A Tribuna da Bahia publica em sua edição desta sexta-feira, 16, na coluna EM TEMPO, assinada pelo jornalista Alex Ferraz:

De pacientes e impacientes

Por força de um tratamento delicado de retina, a fim de continuar mantendo meus pontos de vista, encontro-me em São Paulo, quarta maior cidade do mundo, centro econômico e financeiro do Brasil etc. e tal. Aqui, por lamentável coincidência, acompanho meu irmão na luta pela recuperação de sua esposa, que esteve muito mal numa UTI e, hoje, recupera-se numa semi-UTI.
De hospital em hospital, tenho tido o desprazer de corroborar uma situação crítica e nunca abordada entre os mil problemas apontados no atendimento médico. Trata-se da relação entre enfermeiros e pacientes.
Notei, sem maior esforço de observação, que a maioria desses profissionais apresenta um índice de estresse muito além do que seria admissível no seu ofício, pelo menos no que diz respeito a transmitir tal estresse aos pacientes. Além disso, as falhas técnicas são gritantes, como a falta de sincronia entre as modificações nas recomendações médicas, pelo “simples” fato de a observação não ter sido passada para outro turno.
Enfim, e considerando-se as honrosas exceções de praxe, nota-se um grande estresse por parte de profissionais que deveriam estar muito bem formados em relação ao que vão enfrentar. Seria o caso de uma revisão em todo o sistema de enfermaria, talvez aumentando os salários e reduzindo o tempo de trabalho, até que se chegue a um patamar onde pacientes não tenham que sofrer por causa de um estresse evitável nos profissionais que têm a missão nobre de atendê-los.

Ainda sobre
enfermeiros (I)
Claro que tenho consciência do tremendo trabalho, físico e mental, que é conviver, muitas vezes, com a morte ao seu lado, dar banho em pessoas praticamente imobilizadas e enfrentar a terrível rotina de uma UTI.
No entanto, é imprescindível que as escolas que preparam enfermeiros adotem todas as providências possíveis para que só ingressem na profissão aqueles que realmente se dispuserem a enfrentar com altivez e dedicação essas situações.

Ainda sobre
enfermeiros (II)
O que não se pode admitir é tratamento grosseiro a pacientes quase inválidos, demora insuportável para atender a um chamado feito pela campainha de emergência (às vezes para verificar um aparelho que dispara um alarme, por exemplo) e outras tantas situações que tenho visto em hospitais que, por fora, são verdadeira grifes da saúde (e falo dos privados).

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