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Postado em 17-10-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 17-10-2011 09:39


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OPINIÃO POLÍTICA

Segura, não deixa cair

Ivan de Carvalho

Segura aí, gente, escora, não deixa o ministro Orlando Silva cair não. Sei que, pelo que se tem dito e escrito e pelo que ainda se promete jogar no ventilador, está difícil evitar a queda, mas não é justo que um governo que mal começou o seu quarto trimestre – e tem a duração total de quatro anos, sem contar a hipótese de reeleição – já haja demitido um número tão grande quanto mal determinado de ministros e secretários com status ministerial.

Isso, em sistemas de governo presidenciais, acaba se consolidando como uma aberração na política mundial e não queremos esse vexame para o nosso país.

Não posso incluir na conta a queda espetacular, em conseqüência de mal feitos que vieram à luz, da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, porque embora indicada para o cargo pela atual presidente Dilma Rousseff, foi nomeada pelo então ainda presidente Lula e por ele mesmo demitida pouco depois, quando evidente que não dava mesmo para segurar nem mesmo até o fim do governo, que já estava para terminar. Caso em que não seria preciso demitir, apenas não nomear outra vez, numa dispensa maneira.

Mas, sob Rousseff, caiu o seu ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, do PT, ex-ministro da Fazenda, porque verificou-se que, dando consultorias, multiplicou o patrimônio miraculosamente em curtíssimo período, durante o qual exercia o mandato de deputado federal.

Caiu também o ministro dos Transportes e presidente nacio
nal do PR, Alfredo Nascimento, porque descobriu-se uma atividade incomum de roedores nas instalações do ministério.

Seguiu-se Wagner Rossi, do PMDB, porque mesmo nomeado para cuidar da Agricultura trocou a terra pelos céus e o arado pelos aviões alheios, dentre outros desvios de função perpetrados no ministério.

E também do PMDB caiu do cargo Pedro Novaes, ministro do Turismo, este sim, autorizado pela própria natureza da função a passear, inclusive de jatinhos, desde que não de propriedade de pessoas ou empresas privadas, especialmente se tivessem interesses no ministério. Mas ele preferiu pagar governanta e festas em motel com dinheiro público, o que não se enquadra bem em atividade turística.

Finalmente caiu, por enfado recíproco, o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ele gostava de ser ouvido, de ser paparicado e de aparecer e o governo não gostava de ouvi-lo, paparicá-lo ou mostrá-lo. Entrou em seu lugar Celso Amorim, uma espécie de contrafação de ministro da Defesa.

Encerrando a vasta lista dos casos consumados, o então ministro de Relações Institucionais, Luís Sérgio, foi carinhosamente demitido por incompetência e colocado na secretaria nacional da Pesca (que até então o governo fizera constar que era importante para o país), enquanto Ideli Salvatti, ex-líder do PT no Senado, foi para as Relações Institucionais porque, como comentou a presidente Dilma reservadamente, “ela vestiu a camisa” na liderança. Mas, onde Ideli está, de nada adianta o aprendizado na Pesca, que a terá ensinado a segurar a vara, pegar no anzol e ajeitar a minhoca.

Agora, está para cair o baiano Orlando Silva, xará do “cantor das multidões”. Do PC do B e já atanazado há tempo com algumas investigações em sua área, emaranhada com algumas das tais ONGs da Corrupção. Agora, um denunciante-bomba, João Dias, botou a boca no mundo, melhor dizendo, na revista Veja. Fez mal feitos e sentiu-se abandonado pelos que “deviam” protegê-lo, então partiu para o ataque. Alvejou pessoalmente o ministro. E criou um blog, cujo nome já diz tudo: “Rota de Colisão”. Ontem cedo, escreveu lá: “Não sei porque tanta gente aflita, desesperada, ‘as coisas’ nem começaram ainda!!!”. Os alvos podem escolher entre ameaça e ultimato.

Salve o ministro Orlando Silva, minha gente. Até porque já falam que o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, do PDT, pode cair de tão fraquinho, esvaziado. Todo mês ele emerge para dizer quantos empregos novos com carteira assinada foram criados. Perguntaram quantos foram extintos. Ele não soube dizer.
Assim acaba submergindo.

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