Sarney vestido para voar/Jornal Pequeno(MA)
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CRÔNICA / ATOS SECRETOS

Antes de Sarney partir

Janio Ferreira Soares

A foto de Sarney com roupa de veraneio ao lado do helicóptero da PM do Maranhão (este feudo disfarçado de estado que deveria ter um bigode no lugar do til), parece ser uma espécie de “coisas que ainda me faltam fazer para que todos vejam que Lula tem razão quando diz que eu não sou uma pessoa comum”.

Como Jack Nicholson e Morgan Freeman, protagonistas do filme Antes de Partir – que ao saberem condenados por uma doença terminal listam uma série de coisas que sempre sonharam realizar -, Sarney, talvez sentindo-se expirar, também resolveu fazer a sua “lista da bota”, fato corriqueiro entre aqueles que sabem que estão prestes a batê-la.

Chego a imaginá-lo logo cedo tomando guaraná Jesus com própolis de maribondos e depois seguindo em direção ao seu escritório-caverna, onde, ao contrário do morcego que simboliza Batman, um bigode se faz presente desde a maçaneta da porta até a sua famosa agenda-buço (um presente de um padeiro português primo do ex-primeiro-ministro Mario Soares), onde ele anota suas performances.

É claro que, pela idade, confusões acontecem, mas Roseana está sempre atenta para segurar a onda. Como recentemente, quando o nosso incomum imortal insistia em falar com Agaciel (ex-diretor do Senado) para nomear uns parentes através de atos secretos, no que foi prontamente alertado por ela, que disse: “não, papai, isto o senhor já fez. Mas providenciei um passeio de helicóptero que o senhor vai amar!”.

Como sugestão para suas próximas aventuras, recomendo um selinho na presidente Dilma. É uma coisa que está super na moda e o máximo que pode acontecer é Suplicy achar que se trata de algum ato de desagravo ao ministro Pedro Novais por conta daquele lance do motel e, na sequência, tascar um beijaço de cinema em Ideli Salvatti.

De todo modo, na próxima quinta, 8 de setembro, São Luís estará comemorando 399 anos. Portanto, que ninguém se espante se ele chegar ao senado empunhando um zabumba e convocando Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e João Durval para dançarem o Bumba-meu-boi do Maranhão. Ele pode tudo.

Janio Ferreira Soares, cronista. é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, no lado baiano do vale do Rio São Francisco

set
02

DEU NA FOLHA.COM

A explosão do reator de uma das linhas de transmissão da usinas de Itaipu foi causada pela presença de gás no equipamento. O problema provocou o apagão que afetou partes de 11 Estados no fim da tarde desta sexta-feira.

A linha afetada liga Foz do Iguaçu (PR) a Ivaiporã (PR). A empresa Furnas, responsável pela linha de transmissão, diz ter constatado a presença do gás às 16h20 e solicitado ao ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) o desligamento do circuito “em caráter de urgência”.

Ainda de acordo com Furnas, não houve tempo do ONS executar a manobra e, 25 minutos depois, ocorreu a explosão do reator -o que desligou o circuito.

Segundo o ONS, o apagão acabou afetando partes de 11 Estados: Acre, Rondônia, Mato Grosso e Goiás, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Leia reportagem completa sobre o apagão na Folha.com

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano

set
02
Posted on 02-09-2011
Filed Under (Artigos, Ivan) by vitor on 02-09-2011

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OPINIÃO POLÍTICA

Dilma quer novo imposto

Ivan de Carvalho

Embora não esteja disposta a tomar formalmente a iniciativa e até afirme não deseja uma espécie de ressurreição pura e simples da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras, mas definitiva, sem a provisoriedade), a presidente Dilma Rousseff faz saber sua posição favorável à criação de um novo tributo.

Esse novo tributo seria necessário, no entendimento dela, para financiar o setor de saúde ante a pretendida lei complementar que tramita no Congresso e que, se aprovada, tornará aplicável e Emenda Constitucional 29, que dispõe sobre a dotação e distribuição de recursos financeiros públicos para o setor de saúde.

De acordo com o projeto de lei complementar, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados, onde depende apenas da votação de um destaque para ir à apreciação do Senado, a União terá de destinar ao setor de saúde dez por cento de suas receitas correntes, enquanto cada Estado destinará 12 por cento e cada município, 15 por cento.

Um dos benefícios da Emenda 29 e do projeto de lei complementar é acabar com a prática altamente nociva adotada amplamente pelo poder público no país – nas esferas federal, estadual e municipal – de incluir como aplicação de recursos na saúde a realização de obras que não têm a ver com este setor, mas com outros. Somente um exemplo: custear com o dinheiro destinado à saúde a pavimentação de uma rua onde há um hospital ou um posto médico, sob a alegação de que a obra vai melhorar o acesso ao hospital ou ao posto.

Aceita, no limite, essa filosofia absurda, tapar buracos em rodovias ou em qualquer rua de uma cidade poderia ser custeado com o dinheiro destinado ao setor de saúde, pois se apresentaria a justificativa de que sem os buracos melhor transitariam as ambulâncias, inclusive as do Samu. Também heliportos públicos em quaisquer lugares, nas cidades ou proximidades de estradas, poderiam ser feitos com as verbas da saúde, pois permitiriam pouso e decolagem daquele helicóptero solitário que, dentre outros usos, poderá transportar uma pessoa em emergência de saúde para ser atendida em um hospital.

Mas, voltando à questão da criação de um novo tributo – a presidente falou explicitamente em imposto – vale lembrar que o Congresso, no governo Lula, rejeitou a proposta de mais uma prorrogação da CPMF, o que resultou em sua extinção, coisa que o ex-presidente nunca perdoou a parlamentares que votaram contra, especialmente senadores do Democratas, ex-PFL.

Dois argumentos fundamentais foram levantados contra a continuidade da CPMF. A carga tributária abusiva que o contribuinte brasileiro suporta não deveria ser aumentada com uma continuidade, que não fora prevista, desse tributo, imposto travestido de contribuição. O segundo argumento foi o de que a arrecadação da CPMF foi amplamente desviada do setor de saúde para outras finalidades.

Agora, vem a presidente Dilma e, no contexto da regulamentação da Emenda 29, diz – com a confirmação e detalhamento do líder do governo na Câmara, deputado petista Cândido Vaccarezza – que não defende a volta da CPMF porque havia desvio dos recursos para outras coisas, mas acrescenta que realmente é preciso um novo imposto com objetivo exclusivo de financiar o setor de saúde.

Bem, a visão do governo costuma divergir da visão da sociedade e do cidadão. Novo imposto, não importa para onde vá, seria mais carga nas costas de quem já não agüenta a que suporta. Muito provavelmente uma revisão profunda dos gastos e uma redução dos ralos (tapar todos seria sonhar alto demais) pelos quais se escoa parte relevante dos recursos públicos dispensariam novos impostos. Especialmente se os governos, nos três degraus da Federação e nos Três Poderes – mas sempre e principalmente no Executivo, que devora a parte do leão – tivessem a coragem e o desprendimento de rever suas prioridades.

set
02
Posted on 02-09-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 02-09-2011


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Cícero, hoje, no Jornal de Brasíli(DF)


Alice:voo solo do PC do B para o Tomé de Souza?

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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

A inesperada entrada em cena da deputada federal Alice Portugal (PCdoB) no caso da votação do Planserv, conforme matéria publicada no site Política Livre, mostrou para o governo que ela pode ser caso perdido para 2012. Isto é: que a ideia de um voo solo do PCdoB no sentido da Prefeitura de Salvador no próximo ano parece mais concreta do que querem crer o PT e o governador Jaques Wagner.

De acordo com o texto, apesar de sua antiga e conhecida militância no campo do funcionalismo, como deputada federal Alice Portugal não precisava, espontaneamente, lançar-se, ainda que pelo twitter, na polêmica desfavorável ao governo em que se transformou a votação do projeto que altera o plano de saúde dos servidores do Estado na Assembleia baiana.

O posicionamento era ainda menos esperado por causa da decisão da bancada do partido na Casa. Os três deputados – Álvaro Gomes, Fabrício Falcão e Kelly Magalhães – fecharam questão pela aprovação do projeto.

Alice chegou a dizer que mesmo estando longe, na Câmara dos Deputados, não traiu a bandeira da defesa dos seus direitos. Como a parlamentar não integra o time dos conhecidos políticos oportunistas baianos, a leitura que se fez na Assembleia e fora dela é que Alice desafiou o poder do governo neste momento e deverá voltar a fazê-lo no futuro, ou seja, no momento de os governistas se prepararem para o embate.

Leia matéria complata da edição impressa da Tribuna da Bahia ou na TB online
http://www.tribunadabahia.com.br

Romulo Faro

Até o dia 6 de outubro o ex-prefeito e radialista Mário Kertész pode acabar com a angústia da oposição ou pode prolongar o prazo de mistério por mais seis meses. É que nesta data encerra o prazo estipulado pela lei eleitoral brasileira para os pré-candidatos das eleições de 2012 se filiarem a um partido político.

Se Mário se filiar ao PMDB ou a qualquer outra legenda, ele pode alimentar esperanças até abril do ano que vem, quando as candidaturas serão registradas em todo o país. Se não, colocará fim às especulações da imprensa e ao assédio dos oposicionistas soteropolitanos, que têm acreditado nele como grande aposta para desbancar o PT e a base aliada do governador Jaques Wagner na disputa pela sucessão de João Henrique (PP).

O convite oficial de filiação foi feito pelo PMDB, partido pela qual Mário foi eleito prefeito em 1985.
Enquanto Mário não se decide, os peemedebistas continuam com as expectativas em alta

. “Eu, particularmente, acho que ele vai se filiar até para ter o direito de decidir se vai encabeçar uma chapa que traz o novo, uma chapa que tem propósito e um projeto concreto para resgatar Salvador”, disse o vice-presidente da Pessoa Jurídica da Caixa e liderança do PMDB na Bahia, Geddel Vieira Lima. Ainda em entrevista à Tribuna, o opositor aproveitou para disparar contra o deputado Nelson Pelegrino (PT), o candidato de Wagner.

“A gente (a oposição) não precisa ficar dizendo agora quem é candidato, até porque ainda não há nada definido. Quem precisa ficar gritando candidatura é quem já perdeu quatro vezes (a disputa pela Prefeitura de Salvador) e quer seu nome sendo lembrado”, disparou Geddel.

E, nos bastidores, a articulação segue a todo vapor. “Sinceramente, ainda não sabemos se ele (Mário Kertész) já se posicionou, mas se ele for candidato, eu vou vestir a camisa e vou para a rua porque ele é um grande candidato. Tenho certeza de que toda a oposição se unirá em torno de Mário”, afirmou o vereador Alfredo Mangueira, um dos principais expoentes do PMDB em âmbito municipal.

Não só os peemedebistas, mas os outros principais opositores baianos, PSDB e DEM, têm feito visitas ao radialista num incansável trabalho de insistência. O PMDB está jogando pesado. Com aval do vice-presidente da República, Michel Temer, o líder nacional do partido, senador Valdir Raupp, veio a Salvador no mês de julho dar uma força aos irmãos Vieira Lima.

Há um mês, a bancada de vereadores e as principais lideranças se reuniram com o ex-prefeito em um almoço na sede de sua rádio, a Metrópole. Nos bastidores, os encontros continuam acontecendo.


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Os Cariocas , “Carro de Boi”, dos saudosos Cacaso (foto) e Maurício Tapajós, canção de lembrar dois grandes artistas no Bahia em Pauta

O site VivaDominguinhos lembra no You tube:” Cacaso teve sua canção “Carro de boi” (parceria com Maurício Tapajós) celebrizada por Milton Nascimento, no disco “Geraes”. Mas havia essa gravação anterior, de 64, feita pelo grupo Os Cariocas”.

A sugestão para o BP vem do precioso garimpo do jornalista Gilson Nogueira.

BOA NOITE!!!

(VHS)

Como o diabo gosta (e os baianos também) o poeta e antropólogo baiano Antônio Risério começou esta quinta-feira, primeiro dia de setembro de 2011, sua nova fase de colaborador da Terra Magazine “com um texto sobre a atual (e lamentável) situação da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)”, segundo sua própria – e apropriada- definição. É um texto no melhor estilo Risério, cheio de informações e que espalha polêmica para todo lado.

Vejam só um dos trechos mais reveladores e explosivos:

“Quando Dilma Rousseff assumiu a presidência, parecia que as coisas finalmente iriam tomar o prumo – e andar. Estava tudo certo para Fernando Schmidt assumir a direção do órgão, com o apoio dos governadores Jaques Wagner (Bahia) e Eduardo Campos (Pernambuco). Estava tudo tão certo que parabenizamos Schmidt (sua escolha era muito boa para o Nordeste), no Palácio de Ondina, em Salvador. Schmidt pegou o avião para Brasília, a fim de tomar posse do cargo. E aí, na hora H, Dilma encasquetou. E não houve nomeação alguma. Dilma bateu na mesa, dizendo que só nomearia, para dirigir a Sudene, uma mulher. Acreditem, se quiserem. Mas foi o que aconteceu. Não houve apoio (nem argumento) capaz de fazer o governo federal reconhecer o quanto era triste e primária a decisão que estava tomando. E não houve recuo. Patarata, como disse. Um veto de gênero. Manifestação de um subfeminismo absolutamente rasteiro. Schmidt voltou então para Salvador, sem reclamar (homem educadíssimo que é), virando secretário estadual de relações internacionais. Assumindo a Secretaria Oropa-França-Bahia do governo (a cada dia, mais lastimável) de Jaques Wagner. E a Sudene foi condenada a continuar às traças, para azar do Nordeste e do povo nordestino”.

E não pára por aí. Tem muito mais. Duvida? Confira a íntegra do texto da revista digital Terra Magazine, que Bahia em Pauta reproduz.
( Vitor Hugo Soares )

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Wagner com Schmidt:”um veto de genero na Sudene”
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Sudene: sucata, cascata e patarata

Antonio Risério

De Salvador (BA)

Olha eu aqui de novo… xaxando – como se diz na gostosa gravação de Luiz Gonzaga (por falar em Lua, ninguém deve deixar de ver o livro “O Rei e o Baião”, organizado por Bené Fontelles). Mas, quando disse a meu amigo Bob Fernandes que pretendia começar esta minha nova fase de colaborador da Terra Magazine com um texto sobre a atual (e lamentável) situação da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), Bob ficou surpreso: a Sudene ainda existe? – perguntou. A pergunta diz tudo. Se Bob Fernandes, jornalista superinformado, não sabia disso, só posso ter uma resposta para a sua pergunta: sim e não. Sim – porque a Sudene foi refeita oficial, formalmente, por Lula, em 2007, depois de muitas discussões, em cuja origem estiveram os então senadores Antonio Carlos Magalhães e Tasso Jereissatti. Não – porque hoje, quatro anos depois de refundada, a tal da “nova” Sudene não saiu do papel. Ainda não deu o ar de sua graça. E o governo não parece nem um pouco preocupado com isso.
*
Vamos começar pelo começo. A Sudene foi uma criação de Celso Furtado, no final da década de 1950, para abrir a roda, favorecer a expansão geográfica do capitalismo brasileiro, durante o governo de Juscelino Kubitschek. O objetivo era superar o “approach hidráulico” da região, via política de incentivos fiscais, numa tentativa de promover a industrialização local e reduzir os desequilíbrios regionais brasileiros. E isto, em alguma medida, foi alcançado. A Sudene começou a transformação do Nordeste, região na qual a Bahia e Minas, de alguma forma, se intrometeram, ambas argumentando com seus pedaços sofridos de terra, mortes e vidas “severinas”. Depois do golpe militar de 1964, a entidade começou a ser esvaziada. Com o tempo, virou um dos focos da corrupção que avançou durante o regime militar. Passou a contar para nada, a não ser para desvios de dinheiros (no plural, sim). Em 2001, diante de escândalos, Fernando Henrique extinguiu o órgão e a sua bagunça. A Sudene virou sucata. Mas a dita cuja foi reposta em cena por Lula, em 2007. Seria a “nova” Sudene, vinculada agora ao Ministério da Integração Nacional, com o objetivo de levar adiante “o desenvolvimento includente e sustentável” do Nordeste. De promover “a integração competitiva da base produtiva regional na economia nacional”. Foi quando, depois de sucata, a Sudene virou cascata.
*
A patarata é mais recente. “Patarata”, no sentido original, espanhol, da palavra: “coisa ridícula”. Quando Dilma Rousseff assumiu a presidência, parecia que as coisas finalmente iriam tomar o prumo – e andar. Estava tudo certo para Fernando Schmidt assumir a direção do órgão, com o apoio dos governadores Jaques Wagner (Bahia) e Eduardo Campos (Pernambuco). Estava tudo tão certo que parabenizamos Schmidt (sua escolha era muito boa para o Nordeste), no Palácio de Ondina, em Salvador. Schmidt pegou o avião para Brasília, a fim de tomar posse do cargo. E aí, na hora H, Dilma encasquetou. E não houve nomeação alguma. Dilma bateu na mesa, dizendo que só nomearia, para dirigir a Sudene, uma mulher. Acreditem, se quiserem. Mas foi o que aconteceu. Não houve apoio (nem argumento) capaz de fazer o governo federal reconhecer o quanto era triste e primária a decisão que estava tomando. E não houve recuo. Patarata, como disse. Um veto de gênero. Manifestação de um subfeminismo absolutamente rasteiro. Schmidt voltou então para Salvador, sem reclamar (homem educadíssimo que é), virando secretário estadual de relações internacionais. Assumindo a Secretaria Oropa-França-Bahia do governo (a cada dia, mais lastimável) de Jaques Wagner. E a Sudene foi condenada a continuar às traças, para azar do Nordeste e do povo nordestino.
*
Realidade. O Nordeste está avançando, apesar disso tudo. Me lembro, aliás, de uma reunião em Brasília, no ano passado, durante a campanha de Dilma Rousseff à presidência. Quando perguntamos, à hoje ministra Myriam Belchior, em que lugar seria melhor filmar obras do PAC, em função do programa eleitoral na televisão, ela não hesitou nem um segundo: “A vitrine do PAC é Pernambuco”. Porque Pernambuco tinha (e tem) um projeto claro e consistente de desenvolvimento socioeconômico, configurando-se a partir da racionalidade administrativa e do diálogo real com a sociedade. E o fato é que Pernambuco decolou, com o Ceará seguindo no rastro, do porto de Pecém ao “cinturão digital”, passando pelo VLT (Veículo Leve sobre Trilhos, melhor opção de transporte público na vasta maioria de nossas cidades tropicais) de Crato a Fortaleza, com a passagem custando 1 (sim: um) real. O panorama, aliás, é muito interessante. Até pouco tempo atrás, Pernambuco pouco mais era do que um engenho, moendo canas e vidas, enquanto a Bahia se industrializava. Mas o quadro se inverteu ou está se invertendo. Pernambuco se vai convertendo na vanguarda do Nordeste. Em todas as direções: da criação cultural (música e cinema à frente) à produção industrial, passando pelo campo da infraestrutura, com a Transnordestina e a transposição do Rio de São Francisco se encontrando em Salgueiro (“de Salgueiro a Rancharia, de Granito a Bodocó…” – cantava, ainda, Luiz Gonzaga), para chegar a Suape e ao Estaleiro Atlântico Sul. Hoje, Pernambuco e Ceará são canteiros de obras. Enquanto a Bahia segue-não-segue a passo de cágado. E de cágado manco.
*
Os governadores dos estados nordestinos já se encontraram duas vezes, desde que tomaram (ou retomaram) posse em janeiro de 2011. Numa delas, inclusive, com a presença de Dilma Rousseff, em Aracaju. Queriam discutir problemas e perspectivas regionais. Em nenhuma das duas vezes, a Sudene marcou presença, em sua suposta função básica de órgão público de planejamento, encaminhamento e coordenação de projetos e medidas destinados a impulsionar sempre mais a região, nas dimensões econômica e social. Na verdade, a Sudene continua acéfala e desarticulada. Tomando conta do barco abandonado, deixado num canto escuro do cais, com o motor desligado, está lá o antigo diretor-geral do órgão (ninguém se preocupa sequer com decretos formais). E o que ele faz? Segue batendo o ponto, dia após dia, à espera de que chegue o seu substituto. Não aconteceu, até hoje, uma só reunião do conselho da entidade. O que é prejudicial ao Nordeste: quando este conselho não se reúne, projetos deixam de ser aprovados. E, logo, deixam de ser executados.
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Mas há quem leve o Nordeste a sério, além dos governadores de Pernambuco e do Ceará. Quando estava à frente da Secretaria de Assuntos Estratégicos, criada para ele no governo do presidente Lula, o pensador (sim: é assim que devemos tratá-lo, apesar de suas estabanadas piruetas político-partidárias: um pensador,provocateur de rara densidade e capacidade antecipatória) Roberto Mangabeira Unger e sua equipe produziram um documento precioso – “O Desenvolvimento do Nordeste como Projeto Nacional”. Parte-se, ali, de quatro premissas (a cabeça de Mangabeira é sempre muito ordenada – e ele sistematiza e numera tudo). Primeira: não há solução para o Brasil que não passe por uma solução para o Nordeste. Concentram-se, na região, parcelas consideráveis das áreas e das populações mais pobres do país – ao tempo em que “o Nordeste reúne muitos dos elementos indispensáveis às soluções nacionais, inclusive a força da identidade e o acúmulo de vínculos associativos”. A segunda premissa: o Nordeste, hoje, não tem projeto. A terceira: assim como não há solução para o Brasil sem solução para o Nordeste, não há solução para o Nordeste sem solução para o semiárido – e o nosso é o único semiárido densamente povoado que se vê no mundo. A quarta: um Projeto Nordeste “deve começar por instrumentalizar as duas grandes forças construtivas manifestas na realidade nordestina hoje” – vale dizer, o empreendedorismo emergente e a inventividade tecnológica popular.
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O que mais me interessa aqui, no momento, é esta lacuna projetual. Pernambuco tem o seu projeto, o Ceará tem o dele, etc. (a Bahia, não: o que acontece lá são obras programadas pelo governo federal – e só). Mas o Nordeste, in globo, não. “O Nordeste fervilha de iniciativa empreendedora e cultural. Há grandes obras de infraestrutura em andamento. Há renovação da cultura política, que possibilita um grau surpreendente de coesão, apesar das fraturas – de circunstâncias, de interesses e de opiniões – que continuam a dividi-lo. E há pensadores e cientistas de primeira ordem, inclusive cientistas e pensadores que têm por principal tema a realidade e o futuro dos nordestinos”, escreve Mangabeira. Apesar disso, o Nordeste não tem um projeto global de desenvolvimento econômico e social, em circunstâncias ecológicas concretas. Ainda Mangabeira: “Falta, desde a época de Celso Furtado, um projeto capaz de orientar o desenvolvimento do Nordeste e de vislumbrar nele a linha de frente do desenvolvimento do Brasil”. E a Sudene, bem, a Sudene: de Sarney a Dilma, ninguém deu a mínima para ela. E será que vamos ter de gastar vela com defunto ruim? Ou é possível repensar isso tudo, criando um fórum ou uma agência de planejamento para que o Nordeste passe a significar riquezas e distribuição de riquezas cada vez mais frequentes e democraticamente frequentáveis?

Antonio Risério é poeta e antropólogo.

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