Grito contra a corrupção no centro de Salvador
Foto;Portal da Metropole

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OPINIÃO POLÍTICA

Movimento contra a corrupção

Ivan de Carvalho

Como previsto, realizou-se no fim da tarde e começo da noite de ontem, no Campo Grande, manifestação promovida pelo movimento nacional contra a corrupção.

Não foi um ato público de massa e sua principal característica foi a espontaneidade. Pessoas que faziam Cooper paravam e ficavam. Cidadãos que iam comprar pão ou voltavam da padaria paravam e ficavam. Houve quem fosse até em casa levar o pão e voltasse para fazer um pequeno discurso. Havia um microfone liberado para quem quisesse usá-lo.

Além de Salvador, manifestações haviam sido convocadas pelas chamadas redes sociais da Internet para mais sete capitais estaduais – Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto

Alegre, Florianópolis, Natal, Campo Grande e Goiânia.
Em todos os casos, não houve e nem queriam os responsáveis pelo movimento o empenho de estruturas estatais, partidárias ou sindicais, que costumam arrebanhar multidões, modestas ou mesmo maiores, para suas manifestações, algumas justas, outras nem tanto.

Certamente que os responsáveis pelo movimento gostariam de contar com espaços e mesmo o apoio da mídia tradicional – revistas, jornais, emissoras de rádio e de televisão – bem como recursos indispensáveis para produção ampla de cartazes e panfletos.

Mas estes recursos dependem ainda de avanços do movimento e os espaços na mídia tradicional só serão conquistados se a mobilização crescer o suficiente para que suas manifestações se tornem objeto obrigatório do noticiário. Levar a mobilização a este nível exige esforço, paciência e persistência. Mas a causa certamente justifica tudo isso.

Não como deputado federal, mas como “um símbolo da luta contra a corrupção”, veio para a manifestação em Salvador Protógenes Queiroz, delegado federal que presidiu o inquérito conhecido como Operação Satyagraha. Ele também usou o microfone e disse diversas coisas interessantes, das quais destaco três:

1. Foi convidado a comparecer às manifestações do Rio de Janeiro e de Salvador. Optou por vir ao Campo Grande, não só por ter nascido na Bahia, mas principalmente por entender que a luta contra a corrupção precisa ser reforçada de um modo muito especial no Nordeste do Brasil, onde este mal ainda encontra um enfrentamento muito menos intenso que em algumas outras regiões brasileiras.

2. Em termos extremamente candentes, chamou a atenção para a responsabilidade (ou irresponsabilidade) dos governantes na questão da corrupção. Disse que a ganância, a ânsia para satisfazer seus interesses pessoais, criou um ambiente moral em que eles (governantes) “não se importam com nada”, por exemplo, com as pessoas que morrem nos hospitais públicos por falta de atendimento adequado ou de qualquer atendimento. Eles se tornaram um “flagelo total”, são “genocidas sociais”, atacou.

3. Protógenes alertou ainda para a teoria posta a circular há poucos meses e na qual os interessados redobraram em insistência a partir do início das manifestações populares de rua – a acusação de que a luta contra a corrupção é um movimento de direita.

De fato, essa teoria tem sido amplamente divulgada. Busca caracterizar a moralidade pela qual se organiza um movimento nacional com um viés de “direita” que até lembraria a antiga UDN, extinta junto com todos os outros partidos pelo Ato Institucional nº 2.

É uma teoria de ladrão. De quem quer continuar roubando em paz

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