Uma das paisagens urbanas mais famosas do Brasil, o Pelourinho, em Salvador (BA), pode ganhar um palco milionário para shows; opositores do projeto veem risco de mutilação do centro antigo/TM
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CLAUDIO LEAL

O Ministério Público Federal (MPF) da Bahia vai investigar o projeto de um “palco articulado” milionário no Pelourinho, no centro histórico de Salvador, a partir da denúncia feita pelo ex-diretor regional do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) Fernando da Rocha Peres, em entrevista publicada por Terra Magazine. Peres expôs o risco do projeto para o conjunto arquitetônico considerado patrimônio da humanidade pela Unesco.

Nesta quinta-feira (28), o caso foi distribuído para a procuradora Bartira de Araújo Góes, no ofício de meio ambiente e cultura. No final da tarde, ela decidiu abrir um procedimento administrativo e, como primeira iniciativa, pedir informações ao Iphan.

Em 19 de julho, o Diário Oficial da União abriu a licitação do palco – projetado em formato de gaveta -, de autoria do arquiteto Pasqualino Magnavita, com valor de R$ 4.719.649,93 e avalizado pelo Ipac (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural).

O chefe de gabinete do Iphan na Bahia, Mateus Morbeck, diz que o órgão fez pequenas exigências ao projeto, aprovado em sua versão prévia. O Escritório Técnico (Etelf), composto por representantes do Iphan, da Prefeitura de Salvador e do governo do Estado, avaliará a formatação final da obra.

“O estudo preliminar foi aprovado. O Iphan fez as avaliações e foram feitas algumas exigências que estão sendo cumpridas. Conceitualmente, o Iphan não tem o que se opor”, diz Morbeck. Procurado por Terra Magazine, o superintendente regional do órgão de proteção ao patrimônio, Carlos Amorim, não concedeu entrevista.

Na quinta-feira, 21 de julho, a assessoria do Ipac afirmou que as obras tinham a aprovação do Iphan. O diretor do organismo estadual, Frederico Mendonça, também evitou dar entrevista. Esperava-se o pronunciamento em conjunto dos secretários de Turismo e de Cultura, além da chefia de gabinete do governador Jaques Wagner (PT). A coletiva estava prevista para esta semana. Em 2010, uma versão preliminar do projeto foi divulgada no YouTube e indicava a construção de um prédio moderno em meio às construções seculares.

Projeção do palco no Pelourinho, divulgada em 2010 pelo governo da Bahia

“Gavetão”

Reformado no governo de Antonio Carlos Magalhães, na década de 1990, o Pelourinho vive uma crise de violência, crescimento do crack e decadência do comércio. O governo de Jaques Wagner criou um escritório para conduzir as intervenções no centro da primeira capital do Brasil. Até agora, a iniciativa de maior vulto é o projeto milionário do palco “gavetão”, projetado para abrigar shows e espetáculos no Largo do Pelourinho, onde estão a Igreja do Rosário dos Pretos e a Fundação Casa de Jorge Amado.

Especialista em patrimônio e professor emérito da Universidade Federal da Bahia, Fernando da Rocha Peres se indigna com o risco de mutilação de uma das mais importantes paisagens urbanas do País. “A vibração é tão intensa que vai detonar o casario e a igreja. Esse palco é para iludir a população, mais uma vez, com festas populares”, ataca. Peres critica o comportamento dos jornais baianos, que se omitem na polêmica sobre o Pelourinho. “Os jornais locais preferem ignorar esse assunto”, lamenta. Ele afirma que o palco agravará a “destruição da velha Salvador”.

Numa reunião na Academia de Letras da Bahia, o abade do Mosteiro de São Bento, Dom Emanuel D’Able, relatou que os beneditinos retiram as obras-de-arte do museu, na semana do Carnaval, para evitar a destruição das peças durante a passagem dos trios elétricos, no circuito da avenida Sete de Setembro. Os críticos do palco milionário evocam essa ameaça ao Pelourinho e questionam a prioridade da obra, pois o processo de arruinamento se acelerou em centenas de casarões da cidade histórica.

Decoração

A montagem da nova sede nacional do Iphan, no Edifício Lucio Costa, em Brasília, expôs outro foco de polêmica na Bahia, apesar de desmentidos do instituto. Terra Magazine apurou que uma parte do mobiliário da Casa dos Sete Candeeiros, um palacete do século XVIII, em Salvador, foi preparada para ser conduzida à sede nacional. O Iphan da Bahia, responsável pela guarda dos móveis e da imaginária do prédio, onde funciona o setor de restauração e arqueologia, negou ter definido o envio das peças, mas admitiu a existência de uma demanda.

A assessoria de comunicação do Iphan, na capital federal, desmente a existência do pedido de transferência e de qualquer documento. O presidente do instituto, Luiz Fernando de Almeida, teria conduzido apenas “uma conversa quase que informal” com superintendências estaduais, para averiguar a “representatividade” das peças históricas de diversas regiões do País, com levantamentos fotográficos.

“Tomei até um susto. A gente não tem conhecimento dessa transferência do mobiliário. Recebemos uma consulta da presidência do Iphan, que está montando a nova sede em Brasília. Eles estão consultando o Brasil todo, para que a nova sede do Iphan tenha peças que sejam representativas de todo o patrimônio cultural do Brasil. Mas ainda não foram definidas quais peças serão”, garante Mateus Morbeck, o chefe de gabinete do Iphan-BA.

Segundo o técnico, não é “verídico” que os móveis estejam embalados. “Não foi fechado que material vai, quanto tempo vai ficar. Por isso, achei estranha essa informação de que estejam embalados pra levar. Me causa surpresa”, acrescenta Morbeck.

O historiador Fernando da Rocha Peres identifica uma ameaça ao patrimônio baiano nas movimentações do Iphan. “É estranho porque, anteriormente, isso seria inconcebível. Nem no período da ditadura militar aconteceu algo desta natureza. Quando ocorria a saída de uma peça, era por empréstimo, por pouco tempo. Uma ou duas peças para uma eventual exposição. Se as peças, que vão sair da Bahia, são para decorar a nova sede do Iphan em Brasília, me parece estranho e indevido, porque vão retirar objetos que pertencem à cultura e à história da Bahia. Isso pode significar, quem sabe, até um desaparecimento desses objetos, como tem acontecido. É inadmissível que este governo federal, que se diz tão sério e correto, permita uma coisa desta natureza”, Peres contesta.
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Projeto do Gavetão do Pelô/Img.TM

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Leitores e ouvintes do Bahia em Pauta:

Desculpem a ausência do editor do BP de suas funções esta tarde de quinta-feira, mas posso garantir que a parada foi por motivo justo e razões de sentimentos impossíveis de fugir, ainda mais tratando-se de românticos à moda antiga.

Bem, este é o nariz de cera do jargão jornalístico. O fato é que depois do almoço liguei a TV exatamente no momento em que o canal privado Cult começava a representar um dos meus filmes mais apreciados desde sempre: “Os Yankees estão Chegando” (Soldier), co-produção anglo-americana, dirigida por John Schelsinger, com super elenco de notáveis atores e atrizes dos dois países, a exemplo de Vanessa Redgraves e que marca o início da carreira de Richard Gere.

O tema é simples assim: Durante a Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos estabeleceram bases militares na Grã-Bretanha como parte do esforço de guerra. Muitos britânicos não gostaram muito da chegada dos ianques impetuosos em seu território, mesmo como aliados, especialmente quando os soldados faziam avanços sobre as “meninas solitárias” da Grã Bretanha, algumas cujos namorados também estavam longe,combatendo.

Bem, mais não conto para não estragar o prazer de quem ainda não viu este belissimo filme e pode fazê-lo. Se achar uma cópia em boa locadora, não perca. Este editor recomenda, fervorosamente!

A trilha sonora é uma maravilha à parte. Para provar, aí vão duas versões da música-tema “I’ll Be Seeing You”: uma original do filme, com a orquestra de Tommy Dorsey e Frank Sinatra como crooner. A outra, com letra, interpretada pela insuperável Billie Holiday. Confira.

(Vitor Hugo Soares)

jul
28
Posted on 28-07-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 28-07-2011


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Ontem (27) à tarde, a apresentação do Kivideobiopsicomassafolk” criado pelo professor Gilberto Felisberto Vasconcelos e seus alunos na Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Cinco filmes feitos pelo grupo foram apresentados, demonstrando um pouco a estética essencialmente marxista, com inspiração declarada no pensamento e obra de Gláuber Rocha.

Os vídeos experimentais expõem os pensamentos de um cinema revolucionário, comunista, anti-imperialista e que escapa, segundo Gilberto, do inimigo egóico do diretor.

O diálogo que se seguiu com o professor e o jornalista João Carlos Teixeira Gomes foi centrado na figura de Glauber Rocha. O pensamento do cineasta baiano foi discutido, explicado e comtemplado de maneira apaixonada. Dois glauberianos juntos, Joca e Gilberto Vasconcelos, encantaram a platéia presente ao VII CineFuturo, no Teatro Castro Alves.

(Maria Olívia Soares, jornalista colaboradora do Bahia em Pauta, que participou ontem do evento “Dialogos”, do CineFuturo, no TCA)


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BOM DIA!!!

O pai da cantora Amy Winehouse, falecida sábado, em Londres, anunciou que pretende criar uma fundação com o nome da filha para prestar apoio a pessoas viciadas em drogas e álcool.
Mitch Winehouse anunciou esta intenção após a realização da cerimónia fúnebre de Amy, cuja carreira foi minada por problemas de adição a drogas e álcool, e cuja causa de morte continua por explicar, aguardando os resultados dos exames toxicológicos.

«Se as pessoas não podem pagar um tratamento numa clínica privada, existe uma lista de espera de dois anos» nas instituições que apoiam pessoas com estes problemas, comentou o pai de Amy Winehouse.

A cantora tinha terminado recentemente uma cura de desintoxicação e tentou um regresso aos palcos através de uma turnê europeia, que acabou cancelada após uma atuação desastrosa num concerto em Belgrado.

Mitch Winehouse relatou que a filha «queria mesmo deixar a bebida», estava na terceira semana de abstinência, e «mais feliz do que nunca».

O presidente da Comissão dos Assuntos Internos na Câmara dos Comuns do Reino Unido, Keith Vaz, também propôs ajudar o pai da cantora a criar esta fundação.

jul
28
Posted on 28-07-2011
Filed Under (Newsletter) by vitor on 28-07-2011

deu no ig

Usuários de planos de saúde podem, a partir desta quinta-feita, mudar de operadora sem ter de cumprir um novo prazo de carência. A medida vale para cliente de plano individual, familiar e coletivo por adesão (contratado por meio de conselho profissional, entidade de classe, sindicatos ou federações). Os usuários de planos empresariais, aqueles contratados pelas empresas para seus funcionários, estão de fora.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estima que mais de 13 milhões de pessoas foram englobadas pela nova medida. Para fazer a troca de plano sem nova carência, o usuário precisa estar com as mensalidades em dia. A portabilidade deve ser feita para um pacote de serviços de igual valor ou mais barato.

A agência reguladora disponibiliza um guia que cruza dados e compara mais de 5 mil planos de 1.400 operadoras do mercado como forma de ajudar o consumidor que deseja mudar de plano. O guia pode ser encontrado no endereço eletrônico www.ans.gov.br.

As operadoras tiveram 90 dias para se adaptar à nova norma. Quem descumpri-la pode sofrer penalidades, como pagamento de multa.

João Durval: batalha em Feira de Santana

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OPINIÃO POLÍTICA

Durval e a sucessão em Feira

Ivan de Carvalho

O prefeito de Feira de Santana, Tarcízio Pimenta – eleito pelo Democratas, cujo líder mais popular no município é o ex-prefeito José Ronaldo, cujo apoio foi decisivo para que Pimenta chegasse, e com facilidade, ao seu atual cargo – quer repetir o mandato.

Ocorre que José Ronaldo pretende disputar a prefeitura nas eleições do ano que vem e ele tem o controle do Democratas, que não pode ter dois candidatos a prefeito. Como Tarcízio não se conforma em devolver o cargo a José Ronaldo, salvo se por eventual e bem possível imposição do eleitorado, ele precisa sair do DEM.

Então, para onde ir? Tarcízio sempre foi políticamente ambicioso e ousado, estas são duas qualidades que ninguém lhe pode negar. Atua como sugere seu nome, pimenta. Assim, decidiu futucar o cão com vara curta. Ou, numa linguagem mais amena, decidiu ingressar no PDT, exatamente o partido ao qual está filiado o senador João Durval, cuja origem e grande parte da história política estão sediadas em Feira de Santana.

O senador, embora já em idade avançada e provavelmente sem planos de disputar futuras eleições, não estará feliz com a circunstância de cair de pára-quedas na seção municipal feirense de sua legenda uma liderança que com toda a certeza vai dividir com a dele a influência na sessão municipal e, mais do que isto, acabará influindo mais.
Outro motivo de irritação do senador João Durval deve estar ligado aos planos políticos do filho e deputado federal Sérgio Carneiro, do PT. Sérgio admite que, se as circunstâncias forem favoráveis, seu nome estará aí à disposição para candidato a prefeito de Feira. Acontece que o PT tem um outro nome em campo, o do deputado estadual Zé Neto, líder do governo na Assembléia Legislativa.

Mas a eventual candidatura de Sérgio Carneiro a prefeito talvez seja apenas uma estratégia. O plano para valer seria o de ser indicado pela bancada federal do PT para ministro do Tribunal de Contas da União, para o que currículo e méritos não lhe faltam. Se ele quer isso, alguma movimentação em torno de uma eventual candidatura a prefeito de Feira pode ter algum peso a favor do verdadeiro objetivo – abrir mão do objetivo eleitoral para ganhar apoios à pretensão de ir para o TCU.
Nesse caso, a irritação do senador com a maneira como o ingresso de Tarcízio Pimenta no PDT foi tratado, sem que ele, senador, fosse consultado ou tivesse suas opiniões levadas em conta, pode ter algo a ver com os planos do filho Sérgio. Algo, mas não tudo.

É evidente que, como ex-prefeito de Feira de Santana duas vezes, ex-governador, um dos três senadores pela Bahia – como os outros dois, integrado à base do governo Jaques Wagner –, João Durval, com a forte simpatia de que ainda desfruta junto ao eleitorado de toda a região do sisal e de boa parte dos funcionários públicos da Bahia, considera-se com direito a influir nas decisões de seu partido, o PDT, bem como a ser tratado com deferência.

Pelo conteúdo e termos da extremamente incômoda nota que emitiu ontem, não lhe foram dados, na sua opinião, nem o direito nem a deferência. Quanto à saída a curto ou médio prazo do PDT, não pode, ainda que queira, sob pena de perda do mandato de senador, do qual ainda tem pela frente três anos e meio. A não ser que o partido se comprometa formalmente, por documento irretratável, a não reivindicar judicialmente sua cadeira. Mas não há este compromisso.

jul
28
Posted on 28-07-2011
Filed Under (Artigos) by vitor on 28-07-2011


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Simanca, hoje, no jornal A Tarde (BA)

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