DEU NO IG

O PM João Dias, pivô do escândalo no Ministério do Esporte, disse em seu depoimento à Polícia Federal, ao qual o iG teve acesso, que possui duas gravações que comprovariam o esquema de desvios de recursos do Segundo Tempo.

Segundo ele, numa das conversas, de abril de 2008, há a presença do então secretário-executivo da pasta, Wadson Ribeiro, e de dois ex-secretários nacionais de esporte educacional, Fábio Hansen e Julio Filgueiras. No outro áudio haveria implicações ao ex-jogador de futebol Toni Matos, que é dirigente de uma ONG que também recebeu dinheiro do Segundo Tempo. Ele prometeu entregar as fitas à Polícia na segunda-feira.

No depoimento o soldado diz que, na conversa com a cúpula do ministério, exigiu dos presentes a regularização dos débitos de sua ONG, sob ameaça de tornar público o esquema de desvio de recursos.

No caso da gravação com Toni Matos, o PM alega que recebeu a solidariedade do ongueiro, que também faria parte do esquema. Matos teria dito que não é justo João ser o único imputado no caso dos desvios do Segundo Tempo. Na conversa, o soldado ainda diz que o ministro Orlando Silva estaria tentando sujar seu nome e que ele havia se recusado a fazer “parte da máfia”.

No depoimento o policial também voltou a dizer que o servidor da liderança do PC do B na Câmara, Fredo Ebling, era responsável pela coleta dos recursos desviados, que depois seriam supostamente entregues ao ministro Orlando Silva para enriquecimento dos integrantes do esquema e do partido

out
21

DEU NO ESTADÃO ( ONLINE)

Documentos obtidos pelo Estado mostram que Anna Cristina Lemos Petta, mulher do ministro do Esporte, Orlando Silva, recebeu dinheiro da União por meio de uma ONG comandada por filiados ao PC do B, partido do marido e ministro. A informação sobre negócios da União com a empresa de familiar de Orlando Silva teria preocupado a presidente Dilma Rousseff, que vai se reunir com o ministro. Ele poderá deixar o Palácio do Planalto na condição de ex-ministro do Esporte.

É a própria Anna Petta quem assina o contrato entre a Hermana e a ONG Via BR, que recebeu R$ 278,9 mil em novembro do ano passado. A Hermana é uma empresa de produção cultural criada pela mulher do ministro e sua irmã, Helena. Prestou serviços de assistente de pesquisa para documentário sobre a Comissão da Anistia.

A empresa foi criada menos de 7 meses antes da assinatura do contrato com a entidade. Pelo trabalho, recebeu R$ 43,5 mil.

A ONG Via Brasil tem em seus quadros Adecir Mendes Fonseca e Delman Barreto da Silva, ambos filiados ao PC do B. A entidade também foi contratada em maio do ano passado pelo Ministério do Esporte, para promover a participação social na 3ª Conferência Nacional do Esporte. No negócio, recebeu mais R$ 272 mil.

Documentos obtidos pelo Estado mostram o curto espaço de tempo transcorrido entre a criação da empresa de Anna Peta e a celebração de convênio da ONG Via BR com o Ministério da Justiça. A Hermana foi criada apenas três meses antes da assinatura do convênio para a produção de documentário sobre a Comissão da Anistia e no mesmo mês em que a Via BR foi contratada pelo Ministério do Esporte.

out
21
Posted on 21-10-2011
Filed Under (Artigos, Claudio) by vitor on 21-10-2011


Prefeito João Henrique à cavalo no carnaval de Salvador

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DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

Nos últimos anos, Terra Magazine vem realizando um longo debate sobre a democratização do Carnaval de Salvador, com as opiniões de artistas e intelectuais.

Em carta, o secretário de comunicação da Prefeitura de Salvador, Diogo Tavares, contestou uma das questões feitas em entrevista com o prefeito João Henrique Carneiro (PP), sobre o descontentamento de “blocos populares” com a estrutura empresarial da folia. Tavares criticou o termo “genérico”.

Cerca de 130 entidades carnavalescas e blocos populares (com adesão crescente) questionam, em debates no Legislativo e em ação judicial, a estrutura do Carnaval de Salvador. Em 2011, elas entraram com um processo, no Tribunal de Justiça da Bahia, pedindo 30% do faturamento dos camarotes e arquibancadas. A Câmara Municipal realizou uma audiência pública.

A Prefeitura de Salvador afirma que a aferição da popularidade de João Henrique, realizada em 2010, é “antiga”. Consultado por Terra Magazine, o instituto de pesquisas Datafolha, um dos mais conceituados do País, afirma que o “ranking de prefeitos” é realizado, anualmente, no mês de dezembro. Como as eleições municipais ocorrem em 2012, uma nova sondagem deve ser repetida este ano nas dez principais capitais brasileiras, inclusive Salvador, para avaliar o desempenho dos gestores.

Em 23 de dezembro de 2010, o jornal Folha de S.Paulo divulgou o resultado da Datafolha, apontando o prefeito soteropolitano como o segundo pior do País: “João Henrique Carneiro (PMDB), de Salvador, recebeu nota 4,5 dos moradores da cidade. Ele é aprovado por apenas 18% e tem taxa de reprovação de 50%”.

Terra Magazine ouve opiniões plurais sobre o Carnaval de Salvador, como comprova o painel abaixo, com alguns dos críticos e defensores do modelo da festa:

“Você tem um modelo que precisa ser revisto urgentemente, precisa ser democratizado. Você tem coisas ali… A questão dos horários (dos blocos e trios) precisa ser democratizado, não pode ser da maneira que é, hoje. Mas aí o nosso nível de intervenção é muito limitado” (Albino Rubim, secretário estadual da Cultura, 20 de junho de 2011)

(http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5192153-EI6581,00-Carnaval+de+Salvador+precisa+ser+democratizado+diz+Rubim.html)

“Isso (violência) só vai se acabar quando tiver bloco de graça pro povo, quando a polícia for menos violenta no carnaval e a gente tiver um sistema de reeducação durante o ano todo, que já se comece agora um sistema de educação governamental para que as pessoas percam a coisa de ir pra rua brigar, bater, que é cultural. Eu lhe digo porque, quando era pequeno, era guri, ia pra rua também fazer isso (…) Isso sempre foi assim. Não sei se vai acabar, não” (Márcio Victor, compositor, da banda de pagode Psirico, 11 de março de 2011)

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4983812-EI6581,00-Marcio+Victor+Quem+vai+preso+e+preto+pobre+e+fodido.html

“E quando alguém diz assim: ‘ah, mas está ficando muito elitizado!’ Elitizado, como? Qual é a prova que você me dá de que hoje o Carnaval da Bahia é mais elitizado do que ele foi em qualquer momento do passado? Não vejo (…) E você vem sempre alegar: ‘mas tem os desvios…’ Sempre tem. Não estou falando de sociedade de situações ideais, onde tudo está perfeito. Tô falando de processos onde as dificuldades também caminham juntas. Se você vai pra questão da renda, setores enormes de baixa renda foram incluídos, vem pra festa, estão nas ruas, cantam, defendem, escolhem aquela música do Psirico, aquela outra do (Carlinhos) Brown… O que há vinte ou trinta anos atrás era mais democrático? Como era mais democrático? Primeiro, se o próprio acesso ao conjunto e à produção carnavalesca, aos vários produtos criados pelo Carnaval, era um acesso muito menor?” (Gilberto Gil, compositor, 2 de março de 2009)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3605440-EI6581,00-Gil+O+mundo+me+tirou+a+regua+e+o+compasso.html)

“O Conselho Municipal do Carnaval – COMCAR foi criado em 1990, no âmbito da Lei Orgânica do Município, com o objetivo de “definir critérios e regras de apresentação, seleção e composição dos participantes do Carnaval” e de “fiscalizar” a gestão da festa. Duas décadas depois de criado, o COMCAR continua devendo, e muito, à comunidade carnavalesca, à cidade do Salvador (…) Com tal composição, e ainda por cima sem poderes para impor decisões que impliquem despesas já que depende,sempre, da vontade da Prefeitura em acatar ou não suas deliberações, tornou-se, assim, ao longo destas duas décadas, refém da administração municipal. Pior ainda, tornou-se refém do mercado da festa. (…) Daí que nem delibere nem fiscalize, ou melhor, que só delibere e fiscalize em favor dos interesses dos grandes grupos empresariais que, controlando o Conselho, controlam os milionários negócios do carnaval.” (Paulo Miguez, ex-secretário nacional de Políticas Culturais do Ministério da Cultura na gestão de Gilberto Gil, 12 de maio de 2011)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5124308-EI17867,00-Carnaval+urgente.html )

“(…) nós não vamos intervir, a festa é espontânea, a festa acontece por si só. Ela aconteceria sozinha, sem o poder público. Agora, na medida que o poder público pode ofertar um transporte coletivo melhor, segurança pública melhor, iluminação pública melhor, ordenamento de ambulantes melhor, saúde pública melhor, claro que isso vai vender melhor a imagem da cidade, pra que no próximo ano a gente possa atrair mais pessoas, aumentar a geração de empregos, aumentar a renda da cidade… Mas que a festa é espontânea, é. Que ela tem as suas características próprias, tem. Seria inimaginável nós fazermos uma intervenção mudando o modelo do carnaval.” (João Henrique Carneiro (PP), prefeito de Salvador, em 20 de outubro de 2011)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5423975-EI6578,00-Prefeito+diz+que+e+inimaginavel+mudar+carnaval+de+Salvador.html )

“Na contracorrente, uma pesquisa da Secretaria de Cultura (Secult) e da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI/Seplan) ajuda a medir o grau de envolvimento dos soteropolitanos e a esvaziar os clichês midiáticos sobre a festividade dos baianos. (…) Realizada em maio, junho e julho de 2009, a sondagem coletou informações da folia daquele ano, com entrevistados de 14 anos ou mais. Foram aplicados 6.677 questionários. De início, identifica-se um baixo de grau de envolvimento: 77% dos soteropolitanos (1,93 milhão) não comparecem a nenhum dos seis dias do evento; desses resistentes, 62,7% ficaram em casa e 14,3% viajaram. Isso não significa que tenham se livrado totalmente do impacto do Carnaval – seja pela montagem (e transtornos) da estrutura, seja pelas transmissões das TVs (7,3% assistem à cobertura)” (“Pesquisa: 77% dos moradores de Salvador fogem do carnaval”, Terra Magazine, 9 de março de 2011)

( http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4979467-EI6581,00-Pesquisa+dos+moradores+de+Salvador+fogem+do+carnaval.html )

“Em 2007, nós fizemos uma pesquisa em todos os meios de hospedagem de Salvador e constatamos alguma coisa como 350 mil turistas, sendo que 115 mil ficavam em meios de hospedagem formais (hotéis, pousadas). Isso representa mais ou menos 30% do total de turistas. Essa relação deve permanecer mais ou menos a mesma: apenas 30% dos turistas que vêm pra Salvador ficam em hotéis. Esse número aumentou bastante. Na última pesquisa que fizemos, constatou-se 490 mil turistas.” ( Domingos Leonelli, secretário de Turismo da Bahia), em entrevista a Terra Magazine, 3 de março de 2011)
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Leia mais sobre o assunto na Terra Magazine

http://terramagazine.terra.com.br

out
21
Posted on 21-10-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 21-10-2011

DEU NA REVISTA DIGITAL TERRA MAGAZINE

Claudio Leal

O secretário de comunicação da Prefeitura de Salvador, Diogo Tavares, escreveu uma carta em que contesta a abordagem de Terra Magazine sobre o Carnaval baiano, na reportagem “Prefeito diz que é ‘inimaginável’ mudar carnaval de Salvador”, na qual João Henrique Carneiro (PP) expôs sua visão da festa:

“Com a assinatura de Bob Fernandes na página e a autoria da matéria de Cláudio Leal, profissionais reconhecidos, a matéria acima citada mereceria mais objetividade e imparcialidade. Pelo menos um deles deveria conhecer na origem e na realidade o caráter espontâneo do Carnaval de Salvador. Utilizar dados antigos de pesquisa de popularidade e citar problemas pessoais, além de falar sobre insatisfações de “blocos populares” de modo genérico, conferem à matéria um caráter panfletário que em nada contribui para a boa informação do leitor. Uma matéria deste nível não vai contra o prefeito ou a Prefeitura, mas contra o Carnaval de Salvador e o direito à informação isenta”.

(Diogo Tavares, secretário de Comunicação da Prefeitura de Salvador)

DEU NO CORREIO

Luciana Rebouças | Redação

Depois de fazer campanha para receber a abertura da Copa do Mundo, de dar como certa a participação de Salvador na Copa das Confederações e de alimentar a expectativa da cidade vir a figurar como um dos principais destinos turísticos durante esses eventos, o trade turístico baiano recebeu a tabela da Fifa como um balde de água fria. Os adjetivos mais usados foram decepcionante, frustrante, injusto. Tudo para demonstrar o descontentamento do setor em não ser uma das cidades-sede em evidência, como o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Fortaleza.

No caso da capital cearense, o inconformismo é ainda maior. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (Abih-BA), José Manuel Garrido, diz que Fortaleza tem as mesmas carências que Salvador e argumenta: “A nossa Arena não fica a dever; na mobilidade urbana, as duas cidades estão correndo atrás; a nossa estrutura hoteleira é melhor. Esta foi uma decisão política ou técnica”, critica Garrido.

Outro ponto que o dirigente chama a atenção é sobre o potencial turístico da Bahia. Para ele, nosso desenvolvimento econômico e cultural não se compara às outras capitais nordestinas. “É lamentável. Temos que indagar à Fifa o que aconteceu”, acredita.

Com relação ao potencial, os dados confirmam a Bahia como destino carimbado no imaginário dos visitantes. No último ano, recebeu 9 milhões de turistas, ultrapassando o número de visitantes dos estados do Ceará e Pernambuco juntos.

Na coluna Em Tempo, assinada pelo jornalista Alex Ferraz, a Tribuna da Bahia publica esta quinta-feira em sua edição impressa:

Vivemos o tempo de festejar execuções

Parte do mundo civilizado de verdade ficou chocada com a imagem de Saddam Hussein pendurado numa forca, executado após ser “julgado” por um “tribunal” regido pela batuta de George (argh!) W. Bush. Mas uma grande maioria festejou e soltou foguetes, principalmente nos Estados Unidos. A mesma festança, com ares de Carnaval, aconteceu quando Obama, provando que negros podem agir como brancos quando se trata de impor o poder dos EUA ao mundo, invadiu o Paquistão e assassinou Osama Bin Laden. Mais recentemente, Obama festejou o assassinato de mais um líder da Al Qaeda.

Desde ontem, imprensa e governantes ocidentais, assim como o mundo árabe, exulta nas ruas com a execução de Muhamar Khadafi. Salvo se ele morreu em combate – mas nada indica isso –, o ex-ditador da Líbia teria sido executado pelos rebeldes, que poderiam tê-lo feito prisioneiro. Assim como em relação aos outros personagens sanguinários citados no parágrafo anterior, o civilizado seria aprisioná-los e julgá-los em tribunais internacionais verdadeiros, para, depois, condená-los, não necessariamente à morte.

Mas em pleno século XXI, em plena década na qual se festejou a ascensão de um negro à Casa Branca, posto máximo de comando de uma das nações mais racistas do mundo; em pleno início de milênio no qual tantas liberdades são conquistadas mediante a derrubada de tabus, enfim, numa época em que alguns ingênuos otimistas acham que todos estão pensando melhor, mais conscientes, ecológicos e coisas que tais, a verdade cruel é que a grande massa ainda tem que ser satisfeita com sangue. Seja através do policial que fuzila o ladrão de galinhas já algemado, seja pelas mãos de Obama e sua Otan invadindo países e matando governantes depostos que, ainda que pessoas terríveis, deveriam, sim, repito, como reza o melhor do sistema jurídico americano (para eles!) serem presos, julgados e, certamente, condenados.

Leia coluna Em Temperraz na íntegra na Tribuna da Bahia

http://www.tribunadabahia.com.br/

out
21
Posted on 21-10-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 21-10-2011


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Aroeira, hoje no O Dia (RJ)

Do You Tube:Enviado por matheusvds em 09/06/2007

Uma breve interpretação através de imagens.
Iniciado pelo “Soneto de despedida” durando 1 minuto e 26 segundos. Em seguida, “Soneto de separação” durando 3 minutos e 25 segundos.
Na voz de Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Edição e emprego de imagens: Matheus.
Fonte de imagens: deviantART.com
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BOA NOITE!!!

(VHS)


Gaddaffi morto/Imagem AFP
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OPINIÃO POLÍTICA

A mudança na Líbia

Ivan de Carvalho

O líder Líbio Muammar Gaddafi, ferido e aprisionado pelos rebeldes, morreu, segundo confirmação do primeiro-ministro do governo de fato (reconhecido por muitas dezenas de países) da Líbia. O noticiário, no começo da noite de ontem, dizia que ele foi posto ainda vivo em um veículo que o levaria a um hospital. Ele teria se entregado sem resistência, mas seguidores seus e os inimigos que fazem a revolução iniciaram um tiroteio imediatamente.

Talvez em algum dia distante, talvez muito em breve fique claro se o mataram após o ferirem e prenderem, se o deixaram morrer como polícias brasileiras o fazem com muitas pessoas feridas em longos passeios a caminho de um hospital – passeios a que não conseguem resistir, no jargão policial-jornalístico – ou se realmente tentaram evitar que os ferimentos provocassem sua morte e fracassaram. A versão de que, ferido na cabeça, não resistiu e morreu a caminho do hospital era até ontem a oficial.

Mas vamos combinar. A maldade humana, especialmente quando há situações de guerra ou revolução – e as duas estavam presentes na Líbia – costuma predominar sobre outros sentimentos e produzir comportamentos correspondentes. Acrescentem-se a isto razões políticas. Não interessava ao movimento rebelde manter vivo Muammar Gaddafi, o “líder amado” do povo líbio durante décadas, embora não ocupasse oficialmente qualquer cargo no seu país.

Os americanos, quando alcançaram e mataram Osama bin Laden, apressaram-se em anunciar que o sepultaram, respeitando os ritos islâmicos, em algum lugar do Mar da Arábia – sua pátria de origem era a Arábia Saudita. Para isso deram uma explicação lógica: não queriam que houvesse um túmulo de Osama bin Laden que viesse a se tornar um ponto de peregrinação de seguidores e admiradores.

Não se pretende, pelo que ontem se anunciou, entregar o corpo de Muammar Gaddafi aos cuidados de Netuno. A idéia é menos radical, pretendem sepultá-lo em um local secreto. Não é exatamente a mesma coisa. Isso permitirá aos mais entusiastas admiradores do líder de uma das mais longevas ditaduras contemporâneas (algumas das quais caíram, estão caindo ou se enfileiram para cair em não muito tempo) organizarem expedições de busca e essas coisas. Talvez o “local secreto” do túmulo nunca venha a ser conhecido, talvez seja descoberto, até sem muita demora.

A grande questão, no entanto, não é o destino do corpo sem vida de Gaddafi, mas como vão se entender e conviver as diversas tendências e forças envolvidas na extinção de seu regime. Há um discurso mais ou menos generalizado de que a Líbia caminha para a liberdade e a democracia e este pode ser, realmente, o propósito da maioria dos jovens que foram às ruas protestar contra o regime e, ante a reação violenta do “líder”, transformaram-se em rebeldes armados, aos quais logo se juntaram outros, mais armados e não tão jovens e desorganizados.

O tempo – pouco tempo – deverá ser suficiente para dividir os rebeldes vitoriosos em tendências, facções em luta política e muito provavelmente armada pelo poder. Se este cenário, principalmente em suas características mais fortes de facções armadas em disputa, se concretizar, a Líbia não rumará para a liberdade e a democracia, duas coisas nas quais não tem nenhuma tradição. Um regime ditatorial pode substituir outro, como já aconteceu em países como o Irã (muçulmano não-árabe) e pode acontecer em alguns países que estão envolvidos com a chamada Primavera Árabe.

Rezar para que não aconteça é uma coisa que se pode fazer. De outras coisas, duvido muito.

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