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OPINIÃO

Para Wagner combate à corrupção não pode dominar agenda

O governador Jaques Wagner (PT) disse ontem (25) que o combate à corrupção no país tem de ser “permanente”, mas “não pode ser transformado no centro da agenda nacional”. A declaração ocorreu durante evento em Camaçari (50 km de Salvador), ao ser questionado sobre a relação entre as recentes trocas de ministros e a governabilidade da presidente Dilma Rousseff (PT).

– A agenda do combate à corrupção é uma agenda eterna, permanente e que tem que ser perseguida, mas não pode ser transformada no centro da agenda nacional, disse o governador.

Em relação à sequência de demissões e mudanças no gabinete de Dilma, o governador petista disse que a proximidade dos fatos “podem chamar a atenção”. “Eu acho que são processos [trocas de ministros] que aconteceram muito próximos uns dos outros. Sob esse aspecto, podem chamar a atenção.” No entanto, disse que tem “absoluta tranquilidade e convicção” de que a presidente continuará focando a “agenda central” do governo, que é o “desenvolvimento e inclusão social”, segundo Wagner.

– Ela vai manter evidentemente a preocupação, que tem que ser cotidiana, com transparência e combate ao mau uso do dinheiro público. Essa é uma agenda permanente que a gente não abandona, mas que não é a agenda central do país, que tem que ser a inclusão social.

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Comentários

rosane santana on 26 agosto, 2011 at 11:54 #

Desculpe sua excelência, mas combater a corrupção é, essencialmente, fazer inclusão social, evitando o desvio do dinheiro público. Imprimir moralidade, transparência e eficiência ao governo, três dos princípios constitucionais da administração pública brasileira (mais legalidade e impessoalidade) é preparar a máquina pública para cumprir a finalidade precipua de atender ao interesse coletivo. Certamente, senhor governador, se sua excelência ainda não percebeu, há, sim, um clamor na sociedade civil por isso. Se quisermos, de fato, realizar a inclusão social, se esta é mesmo o objetivo principal do governo Dilma, do qual sua excelência faz parte, precisamos, parafraseando o sociólogo Anthony Giddens, “democratizar a democracia”, o que significa que “num mundo marcado pelo declínio das tradicções, os políticos não podem contar com as velhas formas da pompa e circunstância para justificar o que fazem. A política parlamentar (vale para o poder executivo também) ortodoxa está distanciada pela torrente de mudanças que passa impetuosa pela vida das pessoas…”E mais: “um aprofundamento da democracia é necessário porque os velhos mecanismos de governo não funcionam numa sociedade em que os cidadãos vivem no mesmo ambiente de informação que os que detêm poder sobre eles…” Para concluir, ainda com Giddens: “Não acredito que a corrupção seja mais comum agora nos países democráticos do que costumava ser. O que ocorre é que numa sociedade de informação aberta (globalizada), ela é mais visível, e os limites do que é considerado corrupção se deslocaram…Essas redes de favoritismo (o clientelismo, a política do favor, do toma lá da cá), não desapareceram, mas grande parte do que costumava ocorrer através delas, e era amplamente aceito, hoje é definido como ilegítimo”. Para sua excelência que combateu tanto o velho coronel baiano, vale mais uma vez Giddens: “o poder político baseado no comando autoritário já não consegue se valer de reservas de deferência tradicional, ou respeito”. O rei está nú, excelência! OBS: As explicações entre parênteses são desta que vos escreve. Os trechos transcritos foram tirados do artigo “Democracia”, inserido no livro “O mundo em descontrole”.


rosane santana on 26 agosto, 2011 at 11:58 #

Corrigindo: desculpe, vossa excelência!


rosane santana on 26 agosto, 2011 at 11:59 #

Correção 2: Em todo o texto, vossa em lugar de sua excelência


Carlos Volney on 26 agosto, 2011 at 20:23 #

Brilhante, Rosane, para dizer o mínimo. Seu comentário é um artigo/crônica, ou coisa que tal, da maior validade.
E o “DOUTOR” Wagner, quem diria, tem desculpa para tudo!! É o mais legítimo discípulo de Lula. Haja desfaçatez. E tudo em nome da tal governabilidade, terminologia inventada pelos cínicos para legitimar suas iniquidades e safadezas.
Quem sabe o Protógenes volta a encarnar o ELLIOT NESS e desmascara essa cambada. Ou será que lhe exauriram as forças??


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