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Posted on 13-08-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-08-2011


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DEU NO SITE BRASIL 247

Há exatos 25 anos, completados este sábado (13), morreu Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a Mãe Menininha do Gantois, aos 92 anos de idade. A ‘Oxum’ deixou os baianos por causas naturais, mas permanece na memória de muitos até hoje. Na sexta-feira (12), foi celebrada na Câmara Municipal de Salvador uma sessão especial dedicada à ialorixá que permaneceu por mais de 60 anos à frente do Terreiro do Gantois. A sessão foi proposta pela vereadora Marta Rodrigues, presidente da Comissão de Reparação da Câmara Municipal de Salvador, em parceria com a Secretaria Municipal da Reparação (Semur).

Instituição religiosa de origem ketu, o candomblé do Gantois historicamente mantém a política do matriarcado e de sucessão hereditária de linhagem consanguínea. A Mãe Menininha foi a quarta dirigente do templo religioso e teve que enfrentar o preconceito que a sociedade tinha em relação aos adeptos do candomblé, pois não havia liberdade de culto naquela época. Apesar de ter conquistado mais tolerância na década de 1930, com a Lei de Jogos e Costumes, as festas só podiam ser realizadas em horários determinados e mediante autorização por escrito.

Homenageada, Mãe Menininha recebeu muitos títulos e medalhas, como a dos Filhos de Gandhy – umas das que mais gostava – que a nomearam rainha do afoxé. Em 1972, Dorival Caymmi compôs a famosa música “Oração a Mãe Menininha”, que trazia os versos: “A beleza do mundo, hein? Tá no Gantois/ E a mão da doçura, hein? Tá no Gantois/ O consolo da gente, ai. Tá no Gantois…/ Ai, minha mãe. Minha Mãe Menininha”. Vinícius de Moraes, Maria Bethânia e Caetano Veloso eram algumas das inúmeras personalidades que se aconselhavam com Mãe Menininha.

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Cardinale, 73: “eles não se topavam”/DN-Lusa
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A atriz italiana Claudia Cardinale revelou no no Festival de Cinema de Locarno, na Suiça, onde foi homenageada , que os realizadores de cinema Luchino Visconti e Federico Fellini eram “dois mestres que se odiavam”.

As declarações da atriz que atuou sob o comando dos dois mestres do cinema italiano e mundial, foram publicadas com destaque na imprensa italiana, segundo noticia este sábado a agência Efe.É também um dos tíulos principais do dia no jornal Diário de Notícias, de Portugal.

A protagonista de “O Leopardo” acrescentou que os realizadores italianos “eram dois homens inteligentíssimos, cultos, mas antípodas. Detestavam-se profundamente, até ao ódio”, observou.

“Eram totalmente distintos, Luccino era um perfecionista que ensaiava cada gesto, cada entoação no mais profundo silêncio como no teatro; Federico trabalhava no meio da confusão, improvisava, era mágico, transformava a banalidade em algo misterioso”, acrescentou.

A atriz, de 73 anos, trabalhou com os dois realizadores em alguns dos melhores trabalhos destes. Com Visconti, fez “O Leopardo”, baseado no romance autobiográfico e póstumo de Giuseppe Tommasi de Lampedusa, enquanto com Fellini fez “8 1/2”.

Claudia Cardinale recordou que os filmes [ambos de 1963] foram filmados no mesmo ano, uma experiência que qualificou de “infernal” porque nenhum deles se “podia nem ver

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Patrícia Accioli
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OPINIÃO

Patrícia Acioli, a juiza e o exemplo

Maria Aparecida Torneros

O chocante assassinato da Juíza Patrícia Acioli, em Niterói, esta semana, crivada de balas, ao chegar sozinha em sua casa, é prova cabal do quanto uma sociedade pode estar refém dos “fora da lei”, e até que ponto pode chegar o desafio de retormar os rumos para se acabar com a impunidade que permeia uma rede de malfeitores, corruptos e corruptores, dentro e fora dos poderes constituídos, numa complascência que se sente incomodada quando alguém apenas é sensato, cumpre seu dever e aplica a lei, como a juíza morta tinha fama de ser linha dura para com o crime organizado.

Ela estava vestida com a toga que pretende “matar” as chances recorrentes dos criminosos oficiais ou oficiosos, daqueles que se gabam por aí, de não temer a justiça, a tal justiça que pode “até” se corromper, nalgum ponto frágil, possibilitando o exercício covarde de ataques mortais e odientos executados por encapuzados.

A ficção nos inunda sempre com histórias novelescas ou cinematográficas onde mulheres são vítimas ou mentoras de violência. Lembro de um filme, dos anos 80, intitulado Vestida para Matar ( Dressed to Kill) , do diretor Brian de Palma, com Michel Caine e Angie Dickisnson, fortemente influenciado pela obra de Alfred Hitchcock. Nele, uma mulher vive um tórrido caso extraconjugal com um estranho e é morta a navalhadas por psicopata, ao deixar o amante. Com a ajuda de uma única testemunha, o filho da vítima tenta descobrir quem a assassinou.

A novela das nove traz a figura da Norma, atualmente em evidência, criatura que age dubiamente no tocante a ser conivente com a transgressão da lei ou se fazer de vítima da realidade que é ter cumprido pena sem ter sido culpada dos crimes que um tal personagem chamado Leonardo cometeu e lhe jogou nas costas. Nas voltas da vida que a novela oferece aos telespectadores, a moça antes ingênua, torna-se ardilosa, talvez seja até mesmo a cúmplice perfeita para o criminoso frio de quem ela deseja se vingar, à primeira vista.

Mulheres vestidas para matar, mulheres marcadas para morrer, mulheres corajosas ao exercer seus direitos e deveres, mulheres que se escondem sob véus de hipocrisia, mulheres guerreiras para enfrentar discriminação , mulheres amedrontadas para decidir seu futuro, há uma plêiade de grande variedade entre nós, no tal mundo moderno, desde quando saímos às ruas, fomos para as universidades, fizemos concursos, ascendemos a postos de comando e decisão, assumindo responsabilidades e seus consequentes riscos.

Um artigo que li, já há algum tempo, assinado por Clóvis César Lanaro, diz o seguinte:
“Quando a sociedade é complacente com a violência, ou é culpada ou perdeu a esperança.
Quando a violência chega ao ponto de não fazer escolhas de ataque, quer chamar a atenção para algo mais profundo. E mais profundo do que a perda de uma vida.
E a que a violência quer chamar a atenção? Além de mostrar poder, a violência indiretamente mostra a hipocrisia da sociedade.”

No caso da morte da Juíza Patrícia Acioli, de cuja vida pessoal sabemos muito pouco, apenas que tinha 47 anos, deixou três filhos e há apenas uma foto dela com semblante calmo e risonho, tirada talvez em algum momento em que seu coração se sentia pleno de vida bem vivida, vida normal, vida conquistada com trabalho, com obrigações, com consciência tranquila do dever cumprido, mas, ela estava marcada para morrer, na lista dos magistrados que o crime organizado decide eliminar porque, naturalmente, devem representar impecilho para seus objetivos excusos, sua sede de ganhos atravessados, etc. etc.

O crime que vitimou Patrícia Acioli foi o primeiro registrado no Estado do Rio contra um magistrado em 260 anos. Alvejaram uma mulher, que foi assassinada exatamente assim, assassinada assim, à queima-roupa, manchando de sangue a história da magistratura brasileira.

Não sei como ela estaria vestida na hora em que sucumbiu aos seus carrascos, mas imagino que estivesse bem trajada, talvez tivesse deixado a toga no tribunal, mas , com certeza, vestida o modelo ideal para fazer justiça com as armas que a Lei oferece à Sociedade, fazendo cumprir a tal Lei Soberana, Patrícia estava “vestida para viver”, e embora tenha sido atingida, sabemos que nós honraremos sua memória, clamando punição para seus algozes, seriedade para as investigações, exclusão para os que compactuam com o crime nas lides judiciárias e policiais, e, sobretudo, um fim para a hipocrisia da nossa sociedade.

Patrícia, sua luta continua, porque é a luta de uma população que tem sensibilidade suficiente e é maioria. Os que a marcaram para morrer, podem até se julgar impunes e poderosos, mas são minoria e merecem que a justiça lhes sentencie cadeia!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária


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“Feita na Bahia”, música de Roque Ferreira. Vencedora do prêmio da música brasileira de 2010, categoria Canção.

BOM SÁBADO !!!

(VHS)

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Posted on 13-08-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 13-08-2011


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Mario, hoje, na Tribuna de Minas(MG)


Dilma:governo dá nó e aprovação cai
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ARTIGO DA SEMANA

Samba do Bexiga na casa da Dilma

Vitor Hugo Soares

A situação no governo Dilma Rousseff não só deu um nó esta semana, mas parece entrar na encruzilhada decisiva de seus rumos de perdição ou salvação diante do futuro político e administrativo. Tudo já se mostrava complicado desde o começo na composição frouxa e precária do time principal – apesar do comando de cara enfezada à la seleção de Mano Meneses – , mas se agravou ainda mais nestes primeiros dias de agosto que promete não negar fogo em sua tenebrosa tradição histórica.

A guerra surda no começo virou ultimamente tiroteio encarniçado com emboscadas públicas por espaços e verbas dos grupos de apoio e sustentação (PT, PMDB e PR, principalmente). Isso torna difícil uma previsão de quantas baixas e estragos maiores causarão ainda estes conflitos de poder antes de uma trégua ou do fim improvável do fuá, a julgar pela barulheira infernal destes dias.

Para complicar este cenário local de tumulto no qual outra vez as minguantes “forças de oposição” se fazem de mortas (ou será que foram dizimadas efetivamente?), avistam-se já nuvens densas que sopram dos Estados Unidos e Europa, ameaçando em breve bater sob forma de ventania nas costas brasileiras, causando abalos bem mais significativos que as “marolinhas” do governo Lula.

Olhando atentamente e com alguma dose de humor sempre indispensável, será fácil verificar que o desenho em Brasília, com repercussão por várias partes do País, está muito parecido com a “cínica situação” descrita em “Um Samba no Bexiga”, antiga mas sempre emblemática composição de Adoniran Barbosa. Não canso de citá-la periodicamente nos artigos que assino há anos neste e em outros espaços do jornalismo impresso e eletrônico.

Pizzas e bracholas (muita fumaça também ) – a exemplo da história contada na música -, voaram esta semana em Brasília, com respingos do Amapá à Bahia. Inevitável outra vez, portanto, a comparação com o famoso bafafá do samba paulista. Eu ouço, enquanto batuco estas linhas, Adoniran interpretá-lo no vídeo do encontro inesquecível com Elis Regina em uma cantina de São Paulo, disponibilizado no You Tube. Sugiro para quem quiser comprovar a genial atualidade da composição, ou simplesmente matar a saudade de dois artistas notáveis.

A letra, para os que ainda a desconhecem (este felizmente não deve ser o caso da presidente), narra a briga feia “num samba no bairro do Bexiga, na rua Major, na casa do Nicola, à mezza notte o’clok”, ao qual o sambista compareceu acompanhado de amigos. Ao contrário da “madame” de outra composição igualmente fantástica, esta do baiano de Santo Amaro da Purificação, Assis Valente, de volta às paradas na onda do sucesso da novela da Globo, Insensato Coração, Dilma proclama gosto e prazer pela música popular brasileira. Deve, portanto, saber de cor ou, no mínimo, ter escutado alguma vez a letra do sambista maior de São Paulo.

Ainda assim, vale dar palavra e voz ao próprio autor para cantar uma de suas criações mais antológicas, a partir da segunda estrofe, quando a bagunça já está instalada na casa do Nicola:

“Nóis era estranho no lugar/ E não quisemos se meter/Não fumos lá pra brigá, nós fumos lá pra comer. / Na hora “H” se enfiemos debaixo da mesa/ Fiquemo ali, que beleza, vendo o Nicola brigá / Dali a pouco escutemo a patrulha chegá/ E o sargento Oliveira falá / Num tem importância/ Foi chamada as ambulância/ Carma pessoal, / A situação aqui está muito cínica/Os mais pió vai pras Clínica”.

No caso do samba do Planalto, na casa da Dilma, a situação também já começa a ficar pra lá de “cínica”. Pizzas e bracholas são arremessadas de todo lado nas mais indiscriminadas direções – pelos partidos e seus principais arautos, pelo Congresso comandado por José Sarney; pela Polícia Federal em suas operações com as algemas de antes reforçadas pelo cinto amarelo amarrado na cintura dos detidos na Operação Voucher; pelas corporações insatisfeitas; pelo fogo amigo dos aliados do peito em suas insuperáveis e antropofágicas divergências; pelos ratos de porão em desespero e engalfinhados na briga centenária e desvairada que só conhece a toada da “farinha pouca meu pirão primeiro”.

Os estragos e furos começam a aparecer de todo lado. O mais gritante deles veio esta semana nas asas dos dados da pesquisa mais recente do Ibope, que registram abalos sensíveis na aprovação popular a Dilma Rousseff e ao seu governo.

Para a comparação de “Um samba no Bexiga” de Adoniran Barbosa ficar mais completa, falta talvez aparecer o sargento Oliveira no samba da casa da Dilma. Alguém com poder e traquejo suficientes para dar um tranco no bafafá, chamar as ambulâncias, mandar “os mais pió para as Clínicas”, acalmar o ambiente cada vez mais pesado, e recomeçar o batuque em outro tom.

Está difícil, mas o sargento Oliveira da briga paulista na casa do Nicola precisa baixar urgentemente no bafafá de Brasília.

Enquanto é tempo.

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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BOA NOITE!!!

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