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OPINIÃO POLÍTICA

Contas políticas

Ivan de Carvalho

O governador Jaques Wagner, em encontro, ontem, com empresários paulistas, deu a medida de sua força no estado a partir do número de prefeituras controladas pelos partidos que compõem sua base política. Os números impressionam – dos 417 municípios baianos, 340 estão em mãos de partidos da base aliada ao governo.

De um modo geral, a medida é válida e significativa, ela mostra força. Mas não se pode levá-la ao pé da letra, por mais de um motivo. Um dos exemplos, aliás o mais vistoso de todos, é Salvador. O prefeito é do PP e tem divergências administrativas sérias com a administração estadual, o que ficou evidente a respeito do transporte de massa, na questão do dilema entre metrô e BRT.

Ainda sobre Salvador, há uma idéia do governo municipal e do PP de que estes tenham um candidato próprio à sucessão do prefeito João Henrique. O nome em voga é o do deputado federal João Leão, que não tem uma tradição política marcante em Salvador e certamente terá dificuldades para levar seu nome à mente do eleitorado como pré-candidato no tempo escasso de que dispõe para tentar isso.

Mas a existência desse plano ou idéia do PP e, supõe-se, do prefeito, formalmente não perturba a contagem de 340 municípios feita pelo governador, mas prejudica seus planos políticos, pois se o PP tiver candidato próprio a prefeito de Salvador, certamente este não será o candidato do governador nem de seu partido, o PT. No momento, o governador anuncia abertamente a candidatura do deputado petista Nelson Pelegrino.

Caso esta candidatura se firme partidariamente, o que é muito provável, mas ainda encontra resistências em setores petistas, sua viabilização eleitoral pode depender, em muito, da capacidade do governo e do PT de conseguir que os demais partidos da base desistam de suas próprias candidaturas. Pelas contas de Wagner, existem seis pré-candidaturas de sua base política à prefeitura da capital. Ele sonha (e já trabalha para realizar o sonho) que só uma saia das convenções – a do candidato do PT. Assim fica tudo muito bonitinho, muito hegemônico: governo da União, governo do Estado, governo da capital do Estado.

Mas, voltando ao tema municipal, a conta de Wagner não é exatamente de “340 municípios” em mãos da base, mas de 340 prefeituras. O que não é a mesma coisa. A base pode ter o prefeito, uma parte geralmente maior (eventualmente, menor) dos vereadores, mas não tem o município. Porque neste sempre há alguma oposição, mais ou menos expressiva. Com vereadores, outras lideranças políticas, contingentes eleitorais.

O governador calcula que o PT consiga eleger no próximo ano 80 prefeitos, segundo entrevista que deu à rádio Tudo FM. Claro que o conjunto dos partidos da base elegerá muito mais que isso. Ficará inclusive quase certa a eleição do futuro prefeito de Feira de Santana, segundo colégio eleitoral do Estado, caso se confirme o ingresso no PP do ex-prefeito e aspirante à eleição José Ronaldo, do DEM.

A passagem de Ronaldo do DEM ao PP seria um golpe doloroso neste primeiro partido, que com Ronaldo teria uma chance enorme de reconquistar o segundo maior colégio eleitoral do estado, perdido recentemente quando o prefeito Tarcízio Pimenta trocou o DEM pelo PDT, em busca de uma legenda para tentar uma dificílima reeleição.

Mas seria um reforço importante para o PP. Este partido, no entanto, sofre no momento com os ataques ao ministro das Cidades, o deputado baiano Mário Negromonte e com fortes divergências em sua bancada na Câmara federal – bancada que garantiu a ida de Negromonte para o cargo de ministro.

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