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Posted on 11-08-2011
Filed Under (Artigos, Gilson) by vitor on 11-08-2011


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Mártires e Heróis

Gilson Nogueira

Toca o Trio Los Panchos, Contigo Aprendi. Um céu azul-silêncio, quase primavera, com nuvens róseas algodão-doce,brincando de aquarela, nas bordas da Lagoa do Abaeté e do Aeroporto, que já foi Dois de Julho, forma parte do quadro de tristeza espelhada na enorme tela de nylon a bailar na fachada de um prédio em construção, na Avenida Euclydes da Cunha, bairro da Graça, em Salvador.

Caminhando, por ali, há pouco, percebi, ao vento, um grande lenço branco, de mais de 70 metros de comprimento, por 40 de largura, tremular um adeus monumental aos nove heróis da vida que morreram, no início desta semana, aqui, na capital, após o elevador em que estavam, no edifício que construíam, despencar de grande altura.
Meu Deus!

A tragédia, com os conterrâneos, repercute, até agora, e faz o festeiro povo da Bahia parar para chorar – e rezar -, em manifestação de sua dor pela perda dos briosos operários do imóvel em construção, como, também, anonimamente, solidarizar-se com os familiares, companheiros de trabalho e amigos dos mortos.

Eles, os nove trabalhadores, vítimas da fatalidade, lídimos representantes da gente que faz do seu suor e do seu talento a argamassa de um Brasil com vergonha na cara, são, agora, merecedores de homenagens póstumas de todos os tipos e credos e devem ter, já, erigido, em sua memória, um monumento, feito com o coração, de granito, em praça pública, sob a forma do sol, já que, de algum modo, a luz daqueles homens continuará a iluminar o trabalho de cada dia.

A suposta quebra do eixo da roldana que sustentaria os cabos de aço do equipamento seria uma das causas da tragédia. Que seja feita justiça, então! E que os governos municipal e estadual lembrem-se de mandar providenciar, urgentemente, sem burocracia, o local adequado, para colocar o monumento aos mártires da construção civil.

Gilson Nogueira é jornalista


Paulo Bina
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OPINIÃO

Mistura de joio e trigo

Paulo Bina

Indignou-me a prisão de Colbert Martins Filho, Colberzinho, político e cidadão que tive o privilégio de conhecer no dia a dia da cobertura política da Assembleia Legislativa. Trata-se de uma pessoa da melhor qualidade, um político de boa cepa , pois em questões morais nada tem a dever do seu pai, a quem também conheci no ofício de repórter, o ex-prefeito e ex-deputado Colbert Martins.

O dirigente do Ministério do Turismo agora arrastado algemado com artefato de aparência medieval, apropriado, imagino eu, apenas para manietar loucos furiosos ou celerados violentíssimos, tem o nome fixado no panteão dos melhores que já passaram pelo Legislativo da Bahia , não apenas pela dedicação e competência, mas sobretudo pela conduta correta e homem de bem que ele é.

Note-se que uma súmula do STF disciplinou o uso de algemas de uma maneira que não deixa qualquer dúvida, figurando o uso desse pavoroso instrumento de detenção por conta de um abuso desnecessário e humilhante da autoridade policial.

Mas na quadra atual vivenciada pelos brasileiros de triunfo das nulidades, como advertia Ruy Barbosa no início do século passado, a prisão de Colbert Martins poucos meses após assumir o cargo é um desserviço à política e ao combate da corrupção que, mais do que a saúva, mina a nossa República ao misturar o joio com o trigo , tornando indistinguível o certo do errado, o meliante do homem de bem.

Sigo lendo com desalento as notícias desse episódio trágico pingadas a conta gotas no noticiário, sempre tendo como fonte apenas o MP e a PF que em tom monocórdio falam em provas robustas e sei mais o quê, num processo iniciado em 2009, quando a posse de Colbert ocorreu só em abril do corrente.

O conteúdo das gravações que estão sendo disponibilizadas para a imprensa em nada muda o escrito acima, pois não apontam envolvimento algum de Colbert Martins com a roubalheira. O discurso que se extrai de tudo é o seu cuidado político em não trombar com o proverbial Sarney e quanto a oportunidade de se liberar recursos oriundos de emendas quando a safra atual de escândalos já estava aberta.

Permaneço, portanto, convencido da sua probidade. Fiel à história do político e homem que conheço a mais de 20 anos. Lembro de outro baiano, o ex-governador Otávio Mangabeira que certa vez disse que sua vida pública já longeva nunca se prestou a mercancia. O mesmo, creio com firmeza, pode ser dito de homens como Colbert que não transigem com princípios, como nunca transigiram Paulo Jackson, Antonio Honorato, Zilton Rocha, Filemon Matos, Luiz Nova, Luiz Umberto, Jorge Hage e muitos outros que conheci na (também) longa lida que mantenho com a política da Bahia desde a minha formatura em 1982.

Em tempo:

Colbert Martins uniu toda a Assembleia da Bahia em torno de seu nome e biografia. Lembro ainda que ele é o recordista na obtenção dos prêmios Destaque Parlamentar que anualmente o Comitê de Imprensa entrega aos melhores deputados, quando mesmo de forma subjetiva a questão moral está sempre presente, pois competência, assiduidade e operosidade não podem ser dissociados da moralidade. E em pelo menos uma oportunidade ele chegou perto da unanimidade. Obteve 25 dos 27 votos possíveis

Paulo Bina , jornalista, ex-editor de Política da Tribuna da Bahia, chefia a assessoria de imprensa da Assembléia Legislativa da Bahia.

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Posted on 11-08-2011
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De Luiza Damé, O Globo

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que vê com tranquilidade o resultado da pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que mostra queda na aprovação do governo.

Segundo a pesquisa divulgada na quarta-feira, a avaliação favorável do governo (soma de ótimo e bom) caiu para 48%, no levantamento anterior, em março, era de 56%. A aprovação da maneira de a presidente governar também diminuiu, de 73% em março para 67% em julho.

– Temos que tratar com respeito e avaliar por que houve essa variação, mas não podemos pautar nossa atuação pela pesquisa. Ela sobe, ela desce, vejo com tranquilidade o resultado – disse a presidente em entrevista a rádios de Fortaleza.

Dilma disse também que o governo está atento à crise econômica.

– A bolsa (de valores) cai todo dia. Há um processo de fragilidade na Europa. Houve essa briga política no Congresso dos Estados Unidos, tudo decorrente da crise de 2008 – afirmou a presidente.

Dilma está no Ceará , onde visita nesta manhã as obras de terraplanagem da Companhia Siderúrgica do Pecém e inaugura a correia transportadora de minérios do Complexo Industrial.

Leia mais em Dilma se diz tranquila com resultado da pesquisa Ibope que aponta queda na aprovação do governo


(Informações do Blog do Noblat)


BOM DIA!!!

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Dica da jornalista Maria Olivia para o BP:

A OCP Comunicação e Maurício Pessoa Produções confirmaram nesta quarta-feira (10) todas as datas e locais da turnê de João Gilberto pelo Brasil neste ano. A série de shows celebra os 80 anos do artista e fazem parte do projeto “80 Anos: Uma Vida Bossa Nova”. Avesso aos holofotes e à mídia, João Gilberto se apresentou no país pela última vez em 2008. Na ocasião, foram comemorados os 50 anos do surgimento da bossa nova, gênero do qual é considerado precursor e maior difusor ao redor do planeta.

Saiba os locais e datas abaixo. Informações sobre os ingressos ainda não foram revelados:

28/10 – Teatro Castro Alves – Salvador
05/11 – Via Funchal – São Paulo
15/11 – Teatro Municipal do Rio de Janeiro
19/11 – Centro de Convenções Ulysses Guimarães – Brasília
25/11 – Teatro do SESI – Porto Alegre


DEU NA COLUNA RADAR (ONLINE) DA REVISTA VEJA, ASSINADA PELO JORNALISTA LAURO JARDIM:

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Colbert foi alertado

Colbert Martins não foi preso só por assinar o último pagamento a Ibrasi (leia mais em Pagamento irregular). Ele foi preso porque foi alertado sobre as graves irregularidades na Ibrasi por assessores jurídicos e mesmo assim assinou a liberação das verbas, o que foi enquadrado pela PF como omissão dolosa.

Por Lauro Jardim

Leia mais na coluna Radar(online) da Veja:

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

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Posted on 11-08-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 11-08-2011


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Miguel, hoje, no Jornal do Comércio(PE)

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Posted on 11-08-2011
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Tiririca, sem barba; “Na Câmara ninguém escuta ninguém”
Img.Lula Marques/FolhaPress

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Dica da jornalista Maria Olívia Soares para o Bahia em pauta:
“Deu na Coluna de Mônica Bergamo de hoje, de longe a melhor coisa da Folha de S. Paulo deste dia (11/8)

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Oito meses depois de assumir o mandato, o palhaço Tiririca já sabe responder o que faz um deputado federal: “É uma pessoa que trabalha muito e produz muito pouco”, diz. Isso porque a Câmara, na opinião dele, “é uma fábrica de loucos. Uma fábrica de loucos”. Os parlamentares muitas vezes varam as madrugadas em discussões intermináveis em que “ninguém escuta ninguém”. “Um deputado fala e nenhum presta atenção nele. Outro dia mesmo tinha um fazendo um discurso superbacana, sobre educação. Outro pediu a palavra. E reclamou: ‘Já pedimos para instalarem tomadas novas aqui e não instalaram’. É uma coisa de louco.”

Tiririca fica sempre calado em seu lugar, observando. “Se eu fosse fazer uma comédia disso aqui, seria o maior sucesso. Mas eu nem posso. Porque faço parte daqui. E tem o decoro parlamentar.” Ele não dá as declarações em tom de crítica. Apenas constata os fatos. “Tiririca tem razão. Mandou bem. Uma pessoa normal que assiste à sessão da Câmara pela primeira vez acha mesmo que é coisa de maluco”, diz o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

Eleito com 1,3 milhão de votos, a segunda maior votação da história para o cargo, Tiririca faz uma careta quando questionado sobre a possibilidade de concorrer à reeleição, em 2014. “Meus assessores dizem que todo mundo, no fim, gosta daqui, quer voltar. E que comigo vai ser assim também. Mas, por enquanto… não sei, não.”

A caminho do cafezinho da Câmara, onde lancharia um escondidinho de carne seca, Tiririca é parado a todo momento para dar autógrafos e tirar fotografias, até com outros deputados. Poucos reparam na novidade: ele tirou o bigode. “No fim de semana, eu tomei uns conhaques e fui fazer a barba. Aí meu filho disse: ‘Olha, pai, teu bigode ficou torto!’ Raspei o bigode.”

As pessoas entregam a ele CDs, cartas para encaminhar aos apresentadores Gugu Liberato, Tom Cavalcante e Ana Hickmann, seus colegas da TV Record, desenhos, livros de piadas. E fazem pedidos. Muitos pedidos. “O mais louco foi o de um cara que queria que eu entregasse uma música dele para o Julio Iglesias gravar. E nem era um CD. Era só um papel com a letra. Ele ficou uns cem dias me seguindo na Câmara.” ? Tiririca recebe 200 pessoas por dia em seu gabinete. “Às vezes, temos que organizar numa fila”, diz a assessora Edith Silva. Sempre grudada no deputado, atendendo o seu celular, pegando recado de parlamentares, alertando Tiririca quando jornalistas se aproximam, ela já ganhou até o apelido de “Florentina”.

“As pessoas me pedem cadeiras de rodas, emprego. E a gente encaminha. Outro dia uma senhora pediu medicamentos. Ligamos para o [hospital] Sarah [Kubitschek]. As pessoas sabem que, com um telefonema da gente, um abraço [o pedido é atendido]”, diz Tiririca. “Isso é sensacional.” O contato com “o povo”, diz, é uma das coisas boas do mandato. “Nos meus shows, eu fico no palco, distante. Aqui, não. Todos me param no corredor.”

“E tem gente até do Sul que vem aqui só pra me ver”, diz. “Torcem, rezam por mim. Uma senhora de 80 anos me disse: ‘Cê já apanhou? Então agora você vai apanhar’. E bateu com força nas minhas costas, de tão emocionada.”

Ele diz que não foi atingido pelos escândalos de seu partido, o PR. “Graças a Deus, não respingou em mim, não. Também, entramos só agora! As pessoas sabem que não temos nada a ver com isso.”


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OPINIÃO POLÍTICA

Poderes em desequilíbrio

Ivan de Carvalho

Ontem, ao tratar neste espaço da Operação Voucher da Polícia Federal, com a prisão de mais de 30 pessoas (o total de mandados de prisão preventiva ou temporária foi de 38), assinalei que “a PF conseguiu por as mãos – não algemas, que gostaria, mas cuja imposição abusiva o Supremo Tribunal Federal proibiu uns tempos atrás – em 33 pessoas”.

Ontem mesmo, mais tarde, vi na Internet foto de algumas das pessoas presas sendo conduzidas, algemadas e cada uma com um cinto laranja na cintura (invenção nova na PF brasileira). O erro do jornalista, provavelmente pela diferença entre o horário em que escrevi e o horário em que as algemas apareceram em cena, pode ser incômodo, mas tem pouca ou nenhuma importância ante o significado do fato.

Não faz muito tempo, o Supremo Tribunal Federal, consolidando sua jurisprudência – que inclui, com relatório do ministro Marco Aurélio Mello, a anulação de um julgamento do Tribunal do Júri da Comarca de Laranjal Paulista, por abuso na utilização de algemas –, editou a Súmula Vinculante 11, cujo teor é o que segue:

“Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado”.

As decisões precedentes do STF e a Súmula Vinculante 11 encontram seu fundamento, segundo deixa evidente a Corte Suprema em sua jurisprudência a respeito de algemas, na preservação da dignidade humana. Foi esta dignidade que a Polícia Federal, por seus prepostos envolvidos na Operação Voucher, agrediu, não apenas covardemente, mas numa atitude de ostensivo desacato a decisão do Supremo Tribunal Federal.

A ilicitude do procedimento da PF está evidente quando se verificam as condições em que as algemas (e os pirotécnicos cintos laranja) foram usadas. As algemas foram impostas aos presos – já sob pacífica custódia da Polícia Federal desde o momento em que lhes foi comunicada a prisão – para que fossem deslocados da detenção da Polícia Federal em São Paulo para o ônibus da própria Polícia Federal, ônibus que cheio de presos desarmados e agentes armados foi até o aeroporto, onde houve o embarque em avião da PF, igualmente muito bem guarnecido de agentes.

Em outras palavras: não houve resistência, não havia fundado (nem mesmo infundado) receio de fuga, nem perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros. Portanto, nenhum dos requisitos para o uso, excepcional conforme a súmula do STF, das algemas. O que o comportamento da PF permitiu foi que os presos (alguns deles, pelo menos) fossem fotografados algemados pela imprensa, com o que materialmente foi atingida sua dignidade humana, no entender da Constituição da República interpretada pelo STF.

Noticia-se que o ministro da Justiça determinou à Polícia Federal que esclareça seu procedimento, o que é chover no molhado, pois a súmula do STF já determina que isto seja feito, por escrito. A desobediência da PF ao STF, nos termos da Súmula Vinculante 11, implica na nulidade das prisões e dos atos processuais a que se refere. Também obriga à responsabilização disciplinar, civil e penal da autoridade.

Além disso, os presos algemados poderão processar a União por danos morais por haverem sido algemados e, quando for o caso, por indiciamento sem indícios e prisão sem causa, como certamente terá sido o caso do ex-deputado baiano Colbert Martins Filho.

De resto, se nada de sério acontecer por causa desse desacato da PF a decisão do Supremo Tribunal Federal, forçoso será convir que o Judiciário terá passado a Poder de segunda classe, o que há muito já aconteceu com o Congresso Nacional – fenômeno péssimo para garantia da liberdade e o exercício – até mesmo a preservação – de um regime democrático no país.


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BOA NOITE!!!

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