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Postado em 22-09-2011
Arquivado em (Artigos, Ivan) por vitor em 22-09-2011 00:31


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OPINIÃO POLÍTICA

O discurso e o problema

Ivan de Carvalho

A presidente Dilma Rousseff tornou-se, na manhã de ontem, a primeira mulher a fazer o discurso inaugural de uma Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Palmas para ela. Foi o que aconteceu da parte das pessoas presentes no amplo recinto, talvez com exceção da delegação de Israel, não porque a delegação não goste de mulher, mas porque certamente não gostou do discurso.

É que dos vários assuntos abordados na fala de Rousseff, entre os quais esteve incluída a grave crise econômica internacional, o ponto realmente quente foi o provável pedido – a ser concretizado amanhã pela Autoridade Nacional Palestina – de reconhecimento de um Estado palestino e sua admissão como membro da ONU.

O proto-estado representado pela Autoridade Nacional Palestina, fruto de acordo entre o Estado de Israel e os palestinos, até o início da noite de ontem resistia aos esforços do governo norte-americano e de outros governos para desistir de formalizar o pedido a ser feito, segundo anunciado, amanhã.

Em verdade, quando a presidente Dilma Rousseff deu o apoio do Brasil à pretensão da Autoridade Nacional Palestina (que só é considerada aceitável pelo poderoso movimento radical terrorista palestino Hamas caso a ANP “renegue” o Estado de Israel), ela botou mais alguma lenha na grande fogueira.

“Chegou o momento de ter representada a Palestina a pleno título” nas Nações Unidas, disse a presidente do Brasil, acrescentando que o reconhecimento do Estado palestino ajudará a obter “paz duradoura no Oriente Médio”. Se o objetivo não foi apenas o de agradar aos países árabes, que são 22 e mais a alguns muçulmanos não-árabes engajados no assunto, a exemplo do Irã, mas o de construir mesmo a paz na região, as palavras soam bonitas.

Mas construir a paz como, cara pálida? Não existe a menor possibilidade de o Estado de Israel aceitar a criação de um estado palestino sem que isso passe por um bem elaborado acordo negociado entre as duas partes diretamente interessadas, que resolva, antes, questões (até citadas no discurso de Rousseff, mas para serem tratadas depois da criação do Estado palestino) como a definição dos territórios que comporiam o novo estado, os assentamentos judaicos na Cisjordânia, fronteiras e outras questões que garantam a segurança de Israel e, clara e soberana, a solução para o problema de Jerusalém.

Ah, Jerusalém, que Israel tem como sua capital “eterna e indivisível”, que os palestinos pretendem seja a sua própria capital e da qual, há dois milênios, avisou Jesus, ao falar de destruição no Fim dos Tempos (não é o mesmo que fim do mundo, mas fim de um período): “Jerusalém será a pedra pesada”. Aquela pedra que não se conseguirá remover e assim bloqueará o caminho da paz.

Bem, deixando em paz a Bíblia e suas muitas advertências, espalhadas quase do começo ao fim, sobre o drama que se desenrola na Terra Santa e adjacências, voltemos a coisas mais “sábias”, como discursos presidenciais e estatutos da ONU, que para muitos são mais valiosos.

Enquanto pressionam a ANP tentando dissuadi-la de apresentar amanhã o pedido de reconhecimento e admissão de um Estado palestino, os Estados Unidos também exercem pressão sobre membros do Conselho de Segurança na tentativa de evitar que, dos 15, entre os quais está o Brasil, nove votem a favor do pedido palestino. Pois, com nove votos, o assunto só não irá para decisão final na Assembléia Geral se um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança vetar.

E os Estados Unidos vetarão, se não tiverem alternativa, mas isto lhes criará desagradáveis e até perigosos problemas políticos no revolto (e no momento extraordinariamente revolto) Oriente Médio.
Uma tática é, se possível, rejeitar, pela não obtenção do mínimo de nove votos, o pedido palestino no Conselho de Segurança. Outra é empurrar a votação no CS, que tem outros assuntos na “fila”, durante meses e trabalhar para ver o que acontece. O veto é o último recurso.

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