povos, as comunidades carentes, as pessoas deficientes ou mesmo atividades humanas meritórias, a exemplo das artes ou da preservação do meio ambiente.

Foi assim que surgiram as Organizações Não Governamentais, as ONGs, sigla em português. Mas demorou muito pouco para que, no Brasil, fossem criadas às centenas, não creio que esteja errando se disser milhares, de ONGGs, ou, explicando melhor, Organizações Não Governamentais Governamentais. Essa denominação que agora lhes dou só aparentemente é paradoxal.

Na realidade, ela se justifica e se explica, por se tratarem de ONGs que proliferam com mais rapidez que os coelhos por todo o país, capitais e pequenas cidades, litoral e interior, norte, sul, leste, oeste, nordeste, centro-oeste, com o objetivo fundamental e não raro único de receber dinheiro do povo, via governo, e desviá-lo dos fins a que são supostamente destinados para o financiamento de partidos políticos e o crescimento do patrimônio pessoal de muitos políticos.

As ONGs, que na maior parte do mundo e em grande maioria são entidades, digamos, do bem, nós aqui no Brasil conseguimos a magia negra de transformá-las em ONGGs, entidades usadas para a prática do mal, da roubalheira, da safadeza, do aparelhamento do Estado por vias travessas.

Isso a completar o aparelhamento direto, ostensivo e tão sem vergonha que a nação vem testemunhando e que – junto com ONGGs e coisas assim – produz o mal no serviço público de saúde, na segurança pública, na péssima qualidade do ensino público, nas imensas deficiências de infraestrutura para a economia do país se desenvolver e sua população ter melhor qualidade de vida, no transporte coletivo urbano miserável, na miséria das aposentadorias, na voracidade tributária, pois se há que roubar, tem de haver o que roubar.

Ontem à noite, o ministro do Esporte, Orlando Silva, herdado do ex-presidente Lula da Silva pela presidente Dilma Rousseff, estava no Palácio do Planalto para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. Convocado por ela. A expectativa era de que, mesmo ainda “sem provas”, ele sairia do cargo. Não aconteceu.

O PC do B, partido que representa no governo, reunira-se e decidira que o ministro não pediria demissão – a presidente, se quisesse, que o demitisse. Dilma disse ao ministro para “continuar trabalhando”, segundo ele contou, ao sair da reunião. O baiano Orlando Silva, se cair, pode ser substituído por alguém indicado pelo PC do B que Dilma não quer ver fora de sua base política. Pretende botar no cargo a vagar alguém indicado pelos comunistas.

O procurador geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao STF uma investigação para apurar um possível envolvimento do ministro Orlando Silva em um esquema de desvio de dinheiro público, envolvendo uma ONG, perdão, uma ONGG. Acha que há fatos suficientes para instaurar a investigação.

A coisa está braba também para o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT, mas que já foi do PC do B, quando o representou no mesmíssimo Ministério do Esporte. A situação de Agnelo Queiroz, também está muito ruim. Mas há uma diferença fundamental – uma canetada da presidente tira Orlando Silva do jogo. Agnelo só sai com um processo de impeachment. E ele é do PT.

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Comentários

rosane santana on 22 outubro, 2011 at 15:15 #

A herança portuguesa no Brasil é fatal. Em “Os Donos do Poder”, Raimundo Faoro conta que os ingleses preferiam os negócios com os piratas do que com os comerciantes portuguesas. Mata-maroto na Bahia pós Independência não foi à toa. Triste herança lusitana. D. João e sua comitiva, instalados no Rio de Janeiro, a partir de 1808, fizeram a festa na distribuição de terras, transplantação da burocracia portuguesa, com pagamento de altos salários para os apaniguados e outras benesses na Corte. Quando partiu o rei, em 1821, raspou os cofres. É famoso o discurso do príncipe D.Pedro, depois do Fico: “Os cofres públicos estão vazios, os melhores funcionários nossos viajaram…” O problema brasileiro, a colonização de exploração traz em si, também, um problema de mentalidade…a mentalidade predatória, que nesta República dos Sindicalistas atinge os píncaros da glória. E eu que pensei que depois dos senhores de engenho e dos coronéis nada mais seria inventado em matéria de assalto aos cofres públicos.


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