Matraga: o grande vencedor no Rio
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DEU NO JORNAL DO BRASIL (ONLINE)

Baseado na obra de Guimarães Rosa, A Hora e a Vez de Augusto Matraga foi o grande vencedor da noite de premiações do Festival do Rio. O filme do diretor Vinícius Coimbra levou quatro estatuetas, para melhor longa-metragem de ficção, melhor longa-metragem de ficção (voto popular), melhor ator (João Miguel), melhor ator coadjuvante (José Wilker), além de um prêmio especial de júri para Chico Anysio.

Camila Pitanga levou o Redentor de melhor atriz por sua atuação em Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Líndos Lábios. O prêmio de melhor direção ficou com Karim Ainouz, por O Abismo Prateado. Durante a festa, os apresentadores Thiago Lacerda e Vanessa Lóes tiveram que improvisar após um problema no programa de computador que deixou de projetar as imagens com trechos dos filmes e os nomes dos indicados. Os problemas técnicos continuaram persistindo até que Thiago e Vanessa decidiram seguir sem os vídeos.

O longa levou quatro categorias, incluindo melhor ator, pela atuação de João MiguelO longa levou quatro categorias, incluindo melhor ator, pela atuação de João Miguel

A fala da diretora do festival, Walquíria Barbosa, que subiu ao palco para entregar o prêmio Novos Rumos, também foi interrompida por uma música alta. Ela exclamou: “espera aí, isso não é o Oscar. Ainda não”.

A premiação do Festival do Rio estava tão distante da cerimônia do Oscar quanto o cinema brasileiro está do cinema americano. No entanto, a festa não deixou de ter em abundância o principal ingrediente do cinema nacional: coração.

Aos 84 anos, Carlos Manga deu o primeiro sinal disso. Ele foi homenageado com uma estátua sua, com uma placa: “com 84 anos eu ainda chego aqui e me vejo bonito em uma época em que tantos diretores ainda precisam vencer. Mas vou dar um conselho. Continuem tentando. Não há coisa mais linda no mundo do que pegar um filme, que é uma criança, e fazê-lo sorrir, fazê-lo chorar e fazê-lo ser aplaudido”, disse. Manga foi aplaudido de pé.

Logo depois, foi a vez de outro senhor do cinema encantar a plateia. Eduardo Coutinho, 78 anos, subiu ao palco para receber o prêmio melhor longa-metragem documentário eleito pelo júri popular por As canções. Coutinho brincou com a estatueta, posou para fotos e disse: “nunca havia recebido um prêmio de voto popular. O interessante é que não penso no público, eu penso em mim. Então é o melhor prêmio que tem no mundo”.

Então veio o prêmio de melhor longa-metragem documentário eleito pelo júri oficial. Coutinho, 78 anos, repetiu a dose. Subiu ao palco, brincou com a estatueta, posou para fotos e disse: É ótimo, juro. Curioso, esse filme é uma homenagem à cantarola, uma celebração da música no Brasil sem nenhuma espécie de preconceito”. O ator Ney Latorraca lembrou um outro aspecto do cinema brasileiro, a politização. Ao entregar o prêmio de melhor fotografia, o ator convocou os envolvidos com a sétima arte nacional a se manifestarem contra a corrupção. “A gente pode acreditar que pode ir contra a corrupção. Temos que participar de passeatas. Caminhando não só no tapete vermelho, mas também contra as coisas erradas que acontecem neste pais”, disse.

Ao receber o prêmio de melhor atriz, Camila Pitanga chorou e homenageou seu pai. “Estou muito emocionada, aqui é a minha cidade, minha casa, meu nascedouro. Agradeço muito ao júri. Me sinto parte da família do cinema muito antes de ter nascido porque sou filha de Antônio Pitanga. Então agradeço a você, pai, por ter me feito ingressar nessa família linda”.

O humor ficou por conta da irreverência de Chico Anysio. Sentado em uma cadeira de rodas na plateia, ele fez piada dos problemas técnicos da cerimonia. “Estão me ouvindo?” perguntou batendo no microfone. Com a resposta afirmativa da plateia, Chico retrucou: “pior para vocês”. Sem subir ao palco, ele recebeu o Prêmio Especial de Júri por sua participação no filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga. “Eu recebo como um incentivo. Eu fiz todos os filmes para os quais me convidaram, quatro. Achavam que eu não aceitaria, que eu ia cobrar muito caro…e eu ia mesmo. E ainda cobro. Coadjuvante é um incentivo porque é assim que a gente começa”, brincou.
Chico Anysio manteve o bom humor durante premiaçãoChico Anysio manteve o bom humor durante premiação

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Confira os vencedores:

Melhor Longa-metragem de ficção A Hora e a Vez de Augusto Matraga (de Vinícius Coimbra)

Prêmio Especial de Júri Sudoeste, de Eduardo Nunes

Menção Honrosa Mãe e Filha, de Petrus Cariry

Melhor Longa-metragem documentário As Canções, de Eduardo Coutinho

Prêmio Especial do Júri Olhe para mim de novo, de Kiko Goifman e Cláudia Priscila

Melhor curta-metragem Qual queijo você quer?, de Cíntia Domit Bittar

Menção Honrosa Tempo de Criança, de Wagner Novais

Melhor direção Karim Anouz, por O Abismo Prateado

Melhor ator João Miguel, por a Hora e a Vez de Augusto Matraga

Melhor atriz Camila Pitanga, por Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios

Melhor atriz coadjuvante Maria Luisa Mendonça, por Amanhã Nunca Mais

Melhor ator coadjuvante José Wilker, por A Hora e a Vez de Augusto Matraga

Prêmio Especial de Júri Chico Anysio, por A Hora e a Vez de Augusto Matraga

Melhor Roteiro Odilon Rocha, por A Novela das Oito

Melhor montagem Jordana Berg, por Marcelo Yuka no Caminho das Setas

Melhor fotografia Mauro Pinheiro Jr., por Sudoeste, e Petrus Cariry, por Mãe e Filha

Voto popular

Melhor longa-metragem de ficção A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Vinícius Coimbra

Melhor Longa-metragem documentário As Canções, de Eduardo Coutinho

Melhor curta-metragem Passageiro, de Bruno Melo

Melhor filme da mostra novos rumos Rânia, de Roberta Marques

Fipresci – Melhor Filme Latino-Americano Sudoeste, de Eduardo Nunes

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