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Dona Lucia Rocha, mãe de Glauber: emoção no Senado
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Senadora Lidice fala sobre Glauber no Senado
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A sessão solene do Senado Federal nesta terça-feira (23/8) em homenagem ao cineasta Glauber Rocha, na passagem dos 30 anos a morte de realizador que revolucionou o cinema brasileiro, teve um reflexo positivo antes mesmo de ser encerrada. A ministra da Cultura, Ana de Hollanda enviou um recado aos familiares presentes ao evento garantindo todo o empenho para a manutenção do acervo de Glaube, mantido no Rio de janeiro pela mãe do cineasta baiano.

O “Tempo Glauber”, fundado por sua mãe, Lúcia Rocha, enfrenta dificuldades para prosseguir com suas atividades e manter o acervo intelectual do cineasta. O aval da ministra da Cultura deverá permitir a continuidade da catalogação de mais de 50 mil documentos deixados por Glauber, assim como cursos de capacitação voltados para a produção audiovisual.

A homenagem a Glauber foi proposta pela senadora Lídice da Mata (PSB-BA) que, durante a sessão solene, ressaltou o perfil de pesquisador do cineasta. De acordo com a senadora, ele saiu em campo para ver de perto o sofrimento das famílias no interior do Brasil. Foi presenciar a opressão política e climática que foram matéria prima para diversos filmes seus. Foi também, segundo ela, um consumidor voraz de livros de autores brasileiros, entre eles Jorge Amado e, principalmente, José Lins do Rego. “Ao lado das lições da ficção nordestina, Glauber mergulhou também na sociologia de Gilberto Freire, antes de se aventurar pelas terras ásperas e longínquas que desejava pesquisar, para completar o conhecimento da terra iniciado em Vitória da Conquista”, afirmou Lídice.

A homenagem ao diretor envolveu todos os órgãos de comunicação do Senado. Os três principais filmes de Glauber – Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe e O Dragão da Maldade contra o Santo Guereiro – foram exibidos pela TV Senado aos domingos durante o mês de agosto. A Rádio Senado produziu um programa sobre as trilhas sonoras dos filmes de Glauber e a Agência e Jornal do Senado fizeram matérias especiais sobre os 30 anos de seu falecimento.

Nascido em 1939, em Vitória da Conquista (BA), Glauber Rocha aos 13 anos fazia já críticas de cinema, no programa Close-up, da Rrádio Sociedade da Bahia. Aos 19, realizou Barravento e estreou na direção de longa-metragem, com o qual ganhou o Prêmio Opera Prima no Festival Internacional de Cinema de Karlovy-Vary, na Tchecoslováquia. Com Deus e o Diabo na Terra do Sol, de 1963, um épico sobre violência e religiosidade no sertão, conquistou o sucesso de crítica e público e passou a ser reconhecido internacionalmente como um gênio do cinema mundial. Ao morrer precocemente em 1981, aos 42 anos, deixou 10 longas-metragens, além de documentários (um deles sobre o enterro de Di Cavalvcanti, vencedor do Festival de Cannes), poesias, roteiros, artigos e livros sobre cinema.

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