João Durval: batalha em Feira de Santana

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OPINIÃO POLÍTICA

Durval e a sucessão em Feira

Ivan de Carvalho

O prefeito de Feira de Santana, Tarcízio Pimenta – eleito pelo Democratas, cujo líder mais popular no município é o ex-prefeito José Ronaldo, cujo apoio foi decisivo para que Pimenta chegasse, e com facilidade, ao seu atual cargo – quer repetir o mandato.

Ocorre que José Ronaldo pretende disputar a prefeitura nas eleições do ano que vem e ele tem o controle do Democratas, que não pode ter dois candidatos a prefeito. Como Tarcízio não se conforma em devolver o cargo a José Ronaldo, salvo se por eventual e bem possível imposição do eleitorado, ele precisa sair do DEM.

Então, para onde ir? Tarcízio sempre foi políticamente ambicioso e ousado, estas são duas qualidades que ninguém lhe pode negar. Atua como sugere seu nome, pimenta. Assim, decidiu futucar o cão com vara curta. Ou, numa linguagem mais amena, decidiu ingressar no PDT, exatamente o partido ao qual está filiado o senador João Durval, cuja origem e grande parte da história política estão sediadas em Feira de Santana.

O senador, embora já em idade avançada e provavelmente sem planos de disputar futuras eleições, não estará feliz com a circunstância de cair de pára-quedas na seção municipal feirense de sua legenda uma liderança que com toda a certeza vai dividir com a dele a influência na sessão municipal e, mais do que isto, acabará influindo mais.
Outro motivo de irritação do senador João Durval deve estar ligado aos planos políticos do filho e deputado federal Sérgio Carneiro, do PT. Sérgio admite que, se as circunstâncias forem favoráveis, seu nome estará aí à disposição para candidato a prefeito de Feira. Acontece que o PT tem um outro nome em campo, o do deputado estadual Zé Neto, líder do governo na Assembléia Legislativa.

Mas a eventual candidatura de Sérgio Carneiro a prefeito talvez seja apenas uma estratégia. O plano para valer seria o de ser indicado pela bancada federal do PT para ministro do Tribunal de Contas da União, para o que currículo e méritos não lhe faltam. Se ele quer isso, alguma movimentação em torno de uma eventual candidatura a prefeito de Feira pode ter algum peso a favor do verdadeiro objetivo – abrir mão do objetivo eleitoral para ganhar apoios à pretensão de ir para o TCU.
Nesse caso, a irritação do senador com a maneira como o ingresso de Tarcízio Pimenta no PDT foi tratado, sem que ele, senador, fosse consultado ou tivesse suas opiniões levadas em conta, pode ter algo a ver com os planos do filho Sérgio. Algo, mas não tudo.

É evidente que, como ex-prefeito de Feira de Santana duas vezes, ex-governador, um dos três senadores pela Bahia – como os outros dois, integrado à base do governo Jaques Wagner –, João Durval, com a forte simpatia de que ainda desfruta junto ao eleitorado de toda a região do sisal e de boa parte dos funcionários públicos da Bahia, considera-se com direito a influir nas decisões de seu partido, o PDT, bem como a ser tratado com deferência.

Pelo conteúdo e termos da extremamente incômoda nota que emitiu ontem, não lhe foram dados, na sua opinião, nem o direito nem a deferência. Quanto à saída a curto ou médio prazo do PDT, não pode, ainda que queira, sob pena de perda do mandato de senador, do qual ainda tem pela frente três anos e meio. A não ser que o partido se comprometa formalmente, por documento irretratável, a não reivindicar judicialmente sua cadeira. Mas não há este compromisso.

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