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OPINIÃO POLÍTICA

Uma homenagem merecida

Ivan de Carvalho

A inauguração do novo prédio anexo da Assembleia Legislativa da Bahia – o Edifício Senador Jutahy Magalhães – constituiu, na tarde de ontem, a um tempo uma solenidade e uma festa de congraçamento carregada de significado político, na qual pode-se dizer que esteve representado todo o conjunto de forças políticas expressivas da Bahia, bem como figuras que ainda na atividade política em níveis diferenciados já integram, em honrosas posições, a história da Bahia, como são os casos dos ex-governadores Waldir Pires e Roberto Santos.

Mas se o novo edifício vai servir para abrigar os gabinetes da presidência e dos demais integrantes da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, bem como vários outros órgãos, o ato de inauguração e o nome dado ao prédio por proposta do presidente do Legislativo, deputado Marcelo Nilo, serviram para fazer justiça à atuação e à memória de um político cuja correção e trabalho precisavam mesmo ser ressaltados, como exemplo e estímulo aos que teimam em não abandonar seus representados, nesses tempos de tantos malfeitos e desinteresse em fazer a coisa certa.

A biografia do senador Jutahy Magalhães, de cuja amizade tive o prazer e a honra de desfrutar, não caberia em todo o espaço que me resta e o que já ocupei com o que escrevi até aqui. Mas citar seus dados biográficos não é o objetivo e sim mostrar um pouco da grandeza que, em sua simplicidade quase franciscana, marcou a vida pública do senador Jutahy.

Assim, importa assinalar que ele, quando presidente da Assembleia, recusou-se a se deixar eleger governador por seus pares e optou em ser vice-governador para honrar o compromisso de apoio assumido por seu pai, general e ex-governador Juracy Magalhães, com Luiz Viana Filho, como lembrou ontem o deputado Jutahy Magalhães Junior, para quem a de ontem foi a homenagem mais significativa prestada a seu pai desde sua morte, há 11 anos.

Importa também anotar que, mesmo sob risco de perder a eleição para senador em 1986, haja se recusado a seguir as sugestões dos marqueteiros de “bater em Lomanto”. Jutahy Magalhães se recusou. Disse que preferia perder a eleição do que atacar um homem público decente.

Não perdeu, mas aí já é outra história. Importa ainda registrar que, senador durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988, foi o único constituinte que compareceu a todas as sessões da Constituinte, sem faltar a uma sequer. E que teve várias dezenas de propostas suas incluídas na Constituição de 1988.

Mas, para o deputado Jutahy Junior, sob esse aspecto de elaboração legislativa, o mais importante é que foi de autoria de seu pai o projeto que acabou se tornando o Código de Defesa do Consumidor, naturalmente depois de trabalhado nas duas Casas do Congresso Nacional.

Fidelidade aos princípios, trabalho, amizade, respeito aos adversários, disposição ao diálogo e firmeza nos compromissos assumidos – este o receituário que Jutahy Magalhães seguiu na sua vida pública.

Além do deputado Jutahy Junior, do PSDB, falaram também na solenidade o ex-governador Waldir Pires, do PT, o governador Jaques Wagner, do PT, e o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo, do PDT. Mas o espectro político presente foi muito mais amplo, como já assinalado.

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