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Faleceu no início da manhã desta quinta-feira no Instituto Baiano de Cardiologia, Enio Mendes, aos 82 anos. Advogado, ex-deputado estadual cassado, ex-secretário de Segurança Pública da Bahia no governo Waldir Pires, são alguns componentes do perfil pessoal e político deste baiano de Esplanada. Ele, no entanto, foi acima de tudo ao longo da vida um combatente de primeira linha nas melhores e mais corajosas causas democraticas da Bahia e do País ao longos das últimas seis décadas.

Formado em Direito, foi advogar em Esplanada de onde, a pedido de Hélio Ramos, do PR, o partido de Manoel Novaes, partiu para seu primeiro mandato de deputado estadual, uma campanha sem dinheiro. Para surpresa de muitos, foi o quinto mais votado entre o onze eleitos pelo partido.

Depois de reeleito, topou pela frente com o golpe, que exigiu sua cassação pela Assembleia Legislativa.

Motivo: “falta de decoro ideológico”.

Entrou com mandado de segurança contra o ato violento e ganhou por unanimidade no Tribunal de Justiça da Bahia, que se esqueceu de comunicar à Assembleia. Como também se esqueceram de suspender seus direitos políticos à época da cassação só veio a perdê-los de fato dois anos depois.

Eleito deputado estadual pelo Partido Republicano-PR, 1959-1963 e reeleito pelo Partido Social Progressista-PSP, 1963-1967, cassado em 28/04/1964, teve seus direitos políticos suspensos em agosto de 1966.Fez parte de uma geração de parlamentares e políticos baianos com a marca da resistência e da combatividade com princípios, aliada ao conteúdo intelectual e presença parlamentar marcantes, cujo símbolo foi o deputado Chico Pinto.

Na Assembléia Legislativa foi titular das Comissões de Finanças, Orçamento e Contas (1959), Viação e Obras Públicas (1959), Orçamento e Fiscalização Financeira (1961), Constituição e Justiça (1963), Finanças e Serviços Públicos (1963); suplente das Comissões: Constituição e Justiça (1959-1960), Economia (1959), Finanças e Serviços Públicos (1960), Economia e Transportes (1963), Saúde Pública e Assistência Social (1963).

Depois de cassado, sem dinheiro e sem ter o que fazer em Salvador, voltou a morar em Esplanada e foi ganhar a vida como fazendeiro, outra vez.

Foi aí, depois da democratização, que foram buscá-lo para ajudar na campanha de Roberto Santos, já que se filiara ao PMDB. Na condição de Secretário Geral do PMDB, entrou de corpo, alma e coração na campanha de Waldir Pires, e terminou indo para o governo, a quem serviu como Secretário de Segurança, fez dobradinha com outro secretário, também idealista, o já falecido Euclides Neto, e cumpriu sua missão sem desvios éticos. Dizia com orgulho que perante mais de cem invasões de terras, no período, jamais empregou a força para cumprir sentenças judiciais de desocupação, mas a persuasão, o diálogo.

Homem de brio, político brilhante e honrado, foi admirado pela seriedade e dignidade. Sempre dizia com orgulho, “jamais haver pedido algo para si próprio”.Enio Mendes deixou viúva, Dona Lígia Mendes de Carvalho, 5 filhos e 7 netos. O corpo de Enio Mendes está sendo velado na Assembléia , no Centro Administrativa er será cremado amanhã, às 9hs, em cerimônia no Jardim da Saudade, em Salvador. Bahia em Pauta se solidariza à sua família e junta-se aos amigos e admiradores no tributo a este grande e honrado filho da Bahia

(Postado por Vitor Hugo Soares e Maria Olívia Soares, com informações da ALB )

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Comentários

Olivia on 18 agosto, 2011 at 12:58 #

O corpo de Enio Mendes será velado na Assembleia Legislativa da Bahia.


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