Deu na coluna Em Tempo, assinada pelo jornalista Alex Ferraz na Tribuna da Bahia
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Em Tempo

Paladinos da democracia, pulga na orelha…

Em dezembro de 2006, exatamente no dia das duas grandes festas que comovem boa parte da população do planeta com mensagens de paz e tolerância, o mundo assistia, chocado, às imagens de Saddam Hussein sendo enforcado, depois de ter sido “julgado” por um tribunal organizado às pressas pelos Estados Unidos e seus aliados. Corta para 2011. No dia 2 de maio, o planeta acorda com a notícia do assassinato de Osama Bin Laden, por forças americanas que literalmente invadiram o Paquistão para matar o terrorista. Ontem, corria mundo a notícia da expulsão da Khadafi da Líbia.
O que esses três personagens tem em comum? A violência contra inocentes. Dois (Saddam e Khadafi) são ditadores, responsáveis por décadas de opressão e pela morte de civis inocentes que ousaram contrapor-se a eles. Bin Laden, um terrorista, mentor da morte de inocentes. O que os três episódios tem em comum? A quebra dos mais comezinhos princípios do direito internacional, com as forças dos ditos paladinos da democracia invadindo países e assassinado pessoas, igualando-se, assim, àqueles que combatem.
Jamais usaria minhas palavras para esboçar qualquer tipo de defesa a um dos radicais aqui citados e odeio qualquer tipo de autoritarismo. Quero apenas registrar que fico com a pulga atrás da orelha quando vejo nações que, também, já promoveram a morte de centenas de milhares de inocentes (Vietnã, ditaduras sul-americanas etc.) serem aplaudidas freneticamente ao passarem por cima da lei para fazer “justiça”. E esses mesmos que hoje invadem e matam sem pestanejar em nome do povo” não titubearão, como não titubearam, em fazer o mesmo para instaurar ou restaurar ditaduras. Quem viver, verá.

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Comentários

Marco Lino on 26 agosto, 2011 at 10:19 #

“Quero apenas registrar que fico com a pulga atrás da orelha quando vejo nações que, também, já promoveram a morte de centenas de milhares de inocentes (…) serem aplaudidas freneticamente ao passarem por cima da lei para fazer ‘justiça’.”

Ora, há besta para tudo, meu caro!


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