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Mulher, acusada de ser laranja, presa
na Operação Alquimia/ Foto:O Globo
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DEU NO GLOBO

A Polícia Federal faz nesta quarta-feira mega operação para reprimir crimes de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e formação de quadrilha. A Operação Alquimia, em parceria com a Receita Federal, tem o objetivo de recuperar R$ 1 bilhão desviados por um grupo empresarial, ligado ao ramo de produtos químicos. Segundo a PF, essas empresas “enriqueceram com facilidade desigual, às custas de graves lesões ao erário”. A operação é considerada uma das maiores do gênero dos últimos anos no país.

Estão em execução 31 mandados de prisão temporária e 129 de busca e apreensão, além de 63 mandados de condução coercitiva. Os bens de 62 pessoas e 195 empresas estão sendo sequestrados. Além de recursos financeiros, a relação inclui veículos de luxo, lanchas, aeronaves e equipamentos industriais. Entre os bens que podem ser retomados, há até uma ilha na Bahia, onde os suspeitos teriam uma lancha e automóveis.

Para cumprir todas a medidas, foram acionados cerca de 90 auditores fiscais da Receita e 500 policiais federais. As ações ocorrem em 18 estados: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Sergipe.

A investigação começou há quase dez anos, em 2002. O esquema criminoso envolvia uma complexa estrutura para sonegar impostos federais e estaduais, utilizando empresas de fachada que, na maioria, não pagavam nenhum imposto. Segundo as investigações, cerca de 50 dessas empresas foram criadas para beneficiar a holding do grupo, cujo nome ainda não foi divulgado. Essa conclusão foi obtida a partir da análise dos vínculos entre as pessoas físicas e jurídicas investigadas, assim como suas movimentações bancárias.

Leia reportagem completa em O Globo (online)

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Comentários

Marco Lino on 18 agosto, 2011 at 14:48 #

Só liberaram a foto da “laranja”? Quero ver a do dono da roça… talvez possa ser conhecido… e também para não comprar laranja de seu laranjal.

PF, ou de todos ou de ninguém!


luiz alfredo motta fontana on 18 agosto, 2011 at 15:33 #

Caro Marco Lino

Tocaste no popnto, a tal mídia noticia fatos e crimes sem citar os autores, nem mesmo se dignam a noticiar quem é o dono da tal ilha.

Exceção feita, e louvemos, pela raridade do feito, ao Cláudio Humberto que noticou em sua coluna:

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18/08/2011 | 00:00
Dono de ilha
na Bahia era investigado há 4 anos

O empresário, ex-canditado a deputado estadual e ex-“cartola” do futebol baiano Marcelo Guimarães, dono da ilha cinematográfica confiscada ontem pela Polícia Federal na Operação Alquimia, foi alvo de outra operação, a Jaleco Branco, da mesma PF, em 2007, contra fraudes em licitações públicas. O processo do Ministério Público Federal foi suspenso pelo Superior Tribunal de Justiça. Marcelo Guimarães tinha consultoria e contratos no governo federal para limpeza urbana e segurança.

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O que impediu a mídia (ou o restante dela) de dar nome e sobrenome?


Marco Lino on 18 agosto, 2011 at 16:42 #

Agora sim!

Obrigado, Poeta!

Sabia que era conhecido. Todavia os contratos dos Guimarães não se limitam à esfera federal, mas também estadual e municipal. Peixe graúdo, dono de ilha e muito influente na nobre sociedade baiana.

Ocasião muito boa para algumas perguntas: como se compra uma ilha?! De quem? Dos índios? Dos donatários portugueses? Da Igreja? As terras de marinha não são da União?! Fui nadar perto de Itaparica há uns bons anos atrás e fui proibido… disseram-me que era propriedade particular. Daí fiquei com essas perguntas na cabeça.

Dono do mar é o tubarão, que é peixe grande. Piaba fica na lama da maré.

Quando lembro que essa gente está no comando do (ex?) Esquadrão de Aço, dá uma vontade danada de tirar umas férias…


Marco Lino on 18 agosto, 2011 at 23:29 #

É possível que a paradisíaca ilha confiscada agora na Operação Alquimia também seja dos Guimarães – não duvido de forma alguma. Porém o jornal A Tarde de 29/12/2007, por ocasião da Operação Jaleco Branco, informou que a ilha dos Guimarães era Saraíba, de 35.000 metros quadrados (quase o dobro da atual), que fica entre Itaparica e Mutá, na região de Matarandiba. Copiei um parágrafo:

“Uma visão aérea da Ilha de Saraíba, na Baía de Todos os Santos, vale a expressão ‘coisa de cinema’. Além de piscinas naturais, vegetação nativa e uma área total de 34,8 mil m², o imóvel tem pelo menos três casas, algo que se parece com uma academia de ginástica, além de um alojamento. Enquanto o helicóptero fretado por A TARDE sobrevoava o local, pertencente ao município de Jaguaripe e parte da microrregião de Santo Antônio de Jesus, podia-se ver empregados confusos tentando fazer contato com alguém, por telefone.”

Aqui, um pedacinho do paraíso:
http://projetandoambientes.blogspot.com/2009/03/ilha-da-saraiba-baia-de-todos-os-santos.html


luiz alfredo motta fontana on 19 agosto, 2011 at 9:50 #

Caro Marco Lino

Enfim uma luz e não um palpite.

O velho jornal O Estado de São Paulo, edição de hoje, aponta o verdadeiro dono da ilha.

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Dono da ilha é conhecido como ”Paulinho Metanol”
Apelido refere-se à venda de embalagens plásticas contaminadas para um produtor de cachaça, o que provocou 16 mortes
19 de agosto de 2011 | 0h 00

PERFIL

Paulo Sérgio Costa Pinto Cavalcanti, empresário investigado pela Operação Alquimia

O presidente da Sasil Industrial e Comercial de Petroquímicos Ltda., empresa apontada como o eixo do esquema de sonegação fiscal que teria desviado R$ 1 bilhão em impostos, Paulo Sérgio Costa Pinto Cavalcanti, ganhou fama entre os baianos em 1990, quando obteve da imprensa local o apelido de “Paulinho Metanol”, em um episódio que resultou na morte de 16 pessoas.

Na época, Cavalcanti era diretor comercial da Sasil e a empresa vendeu a um comerciante de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, 19 bombonas (grandes embalagens plásticas usadas para armazenamento e transporte de produtos químicos) de álcool etílico. O comerciante, que produzia cachaça artesanal, usava os recipientes para preparar e armazenar a bebida.

Uma das embalagens, porém, estava contaminada com álcool metílico, também conhecido como metanol, material que, apesar de ter o mesmo aspecto e odor do álcool etílico, é extremamente tóxico para o consumo. O erro resultou, além das 16 mortes, em intoxicação de outras 20 pessoas – pelo menos duas ficaram cegas. O episódio ficou conhecido como “Tragédia de Santo Amaro”. Nenhum envolvido foi punido até hoje.

Cavalcanti, um dos acusados de comandar o esquema de fraude fiscal, teve a prisão decretada pela Justiça, mas não foi localizado pelos agentes da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público que, desde quarta-feira, cumprem 31 mandados de prisão, 129 de busca e apreensão e dezenas de ordens de sequestros de bens de 195 empresas e 62 pessoas.

Familiares de Paulo Sérgio são apontados junto com ele como líderes do esquema. Além dele e do irmão e sócio, Ismael César Cavalcanti Neto, também são investigados o filho de Paulo, Sérgio França Cavalcanti, a ex-mulher do empresário, Anita Maria França Cavalcanti, a esposa de Ismael, Maria Aparecida de Morais, e a matriarca da família, Aldair Montenegro Costa, mãe dos empresários.

Segundo familiares do empresário, ele está no exterior. O advogado de Cavalcanti, Gamil Föppel, afirma que sua recomendação ao cliente é que não se apresente até que “essa medida descabida” (a decretação de sua prisão temporária) seja revertida. “A operação foi desproporcional”, afirma. “Não há motivo para decretar prisão temporária de um investigado por crime tributário.”

Föppel diz que ainda não teve contato com o cliente, apenas com familiares, e avalia que o alcance da operação até o momento já é suficiente para que Cavalcanti possa ter a prisão temporária revertida. “Todo o patrimônio do meu cliente já foi apreendido”, afirma.

Propaganda. Entre os itens sequestrados, está uma ilha de 20 hectares no meio da Baía de Todos os Santos. A notícia de que a ilha havia sido confiscada pela Receita Federal e a divulgação de fotos do lugar causou agitação no mercado imobiliário de Salvador – empresários do setor confirmaram terem sido procurados por potenciais compradores do terreno. “A divulgação da operação, como foi feita, funcionou como uma grande propaganda da ilha”, diz uma conceituada corretora de imóveis de luxo de Salvador, que preferiu não se identificar.

Como os demais itens do patrimônio sequestrados pela Receita, porém, a ilha continua à disposição de Cavalcanti. Ele é impedido, apenas, de comercializar os bens confiscados.

Na ilha, ontem, apenas um funcionário do empresário foi localizado. Sem querer se identificar, ele passou boa parte do dia impedindo a atracação de barcos com pessoas desconhecidas. “Só com a autorização do dono”, dizia às equipes de reportagem que tentavam se aproximar.

A sede e os escritórios da empresa Sasil em Salvador voltaram a funcionar normalmente ontem, após um dia de ocupação por policiais federais e fiscais da Receita Federal. Os funcionários abordados pela reportagem informaram que os trabalhos foram retomados e não quiseram comentar a operação./ COLABOROU MARCELO PORTELA

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Já era tempo, quanto ao palpite de Cláudio Humberto, parece ser nova versão de “atirou no que viu e acetou o que não viu”.


Marco Lino on 19 agosto, 2011 at 15:00 #

Pois é, caro Fontana, DNA desvendado.

Para mim não faz a menor diferença em ser a ilhota do Guimarães ou do Costa Pinto Cavalcanti (será ele membro da tradicional família Costa Pinto?!). Aliás, a ilha do Guimarães é ainda maior – talvez, quem sabe, exista entre eles algum tipo de competição, tipo qual a maior, mais bela, mais cara, conseguida mais facilmente, quem pagou maior propina, etc, etc, etc.

No caso específico da ilha, a coisa mais importante, ao menos para mim que sou um amante incondicional da Baía de Todos os Santos, é saber como um patrimônio da União cai nas mãos sujas dessa suja gente, de modo que um cidadão de bem, pagador de impostos (que eles sonegam) e cumpridor de seus deveres, fica proibido de entrar, pescar ou simplesmente nadar em suas mornas, transparentes e tranqüilas águas. No caso da ilha do Guimarães, a Prefeitura de Jaguaripe negou o pedido de liberação do alvará de construção, mas não teve jeito, pois, como um verdadeiro deus, o nosso herói erigiu seu Éden. Segue a reportagem do A Tarde:

“Saraíba – a última das grandes ilhas da Baía de Todos os Santos, localizada entre a Ilha de Itaparica e o continente – pertence ao governo federal. Mas a posse de Guimarães é assegurada por uma inscrição de “ocupação precária”, emitida pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), ligada ao Ministério do Planejamento. O documento serve, na prática, como licença de uso particular do imóvel do Estado brasileiro. No site da SPU (www.spu.planejamento.gov.br), o processo envolvendo ocupantes do imóvel está identificado pelo número 50-76-011767-50.

O chefe da Gerência Regional do Patrimônio da União, em Salvador, se disse impedido de dar mais informações.

A Prefeitura de Jaguaripe recebeu solicitação de alvará para construir na ilha, em nome do ex-deputado. O pedido foi negado, mas, mesmo assim, as melhorias foram feitas. “Pode ser que ele (Marcelo Guimarães) tenha conseguido autorização em outra instância. Não tem como saber”, informou um servidor, que preferiu não se identificar.”


Marco Lino on 19 agosto, 2011 at 21:20 #

Somente para fazer justiça à geografia e ser mais preciso com a informação, a ilha da Operação Alquimia não é bem uma ilha, mas uma aguda península da porção noroeste da Ilha dos Frades, bem perto de Madre de Deus. Vi agora no Google e faço o registro.


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