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OPINIÃO POLÍTICA

A Defesa, o ministro e o assessor

Ivan de Carvalho

O governo e principalmente e seu setor militar começaram ontem uma experiência inédita no país. Tomou posse no cargo de ministro da Defesa o diplomata Celso Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores durante os oito anos do governo Lula.

Como têm assinalado analistas imparciais, bem como outros de diversas tendências políticas, o ministro da Defesa, ao qual estão subordinados diretamente os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, é de livre escolha do (a) presidente da República. Não compete aos militares manifestarem aprovação ou desaprovação e sim submeter-se à autoridade que sobre eles foi posta.

Mas uma coisa é a teoria, outra é a prática. Claro que militares não vão fazer passeatas nem divulgar notas oficiais e nem fazer discursos restritos aos quartéis a respeito do assunto. Seguirão com sua rotina de trabalho, indispensável a qualquer nação democrática no mundo atual.

Se as Forças Armadas têm regras constitucionais a obedecer numa democracia, continuam os militares na posse de seus neurônios e sinapses. Portanto, na posse de sua capacidade de pensar, ainda que advertidos, conforme chegou-se a divulgar, a não falarem o que pensam sobre a nomeação de Celso Amorim.

Pensam, muitos dos militares – e com notória razão – que o ministro da Defesa é um diplomata de “esquerda”. O fundamento ideológico ou o ideário (ideário é mais moderno que ideológico, uma palavra que rescende a mofo) das Forças Armadas é hoje democrático, conforme a Constituição, e não é de “esquerda”.

Quando, como ministro das Relações Exteriores, o atual ministro da Defesa privilegiou as relações com a mais que cinquentenária ditadura cubana de Fidel/Raul Castro, as Forças Armadas terão ficado quase tão preocupadas quanto ficaram quando o privilégio foi estendido ao fronteiriço regime do presidente-ditador Hugo Chávez. E quando o Brasil se humilhou desnecessariamente perante o governo estabanado de Evo Morales que, manu militari, apropriou-se de importantes instalações da Petrobrás na Bolívia.

Mas o pior de Amorim como chanceler foi sua desmesurada paixão pelo desajuizado regime iraniano e até por seu programa nuclear, que, em parceria com a Turquia, o governo brasileiro tentou subtrair às pressões internacionais que tentam assegurar-se de que seja apenas um programa nuclear pacífico.

Esse tipo de aproximação com o Irã poderá ter despertado, como advertem especialistas brasileiros e norte-americanos, a desconfiança das potências ocidentais em relação ao programa nuclear brasileiro. Desconfianças que já haviam sido desfeitas desde a presidência de Fernando Collor. A confiabilidade internacional do programa nuclear brasileiro é fundamental para o êxito da estratégia de defesa nacional, fundamental para os militares e, ao ver deles, para o Brasil.

E quando se tenta dormir no meio de um barulho desse, é aí que vem, ontem, o assessor presidencial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia – aquele do top, top, top do sigilo do caseiro Francenildo – e ensina: “Os militares sabem mandar e sabem obedecer, isso é uma coisa muito importante. Eles sabem que a comandante em chefe das Forças Armadas do Brasil se chama Dilma Rousseff, que ela delega grande parte desses poderes ao ministro da Defesa, que foi o ministro Jobim (…) e delega agora ao ministro Amorim”.

Ah, é, claro, que sapiência… mas o que levou o assessor de Assuntos Internacionais a dar pitaco em seara alheia, a da Defesa? E, meu Deus, será que vai continuar?

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