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OPINIÃO POLÍTICA

Os caminhos do PP

Ivan de Carvalho

Uma das questões fundamentais para as eleições de prefeito de Salvador, no ano que vem, é a posição que o PP adotará. O partido tem em seus quadros tanto o prefeito João Henrique, que estará perto de completar oito anos consecutivos no cargo, como o deputado João Leão, seu chefe da Casa Civil e possível candidato do prefeito – e, portanto, do PP – à prefeitura.

O PP integra a base de sustentação do governador petista Jaques Wagner e não é a única dúvida quanto à unidade desta base nas eleições para a prefeitura da capital. Além disso, cumpre inserir o PP no quadro mais geral da base.

Assinala-se que haverá, custe o que custar, um candidato do PT, partido que não vai abrir mão para ninguém e que, quase tudo indica, deverá lançar o deputado federal Nelson Pelegrino, admirável exemplo de perseverança na perseguição do cargo de prefeito.

Também há, lançada formalmente por seu partido, o PC do B, a candidatura da deputada federal Alice Portugal. Essa candidatura poderá ir até o fim, mas tal perseverança não está garantida. Talvez dependa muito do desempenho da candidatura na chamada pré-campanha. Mas vale lembrar também que o PC do B vive uma espécie de inferno astral com o PT – ao qual há muitos anos presta incondicional tributo político – no âmbito federal e também no âmbito estadual, o que dificulta negociações para uma aliança.

Também se há de assinalar que o PSB não é fava contada para a unidade da base governista estadual na eleição do ano que vem em Salvador. É um partido que está crescendo muito, nacionalmente, e lançar candidatos próprios nas capitais é uma maneira de incrementar esse crescimento. O deputado Capitão Tadeu promete levar sua candidatura até a convenção e só não vai às urnas em busca da prefeitura se a convenção o excluir. A senadora socialista Lídice da Mata tem dito que não é candidata, mas pessoa da cúpula estadual do PSB acredita ser possível convencê-la a disputar. E sugere ainda que um eventual apoio do PSB à candidatura petista “depende do candidato”, isto é, de quem seja ele. Pelegrino? “É conversável”. Walter Pinheiro? “Ele está bem lá no Senado”.

E ainda existe o PDT com aquela história da candidatura do deputado Marcos Medrado, escorada na anunciada estratégia de lançar candidatos a prefeito nas capitais para ajudar o partido a crescer.

Voltando ao PP. O partido e o prefeito João Henrique têm duas alternativas para valer, segundo um político muito próximo do chefe do Executivo municipal. Lançar o deputado e secretário João Leão candidato a prefeito ou colocar João Leão como candidato a vice-prefeito “na chapa de Pelegrino”, melhor dizendo, na chapa do PT, “se o PT conseguir convencer ele”, João Henrique.

Pela conversa, parece que esse convencimento não é fácil. O interlocutor observa que o prefeito “é popular, tem uma empatia grande na periferia”, assinala que “a máquina” também é importante e que o eleitorado de Salvador e o de Lauro de Freitas (onde João Leão foi prefeito e tem forte base eleitoral) têm características semelhantes.
Finalmente, uma questão estratégica essencial. Tanto o problema quanto o objetivo principal para João Leão será (se for candidato) chegar ao segundo turno. Pois, uma vez conquistado um lugar neste, terá logicamente (só para não dizer automaticamente) o apoio dos partidos da base governista estadual, se for concorrer na segunda fase eleitoral com o candidato das oposições. Mas se o oponente de Leão for, por exemplo, o candidato do PT, Leão terá o apoio lógico (só para não dizer automático) das oposições.

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