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Posted on 22-10-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 22-10-2011


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Deu no jornal português Diário de Notícias

Um antigo médico do presidente da Venezuela, que se pronunciou sobre a estimativa de vida de Hugo Chavez anunciou hoje, em carta pública, que teve de abandonar de “maneira abrupta” o país.

“Os acontecimentos posteriores obrigaram-me a sair do país com a minha família, de maneira abrupta, algo que não desejava e não tinha planeado fazer”, explica o médico, Salvador Navarrete.

No último domingo Salvador Navarrete, antigo médico de Hugo Chavez e militante do Partido Socialista Unido da Venezuela, revelou a um jornal mexicano que o tumor extraído a Hugo Chavez é “muito agressivo” e que “a expectativa de vida pode ser de até dois anos”.

Na carta divulgada hoje o médico explica que as suas declarações tiveram por base “informação oficial” e a sua condição profissional, afirmando estar preocupado “que o presidente e o seu entorno político não conheçam a magnitude da sua doença, que tem sido tratada com um completo hermetismo”.

“As consequências de um desenlace fatal e a importância de informar tanto a sua organização e grupos que o apoiam, como os grupos políticos que o contestam, foram as razões que me levaram a abordar este delicado assunto”, explica.

Para Navarrete, o desaparecimento de Hugo Chávez neste momento “poderia ser mais traumático do que os políticos percebem”.


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OPINIÃO POLÍTICA

As ONGs do mal

Ivan de Carvalho

Não são os primeiros casos. Não serão os últimos.

Mas à medida que caem ou balançam, em ritmo alucinado, em conseqüência de casos que envolvem corrupção, ocorridos em suas respectivas áreas de atuação, ministros do governo Dilma Rousseff, manifestam-se com força modalidades de corrupção que há algumas décadas atrás não existiam.

Assim, entre os vários aspectos do que vem acontecendo, vale dentre eles destacar o da instrumentalização de entidades inventadas há não muito tempo com a melhor das intenções, a de ajudar os povos, as comunidades carentes, as pessoas deficientes ou mesmo atividades humanas meritórias, a exemplo das artes ou da preservação do meio ambiente.

Foi assim que surgiram as Organizações Não Governamentais, as ONGs, sigla em português. Mas demorou muito pouco para que, no Brasil, fossem criadas às centenas, não creio que esteja errando se disser milhares, de ONGGs, ou, explicando melhor, Organizações Não Governamentais Governamentais. Essa denominação que agora lhes dou só aparentemente é paradoxal.

Na realidade, ela se justifica e se explica, por se tratarem de ONGs que proliferam com mais rapidez que os coelhos por todo o país, capitais e pequenas cidades, litoral e interior, norte, sul, leste, oeste, nordeste, centro-oeste, com o objetivo fundamental e não raro único de receber dinheiro do povo, via governo, e desviá-lo dos fins a que são supostamente destinados para o financiamento de partidos políticos e o crescimento do patrimônio pessoal de muitos políticos.

As ONGs, que na maior parte do mundo e em grande maioria são entidades, digamos, do bem, nós aqui no Brasil conseguimos a magia negra de transformá-las em ONGGs, entidades usadas para a prática do mal, da roubalheira, da safadeza, do aparelhamento do Estado por vias travessas.

Isso a completar o aparelhamento direto, ostensivo e tão sem vergonha que a nação vem testemunhando e que – junto com ONGGs e coisas assim – produz o mal no serviço público de saúde, na segurança pública, na péssima qualidade do ensino público, nas imensas deficiências de infraestrutura para a economia do país se desenvolver e sua população ter melhor qualidade de vida, no transporte coletivo urbano miserável, na miséria das aposentadorias, na voracidade tributária, pois se há que roubar, tem de haver o que roubar.

Ontem à noite, o ministro do Esporte, Orlando Silva, herdado do ex-presidente Lula da Silva pela presidente Dilma Rousseff, estava no Palácio do Planalto para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff. Convocado por ela. A expectativa era de que, mesmo ainda “sem provas”, ele sairia do cargo. Não aconteceu.

O PC do B, partido que representa no governo, reunira-se e decidira que o ministro não pediria demissão – a presidente, se quisesse, que o demitisse. Dilma disse ao ministro para “continuar trabalhando”, segundo ele contou, ao sair da reunião. O baiano Orlando Silva, se cair, pode ser substituído por alguém indicado pelo PC do B que Dilma não quer ver fora de sua base política. Pretende botar no cargo a vagar alguém indicado pelos comunistas.

O procurador geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao STF uma investigação para apurar um possível envolvimento do ministro Orlando Silva em um esquema de desvio de dinheiro público, envolvendo uma ONG, perdão, uma ONGG. Acha que há fatos suficientes para instaurar a investigação.

A coisa está braba também para o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, do PT, mas que já foi do PC do B, quando o representou no mesmíssimo Ministério do Esporte. A situação de Agnelo Queiroz, também está muito ruim. Mas há uma diferença fundamental – uma canetada da presidente tira Orlando Silva do jogo. Agnelo só sai com um processo de impeachment. E ele é do PT.

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Posted on 22-10-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 22-10-2011


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Miguel, hoje, no Jornal do Comércio (PE)


Cristina Kirchner: pesquisas indicam vitória retumbante

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ARTIGO DA SEMANA

A Argentina e Cristina, o fenômeno

Vitor Hugo Soares

Salvo um desses imprevistos do tamanho da Cordilheira dos Andes, não dará outra: a presidente Cristina Kirchner sairá das urnas nas eleições presidenciais da Argerntina, este domingo, 23 de outubro, com a sua reeleição garantida para novo mandato na Casa Rosada. Mais que isso, deverá colher uma das mais consagradoras e retumbantes vitórias eleitorais da história de seu país.

Tanto os números das eleições primárias obrigatórias no país vizinho (realizadas em todas as províncias), quanto os resultados mais recentes das pesquisas da totalidade dos institutos (inclusive as encomendadas pelos adversários), apontam para um mesmo desfecho: uma vitória arrasadora da candidata do Partido Justicialista, algo impensável há menos de dois anos. Cristina nem precisará renovar o guarda-roupa elegante do luto fechado que exibe desde a morte brusca e inesperada do marido e ex-presidente Nestor Kirchner, para superar desgastes de um segundo turno de campanha eleitoral.

A inexistência da segunda volta também era inimaginável há pouco tempo para parte maciça dos analistas políticos na imprensa, partidos ou dirigentes (incluindo alguns peronistas desgarrados) e marqueteiros de outros candidatos, que vivem a falar mal do figurino da presidente.

Pura perda de tempo e de foco nos temas políticos e na visão estratégica em debate, algo que talvez pudesse mudar o rumo das coisas. Simplesmente porque segundo turno dificilmente haverá desta vez no grande país “del Sur”. Salvo – repito – se a exemplo dos versos da famosa canção brasileira, “talvez, quem sabe”, o inesperado com dimensões andinas fizer uma surpresa nas urnas.

Mesmo no país do tango e das paixões políticas e humanas mais dramáticas e avassaladoras, este é um fenômeno raro. Desde que efetivados os resultados previstos nas pesquisas, ainda na madrugada de domingo para a segunda-feira, mais que sossegada, Cristina dormirá feliz. Há quem diga até que ela colherá uma vitória eleitoral sem precedentes na história da democracia na Argentina. Fenômeno assim de fazer inveja mesmo quando comparado aos melhores desempenhos no passado de Juan Domingos Perón, o criador do justicialismo, quase divindade popular de prestígio considerado até agora insuperável em seu país.

As pesquisas dos principais institutos, com pequenas diferenças entre si, antecipam para a “mandatária argentina” um triunfo devastador frente aos seis rivais que disputam com ela as presidenciais de amanhã. Cristina Fernandez de Kirchner, que saiu das prévias com mais de 51% dos votos válidos, já conta nesta semana de reta final da campanha, com 55% das intenções de voto.

O adversário que a segue mais de perto na corrida, é o social democrata Hermes Binner. Para este, as sondagens dão apenas 16% no melhor dos cenários para as oposições. Ainda assim, Binner virou a grande surpresa da campanha.

Na verdade, que a reeleição da presidente para um novo mandato de quatro anos seja vista como um fato consumado pela maioria dos analistas não é motivo de surpresa para quase mais ninguém na Argentina – ou no resto do continente agora. O que surpreende, e muito, é a aparição de Binner como segundo colocado na corrida presidencial.

Exatamente ele, o social-democrata que durante a sua campanha não polemizou em nenhum momento com Cristina e o oficialismo peronista. Ao contrário, rechaçou unir-se à oposição no enfrentamento à candidata governista. E apresentou seus motivos: “Isso só se justificaria se estivéssemos frente a um governo ditatorial, mas não é o que ocorre no país. Estamos de acordo com várias coisas realizadas pelo governo e em desacordo com muitas outras”, resumiu o surpreendente Binner. Os demais concorrentes praticamente jogaram a toalha antes mesmo de começar a votação deste domingo.

Cristina escolheu “as Malvinas Argentinas”, como ela não cansa de acentuar, para encerrar sua campanha com a inauguração de uma fábrica na área em disputa histórica com o Reino Unido: “Temos desenhado, projetado e construído entre todos os argentinos um modelo com variáveis que permitiram nos mantermos em pé nos momentos em que o mundo é uma tremedeira”, discursou quinta-feira Cristina Fernández de Kirchner no ato que o jornal Página 12 registra como sua última aparição pública antes da votação deste domingo.

Estive em Buenos Aires pela última vez em março deste ano, quando se iniciavam as prévias nas províncias argentinas e a “onda Cristina” começava a desenhar-se um fenômeno visível e crescente, como descrevi em mais de um texto publicado neste espaço ao retornar.

Na abertura do primeiro desses artigos, em 14 de março, disse: “Caminhar por Buenos Aires, como fiz estes últimos dias, é respirar política, cultura e polêmica o tempo inteiro. Sempre a vi assim e segue sendo assim nesta luminosa e enigmática cidade da América do Sul a que retorno periodicamente. Enfeitiçado desde que, oriundo das barrancas baianas do Rio São Francisco, pisei nas margens do Rio da Prata pela primeira vez, há mais de 30 anos.”

Mantenho tudo que disse então e agora. E, enquanto aguardo na Bahia os resultados das urnas deste domingo na Argentina, sonho com a próxima viagem.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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Ella no album “Smooth Jazz Cafe” (vol. 3). Uma interpretação irresistível em qualquer estação e com qualquer tempo. Confira.

(VHS)

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