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OPINIÃO POLÍTICA

A segunda rodada

Ivan de Carvalho

Das 17 às 20 horas de hoje (20) está prevista uma manifestação popular contra a corrupção no Campo Grande. O protesto está sendo convocado principalmente por intermédio das redes sociais da Internet e se insere em um movimento muito maior, deflagrado no dia 7 de setembro, quando ocorreram diversas manifestações, com ênfase em Brasília.

No mesmo dia, muito perto do Campo Grande, ainda que em horário diferente (para tranquilidade geral), o ex-presidente Lula deverá receber, na Reitoria da UFBa, o título de Doutor Honoris Causa.

Ao assumir a presidência da República, ele disse, em seu discurso, quase em lágrimas, que seu único diploma era “o diploma de presidente da República”. Agora que já não está mais no cargo, empenha-se em colecionar títulos (ou diplomas) de Doutor Honoris Causa. Hoje é a vez da UFBa.

Voltando ao movimento de protesto contra a corrupção no país. Já conta com o apoio oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, da Ordem dos Advogados do Brasil e da Associação Brasileira de Imprensa.

Mas até o momento o instrumento principal de convocação das manifestações é representado pelas redes sociais da Internet (Facebook, Twitter, Orkut), redes estas que tiveram um papel fundamental nos movimentos populares que produziram a chamada Primavera Árabe.

É evidente que o Brasil não é uma ditadura e que, portanto, ao contrário do que aconteceu em países árabes dominados por regimes autoritários, as manifestações tendem a saltar das redes sociais e das comunicações por email para blogs e sites e a partir disso e do que aconteça nas ruas, impor-se à mídia tradicional, jornais, emissoras de rádio e de televisão.

E também é evidente que, ao contrário do que acontece no mundo árabe, aqui os protestos não levarão a conflitos violentos, muito menos a revoltas armadas.

A primeira rodada das manifestações de protesto, no 7 de setembro, atingiu uns poucos lugares, com destaque todo especial para Brasília, onde, após anúncios de números não coincidentes, hoje existe um consenso de que mais de 30 mil pessoas compareceram ao protesto, superando o público presente ao desfile oficial da Independência. E, ironia das coisas: muita gente que foi ao desfile cívico patrocinado pelo governo, terminado o desfile, integrou-se – em um ato evidente de civismo – à manifestação contra a corrupção.

Hoje estão previstas manifestações contra a corrupção em várias capitais de Estados – Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Porto Alegre, Florianópolis, Natal, Campo Grande e Goiânia. Em São Paulo já houve uma, recentemente, na Avenida Paulista. O público maior é esperado no Rio de Janeiro, onde até ontem cedo mais de 32 mil pessoas haviam, por intermédio da Internet, assegurado presença. Estima-se que, nessas ocasiões, metade das pessoas que afirmam que vão comparecer realmente o faz.

Este movimento contra a corrupção deflagrado no 7 de Setembro carece – e não quer – o apoio de estruturas partidárias que naturalmente iriam querer instrumentalizá-lo politicamente. Daí que, em Brasília, por exemplo, alguns espertos desavisados militantes do PC do B foram pressionados pelos manifestantes e convencidos a sumir com suas bandeiras.

BOA NOITE!!!

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