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OPINIÃO POLÍTICA

Solidariedade a Colbert é geral

Ivan de Carvalho

Operação Voucher, da Polícia Federal, desencadeada ontem. Foram 19 mandados de prisão preventiva, 19 de prisão temporária e sete de busca e apreensão. R$ 610 mil foram apreendidos e possivelmente documentos e objetos (computadores). A PF conseguiu por as mãos – não algemas, que gostaria, mas cuja imposição abusiva o Supremo Tribunal Federal proibiu uns tempos atrás – em 33 pessoas.

Uma pessoa pelo menos, afirmava-se ontem intensa e abertamente entre todos que a conhecem, no Congresso Nacional, na Assembléia Legislativa da Bahia e na cidade de Feira de Santana, não deveria estar entre os que foram presos, nem entre os suspeitos – o ex-deputado estadual e federal Colbert Martins Filho, do PMDB.

Em Feira de Santana, terra e base política de Colbert, a estupefação e a incredulidade inicial ante a prisão passou rapidamente à solidariedade e à indignação. A suspeita de corrupção contra ele foi por todos, inclusive por aliados e adversários políticos, vista como absurda, inconcebível, diante do comportamento dele durante toda a sua vida, privada e pública, como, a título de confirmação antecipada, pela exemplar conduta ética de seu pai, o ex-prefeito de Feira de Santana e ex-deputado federal Colbert Martins.

Na Assembléia Legislativa, todos os deputados que compareceram à sessão de ontem (dos mais variados partidos representados na Casa) assinaram “moção de desagravo” lida da tribuna pelo deputado Targino Machado, líder do bloco PSC-PTN. Entre os signatários, o deputado Zé Neto, do PT e líder do governo. Targino disse da tribuna que pela honestidade de Colbert põe “as duas mãos no fogo, sem medo de queimá-las”.

No Congresso, vários parlamentares se solidarizaram com Colbert Martins Filho e repudiaram a suspeita que lhe tenta impor a Polícia Federal. Um dos que se pronunciaram em sua defesa foi o deputado Sérgio Carneiro, do PT e como Colbert e Zé Neto, com base política e história pessoal em Feira de Santana.

Na verdade, uma leitura atenta do noticiário a respeito da Operação Voucher, no que diz respeito à suposta participação de Colbert Martins Filho, mostra que neste ponto a Polícia Federal perpetra uma palhaçada. O convênio suspeito vem desde 2009, três parcelas já haviam sido pagas, as prestações de contas feitas, nenhuma dúvida levantada sobre elas.

E então, com parecer favorável do setor jurídico do Ministério do Turismo, cai na mesa de Colbert, secretário nacional de Programas e Desenvolvimento do Turismo, o processo de pagamento da quarta e última parcela do convênio. Ele, no cargo havia menos de duas semanas, olha a papelada, que nada aponta de errado ou duvidoso, pelo contrário – e assina. Dali, o papel teria de ir ainda à mesa do ministro para receber a assinatura deste.

Ética e juridicamente, não há dúvida de que Colbert vai sair desta como um inocente injustiçado. Isto, a meu ver, cria para ele a obrigação de, como cidadão, processar a União por danos morais, infringidos a ele como indivíduo e à sua imagem pública de político, vital para pleitear mandatos eletivos, como tem feito.

O convênio suspeito, repito, vem de 2009. Vem do tempo em que no cargo hoje ocupado pelo ministro Pedro Novais, do PMDB, estava a hoje senadora Marta Suplicy, do PT. Que teve como chefe de gabinete e secretário executivo Mário Augusto Lopes Moisés, também preso ontem, juntamente com o secretário executivo atual, Frederico da Costa.
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Marta estava ontem muito ocupada em defender seu homem de confiança no Ministério do Turismo, Mário Moisés. E muito zangada por causa da Operação Voucher, que não deve ajudá-la a chegar novamente à prefeitura de São Paulo. Mas qual a razão que impede a Polícia Federal de solicitar a ela uma “audiência” para tomar seu depoimento sobre o caso?

Por menos que tenha a dizer, terá muito mais, sem dúvida, que Colbert Martins. Mas a senadora, segundo declarou, já disse, às ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, o que tinha a dizer. A PF e o povo que adivinhem

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Comentários

Carlos Volney on 10 agosto, 2011 at 15:34 #

Olha, esse episódio da prisão do ex-deputado Colbert mexeu comigo um pouco.
Não sou seu amigo, embora o conheça de alguns encontros em eventos políticos de que participei como assessor do então deputado estadual Renato Costa, de resto um amigo querido. Aliás, faço questão de frisar meu orgulho de ter exercido essa assessoria.
Pois bem, se já nutria simpatia e admiração à distância pela postura de político e cidadão de Colbert Martins Filho, mais se fortaleceu essa convicção por sua atuação vista de corpo presente.
É pois com convicção de estar fazendo justiça que aqui compareço para dizer de minha indignação com o episódio sob comentário.
Para mim, Colbert Filho é um dos poucos políticos que dignificam a condição de homem público, tal como bem fez seu pai, o inesquecível Colbert Martins.
Receba a solidariedade de um brasileiro comum, deputado, mas de um homem de bem tanto quanto o senhor.
O resultado final da apauração, estou certo, dirá da injustiça cometida e o fará aínda mais forte perante os seus amigos e todos os cidadãos corrretos.


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