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Uma noite, há quase 20 anos, em uma de tantas e tão gratas passagens por Buenos Aires, liguei a televisão enquanto esperava Margarida aprontar-se para um passeio noturno regado de vinho, tango e comida deliciosa como só a capital portenha oferece em suas ruas, tanguerias, cafés e restaurantes apinhados de gente que parece nunca dormir.

Na tela da TV vejo-a pela primeira vez, sem acreditar no que os olhos mostram. Pisco repetidas vezes e ela segue lá: Adriana Varela, “la morocha de garganta con arena” (morena de garganta com areia), na descrição de perfeição absoluta feita pelo grande e saudoso Roberto Goyeneche, com a autoridade de um intérprete argentino só comparável a Gardel.

Naquela noite portenha, Adriana se apresentava em um espetáculo de gala, transmitido ao vivo do histórico e triunfal palco do Teatro Colón. “Unica, argentina y bien mujer!!!!”, como a ví ser descrita mais recentemente por um fã no You Tube , ela dominava tudo e encantava a todos à sua volta – dentro da sala nobre de espetáculo ou na frente da televisão, como este jornalista embasbacado.

Foi paixão ao primeiro canto, impossível de esquecer até mesmo pelo título da canção que ela interpretava naquele momento no Colon: “Cada vez que me recuerdes” . Em seguida, saí ainda flutuando pela Calle Esmeralda, com destino a Corrientes, onde comprei nas lojas tudo que já havia sido lançado até então pela “morocha portenha”. E olha que não havia sido lançado ainda o album “Maquillage”, com o qual ela conquistou todos os prêmios de música em seu País e tornou-se mundialmente conhecida e aplaudida.

O tango para começar esta quarta-feira de recordações portenhas é “Corrientes y Esmeralda”( minha esquina mais amada em Buenos Aires), composto em 1933 por Francisco Pracánico (música) e Celedonio Flores (letra) .A interpretado de Adriana Varela, acompanhada pela orquesta de Leopoldo Federico, é de dar tremores de emoção.Como naquela primeira noite em que a escutei na TV antes da noitada portenha.

Beijos baianos, morocha! Y hasta breve, se Dios quiera!!!

BOM DIA PARA TODOS OS LEITORES E OUVINTES DO BAHIA EM PAUTA!

(Vitor Hugo Soares, editor )

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Comentários

regina on 3 agosto, 2011 at 15:15 #

Caro e amado Hugo:
Nas minhas viagens de regresso a casa, passo sempre pela sua, pra revirar os CDs/DVDs e ver o que posso trazer comigo… Numa dessas, você me deu algumas copias dos discos de Adriana Varella, que guardava à sete chaves… Fui atrás desses Cds e encontrei, estou ouvindo e ensaiando um tango, devo acrescentar que também acabo de rever Zorba, O Grego, pela “milésima” vez…Gosto de saber que este teu site nos une mais do que o esperado!!!
Dancemos, diz Zorba, única forma de esquecer a dor!!!


vitor on 3 agosto, 2011 at 17:59 #

Regina

Que ótimas notícias!

Já havia dado falta dos preciosos CDs de Adriana Varela. Não recordava de que a presenteara com eles, mas agora descubro, contente, que os discos não poderiam estar em melhores mãos.

Ensaie bem o tango escolhido aí na costa do Pacífico, que vou treinar também aqui no Atlantico Sul, na beira da Baia de Todos os Santos.

Quem sabe, em breve, não o cantaremos e dançaremos às margens do Rio da Prata?

Saudades!

Hugo


regina on 3 agosto, 2011 at 18:04 #

Não, eu não tenho os originais, só cópias feitas por vc e regaladas a mim! rsrsrsr (tá ficando caduco????) 🙂


vitor on 3 agosto, 2011 at 18:31 #

Regina

Estou chegando cada vez mais perigosamente perto.

Vou procurar melhor os originais que andam sumidos, para tb ensaiar um tango pensando em Buenos Aires . “Enquanto é tempo”, como dizia ao explicar os motivos de seu livro de memórias o saudoso cronista da Bahia, Raimund Rreis.


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