jul
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Dilma Rousseff:erros e aprendizado/DN

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DEU NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS (PORTUGAL)

A Presidente brasileira mostrou que aprendeu com seus erros ao adotar uma resposta rápida às recentes denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, afirma o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“A reação de Dilma na crise no Ministério dos Transportes veio da avaliação do equívoco de prolongar a resposta no caso [Antonio] Palocci”, analisa Teixeira, em entrevista à Agência Lusa.

O especialista refere-se às denúncias publicadas em Maio pelo jornal Folha de S. Paulo contra o ex-ministro da Casa Civil, cujo património aumentou 20 vezes em quatro anos. Na ocasião, o Brasil testemunhou quase um mês de paralisia do governo até que Palocci pedisse demissão de seu cargo, no início de Junho.

A demora em dar uma resposta à sociedade teve um custo para a Presidente. Sondagens mostraram que Dilma sofreu um desgaste na sua imagem, em especial entre os formadores de opinião.

Um mês depois, uma reportagem da revista Veja iniciou um novo escândalo ao revelar um esquema de sobrefaturação de obras e cobrança de “luvas” no Ministério dos Transportes. Dessa vez, a reação da Presidente veio em 24 horas. Em menos de um mês, 20 funcionários do órgão tinham sido afastados, incluindo o então ministro, Alfredo Nascimento.

Para Teixeira, a mudança de postura ocorreu porque Dilma não pode passar uma imagem fragilizada. A Presidente precisa do apoio da opinião pública, já que não tem tanto carisma como seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. “Se o governo demorasse a agir, ficaria nas mãos do Congresso”, avalia o cientista político.


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Saudade eterna do velho Simona. Bom sábado para leitores e ouvintes do BP.

(Gilson Nogueira)

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BOM DIA!!! BOM SÁBADO PARA TODOS OS LEITORES E OUVINTES DO BP

(VHS)


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OPINIÃO POLÍTICA

Impostos sem remédio

Ivan de Carvalho

Durante a campanha eleitoral que a levou à Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff prometeu baixar os impostos dos medicamentos. O poder público toma quase 40 por cento dos preços dos medicamentos, assim impulsionando-os para cima.

Em um país em que a grande maioria da população é pobre ou miserável e onde o governo, papagaiado pela mídia, acaba de inventar que existe uma nova classe média chamada de Classe C – que na verdade é uma classe pobre um pouco envernizada – a promessa da então candidata e hoje presidente da República certamente repercutiu muito bem entre as muitas dezenas de milhões de eleitores miseráveis, pobres e pobres envernizados.

Mas depois que assumiu o cargo de presidente, Dilma Rousseff não tomou ainda a iniciativa de voltar ao assunto. Isso é compreensível por dois motivos.

O primeiro é que Dilma Rousseff encontrou, ainda que por gratidão ao antecessor (não pela herança) não confesse, uma herança maldita escondida antes e que começou a aparecer depois das eleições.

Anunciou então um corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal e quem se lança a uma empreitada destas certamente não está propensa a reduzir impostos seja lá do que for. Só o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tocou no assunto, mas assim bem por de sobre lá pelo alto, aproveitando para avisar que a promessa de Dilma não faz parte da reforma tributária em suposta discussão no país, mas, que bom, está sendo discutido nos setores de saúde do país.

O segundo motivo que explica o mutismo presidencial pós-eleitoral sobre a redução dos impostos sobre os medicamentos é uma tradição brasileira: a de, sempre que possível – e quase sempre é possível – aumentar os impostos para poder aumentar os gastos e não reduzir as despesas, mesmo que sejam plenamente redutíveis.

Mas se Dilma Rousseff não voltou ao assunto (pelo menos publicamente) o deputado federal José Antônio Reguffe, do PDT do Distrito Federal, resolveu tomar iniciativa radical e, com toda a certeza, mais justa do que a prometida por Dilma quando estava em campanha eleitoral. Reguffe apresentou um projeto de lei que pretende extinguir os impostos sobre todos os medicamentos, sejam os produzidos no Brasil, sejam os importados.

O objetivo óbvio, que ele se dá ao trabalho de explicar, é o de ampliar o acesso da população a esses produtos de primeira necessidade. E acrescento que seria uma maneira de o Estado brasileiro cumprir uma parte da obrigação que lhe impõe a Constituição da República, de assegurar a todo brasileiro o direito à saúde, razão que também explica a existência do SUS.

A Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais informa que, em média, 35,7 por cento do preço que o consumidor paga na farmácia são representados pelos impostos. Henrique Teda, diretor técnico executivo da entidade, afirma que em muitos países a tributação varia entre zero e cinco por cento.

Convém, no entanto, fazer duas breves observações. Uma é que àquela média nacional de 35,7 por cento de impostos sobre os medicamentos devem ser acrescentado o IPTU sobre os imóveis das farmácias, depósitos e indústrias de medicamentos e um monte de taxas também cobradas pela esfera municipal de poder. Com isso a média, já intolerável, sobe mais ainda.

O deputado Reguffe pediu à Receita Federal um levantamento e concluiu que a extinção de todos os impostos sobre medicamentos faria pouca diferença no Orçamento da União. Seriam R$ 3,3 bilhões, correspondentes a 0,16 por cento da arrecadação federal. Claro que a isso teriam de ser acrescentados os impostos estaduais, a exemplo do ICMS, que segundo Fernando Steinbruch, diretor do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, corresponde à metade do total de impostos incidentes sobre os medicamentos.

jul
30
Posted on 30-07-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 30-07-2011

Cielo: Senhor da piscina em Xangai

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DEU NO MSN

Após decepcionar nos 100 metros livre, Cesar Cielo se redimiu neste sábado ao faturar a medalha de ouro nos 50 metros livre no Mundial de Esportes Aquáticos de Xangai. Bruno Fratus não conseguiu repetir o bom desempenho das semifinais, quando registrou o melhor tempo das eliminatórias, e ficou em quinto lugar.

Cielo bateu na frente com o tempo de 21s52, o melhor da temporada. Ele superou sua própria marca anterior, de 21s66, registrada no Torneio Open de Paris, em junho. A medalha de prata ficou com o italiano Luca Dotto, com 21s90. O francês Alain Bernard, um dos principais rivais de Cielo, levou o bronze, com 21s92, depois de oscilar na semifinal. Ele havia avançado à final com o oitavo e último tempo.

Fratus chegou em quinto lugar, com 21s96, após desbancar Cielo na eliminatória de sexta-feira. O brasileiro não repetiu o tempo das semifinais, de 21s76, que o levaria à medalha de prata neste sábado.

Com a vitória, Cielo defendeu o título conquistado em Roma, em 2009, e se sagrou bicampeão mundial na prova mais rápida da natação. Atual campeão olímpico, o brasileiro também é dono do recorde mundial da distância, de 20s91, registrado quando os supermaiôs ainda eram permitidos pela Federação Internacional de Natação (Fina).

Em Xangai, Cielo acumulou sua segunda medalha de ouro. Antes, ele conquistara o título dos 50 metros borboleta. Depois do título, o velocista decepcionou ao ficar apenas em quarto lugar nos 100m, sem defender seu título mundial, mas compensou o revés com a medalha deste sábado.

A vitória contundente, que confirma o domínio do brasileiro na distância, acontece um dia depois de a Corte Arbitral do Esporte (CAS) colocar um ponto final na polêmica sobre o caso de doping envolvendo Cielo.

Na sexta, o tribunal divulgou o relatório final sobre o julgamento do brasileiro no qual isenta o atleta e atribui o resultado positivo no teste antidoping à contaminação do suplemento alimentar manipulado pela farmácia onde Cielo costumava comprar as cápsulas de cafeína consumidas em seus treinamentos.

jul
30
Posted on 30-07-2011
Filed Under (Charges) by vitor on 30-07-2011


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Simanca, hoje, no jornal A TARDE (BA)


Ministro Jobim: “fui amanuense de Fernando Henrique”
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ARTIGO DA SEMANA

JOBIM, O AMANUENSE DE FHC

Vitor Hugo Soares

As embaraçosas e polêmicas confissões do ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), sobre suas relações com os dois nomes da linha de frente da oposição nacional – Fernando Henrique Cardoso e José Serra -, na estreia do programa “Poder e Política – Entrevista” (parceria da UOL e da Folha), merecem figurar com louvor entre os destaques desta semana no País.

A entrevista do ministro de FHC, Lula e agora do governo Dilma, conduzida pelo jornalista Fernando Rodrigues, do grupo Folha, superou em muito os limites do simples trabalho profissional bem executado. Foi, além disso, uma realização quase completa na proposta de fugir às obviedades apelativas – cada vez mais comuns em programas do gênero – e focar no essencial, jornalisticamente falando: arrancar informação relevante, gerar fatos e, ao mesmo tempo, dar o que pensar e falar ao ouvinte ou leitor.

A conversa de Jobim com Rodrigues, escutada em Salvador pelo redator destas linhas, fez mais: conduziu a memória às nuances mais intrincadas do personagem-título do romance do mineiro Cyro dos Anjos, “O Amanuense Belmiro”, que considero desde as primeiras leituras na escola secundária um dos mais complexos e interessantes no rico e diversificado cardápio de figuras da literatura brasileira.

Transposto para o universo complicado do poder e da política no Brasil atual, isso vale também para o gaúcho ministro da Defesa. Não adianta disfarçar: vaza por todos os cantos o conhecimento de que nomes de peso e da primeira linha do petismo nacional, aparentemente tolerantes na superfície, viram araras quando o nome de Nelson Jobim vem à baila em conversas nas esferas mais altas do partido e nos gabinetes mais poderosos do governo Dilma.

A pinimba cercada de desconfianças mútuas é antiga. Começou a agravar-se, porém, no episódio traumático do afastamento do ministro Waldir Pires (PT-BA), com a participação direta da então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e mais direta e agressiva ainda da ex-chefe de gabinete e depois ministra defenestrada em meio a um dos muitos escândalos recentes da República, Erenice Guerra.

Mas a questão ganhou foro de guerra surda a partir de um caso bem mais recente. A ainda mal explicada expressão “idiotas”, introduzida pelo ministro da Defesa em seu discurso de tributo rasgado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, na cerimônia de homenagem pelos 80 anos do presidente de honra do PSDB, realizada no Congresso. No recinto, com a presença de parlamentares de proa do PT, até os próprios tucanos foram mais contidos que Jobim nas palavras e gestos de exaltação ao seu guru político e partidário.

Na entrevista de enorme repercussão esta semana, o ministro apesar de todo bafafá à sua volta nos núcleos do poder atual, parecia com vontade de entoar a todo momento a popular canção de enorme sucesso na interpretação de uma cantora do Rio Grande do Sul: “Tô nem aí”.

De certa maneira o gaúcho grandalhão, com fama de valente, fez isso em suas respostas ao entrevistador. E não apenas ao abrir com toda clareza e sem titubeios o seu voto para presidente no ex-governador de São Paulo José Serra, na eleição de 2010, vencida por Dilma Rousseff. Segundo Jobim, isso não era segredo para ninguém no governo, muito menos para Lula e Dilma, desde que ele decidiu ficar fora da campanha, “por motivos pessoais e institucionais” expostos diretamente em conversa “na lata” com o ocupante da principal cadeira de mando na época.

Foi liberado por Lula da campanha, depois de explicar a estreita ligação afetiva com o candidato tucano: “O Serra foi meu padrinho de casamento, eu morei com ele algum tempo aqui em Brasília. Quando vou a São Paulo normalmente eu janto com ele, vou ao Palácio (dos Bandeirantes) com minha mulher, nos damos muito bem”. Ponto.

Quanto ao amigo FHC, o ministro da Defesa foi ainda mais explicito e surpreendente ao falar sobre sua relação com o ex-ocupante do Palácio do Planalto, de cujo governo foi ministro da Justiça e de onde saiu para o Supremo Tribunal Federal, na única indicação de FHC para o STF.

“Tendo em vista as relações do PMDB eu tinha uma grande integração com o Fernando (Henrique).Trabalhei com o Fernando também, na Constituinte. Servi como uma espécie amanuense de Fernando Henrique, se essa expressão ainda significa alguma coisa para você e os ouvintes”, ressaltou o entrevistado dirigindo-se a Fernando Rodrigues, no único momento da entrevista em que o ministro demonstrou preocupação de não ser bem entendido em suas palavras e intenções.

A expressão amanuense, por acaso ou não, foi expurgada na publicação “da íntegra” da entrevista no portal da Folha.com/UOL, substituída pela palavra “assessor”, também utilizada pelo ministro de Dilma para falar da relação pessoal e política com FHC. Uma pena para quem admira o escritor mineiro Cyro dos Anjos e a sua obra-prima “O Amanuense Belmiro”, como este ouvinte à distância da entrevista.

Amanuense, diga-se, é muito mais do que um simples assessor, figura que grassa atualmente em qualquer esquina da burocracia oficial. Por força de sua origem, a palavra designa qualquer pessoa que copia textos ou documentos à mão, o que praticamente não existe mais em tempos cibernéticos, a não ser nos resistentes cartórios da Bahia.

Mas preserva ainda o significado simbólico da palavra originária do latim amanuensis, por sua vez, como explica a Wikipédia, derivada da expressão latina “ab manu” (à mão). Assim como o personagem do romance famoso. Ou o ministro Nelson Jobim em sua relação com Serra e FHC. Ou não?

Vitor Hugo Soares é jornalista. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br


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BOA NOITE!!!

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