Leon Cakoff:marca do cinema em São Paulo
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DEU NO IG

Morreu nesta sexta-feira, aos 63, o crítico Leon Cakoff, fundador da Mostra de Cinema
a de São Paulo. Ele sofria de um melanoma, um tipo agressivo de câncer de pele que atingiu o cérebro, e estava internado no Hospital São José.

O melanoma que Cakoff combateu em 2002 retornou em 2010, mas tinha migrado para o lobo direito do cérebro. A lesão foi descoberta e operada em dezembro. Apesar da quimioterapia, não foi possível evitar as metástases, que também atingiram pulmões e fígado. Ele vinha sendo atendido pela equipe do oncologista Rafael Schmerling.

Seu corpo será velado no Museu da Imagem e do Som (MIS), das 17h desta sexta até as 12h do sábado. Depois, será levado ao Memorial Parque Paulista, em Embu das Artes, onde será cremado.

Nascido Leon Chadarevian em 12 de junho de 1948 em Aleppo, na Síria, Cakoff emigrou para o Brasil com oito anos. Formou-se sociólogo e antropólogo na Escola de Sociologia e Política da Universidade de São Paulo, em 1972. Quando estudante, envolveu-se com política, nos primeiros anos do regime militar. Para driblar a repressão, ele assumiu o pseudônimo Cakoff. A partir de 1969, foi repórter e crítico de cinema em empresas ligadas aos Diários Associados, antes de assumir a programação de cinema do Masp, em 1974, onde atuava pelo cineclubismo e contra a censura ao cinema.

A primeira edição do festival teve apenas 16 longas e sete curtas. O evento foi crescendo ano a ano e, no ano passado, exibiu mais de 400 títulos. Em seus mais de 30 anos de história, a Mostra foi responsável por revelar ao público brasileiro cineastas como Manoel de Oliveira, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar, Amos Gittai e Abbas Kiarostami.

Desde a primeira edição, o crítico manteve uma posição de combate à censura imposta pelo regime militar: trouxe filmes inéditos da China, de Cuba, da então União Soviética, da França e de outros países distantes. Os rolos chegavam por meios heterodoxos, como malas diplomáticas de embaixadas e consulados. “A história da Mostra Internacional de São Paulo é o relato de uma batalha constante contra a censura, as leis arbitrárias, o descaso pela cultura. É, finalmente, uma luta pela criação e preservação de uma memória coletiva”, chegou a comentar o cineasta Walter Salles, de “Central do Brasil” e “Diários de Motocicleta”.

Cakoff também dirigiu dois curtas em parceria com Renata de Almeida, “Volte Sempre Abbas” (1999) e “Natureza-Morta” (2004), e assinou um terceiro sozinho, “Esperando Abbas” (2004). Além disso, produziu outros dois filmes: “Bem-Vindo a São Paulo”, reunião de curtas sobre a cidade dirigidos por 12 cineastas, e “O Mundo Invisível”, filme inédito que reúne curtas de Manoel de Oliveira, Wim Wenders e Atom Egoyan, que terá exibição na 35ª Mostra.

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