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ARTIGO

Dilma atira, mas não mata

Janio Ferreira Soares

“Um milhão de dólares era a meta dos fora da lei, porem tinham que enfrentar o mais rápido gatilho do oeste!”. Esta era a frase escrita no cartaz de Ringo não perdoa, clássico do western italiano estrelado por Giuliano Gemma, numa época em que os bandidos da ficção eram da categoria de um Fernando Sancho ou de um Lee Van Cleef e não iguais a esses bandoleiros sem charme que ostentam apavorantes cabelos acajuados destoando das rugas e da flacidez, que não se cansam de mandar bala na tela do judiado Cine Brasil.

Não sei até que ponto a presidente gosta do estilo ou se já assistiu a algum filme do gênero, mas sei que ela foi bem rápida ao sacar o seu Colt 45 para abater alguns componentes da turma que aprontava há anos no Ministério dos Transportes, tendo como trilha sonora o tema de Chapeuzinho Vermelho. (A parte favorita deles era: “… a estrada é longa e o caminho é deserto…”, que muitos cantarolavam enquanto carregavam cestos e mais cestos de guloseimas para consumo próprio e para satisfazer o enorme apetite do vovô Pagot e do lobo mau Waldemar, velho e matreiro guará do cerrado).

O problema, minha cara Lady Rousseff, é que a senhora sabe muito bem com quantos aditivos se faz uma “excelência” e como as coisas funcionam neste País. E também sabe que essa patota de astutos marsupiais – que aqui no sertão tem no sariguê o seu mais ilustre representante -, está acostumada a levar chumbo grosso nos cornos e se fazer de morta sempre que o perigo ronda, até que haja a reação dos caciques com retaliações e chantagens, o que faz com que neguinho se recupere e saia por aí em busca de novos cenários.

E agora, dona Dilma Wayne, fazer o quê? Recarregar o Colt e se entrincheirar no Alvorada mandando bala nessas quadrilhas instituídas correndo o risco de ferir velhos companheiros, – mas ficar de bem com a galera – ou, feito uma xerife desiludida arrancar a estrela vermelha do peito e perder a grande chance de dar uma limpa geral neste fétido e mofado saloon chamado Brasília?

Música de Morricone, please!

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura e Turismo de Paulo Afonso, lado baiano do vale do Rio São Francisco

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Comentários

Graça Azevedo on 23 julho, 2011 at 19:36 #

Esta é a pergunta que, os que um dia acreditamos no sonho, nos fazemos.
Grande texto!


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