Lídice e Wagner: PSB é incógnita na diputa municipal

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OPINIÃO POLÍTICA

Problemas para o governador

Ivan de Carvalho

Depois dos atos ostensivos que marcaram a presença de Lula na Bahia – inclusive o simpático, inteligente e merecido rapapé diversionista perpetrado pelo ex-presidente Lula e pelo governador Jaques Wagner a dona Canô, assentada no trono de seu reino, para fazer-lhe momentânea felicidade e deixar os baianos de alma elevada e enlevada – houve um encontro reservadíssimo no Palácio de Ondina.

Lá, o ex-presidente, o governador e os seletíssimos convidados abordaram, segundo informações ainda esparsas e pouco aprofundadas, questões sisudas, tais como a sucessão municipal de Salvador, o destino político do governador Jaques Wagner e obras da área dos Transportes. Consolida-se a opção de Wagner pela disputa de um mandato de deputado federal em 2014. Isto facilita ao PT construir uma aliança em torno de seu candidato a governador, Sérgio Gabrielli, porque Wagner não disputaria a eleição majoritária de senador, o que poderá ser feito por candidato de partido aliado. Também garante que Wagner não ficará quatro anos sem mandato eletivo.

Também terão sido abordados na reunião em Ondina problemas relacionados com transtornos que passaram a envolver importantes projetos da área de transportes na Bahia depois que estourou a crise no Ministério dos Transportes e houve a exoneração do ministro Alfredo Nascimento, do PR. Dificuldades surgiram até mesmo para a obra mais importante na Bahia, a ferrovia Oeste-Leste.

Não vamos fazer a tentativa fútil de enfiar todos esses temas nos limites deste espaço. Não caberiam numa só edição. Adiante trataremos somente da sucessão municipal. No momento, existem nada menos que 11 partidos anunciando candidaturas a prefeito de Salvador. Dez acenam com nomes, o PSB apenas com a afirmação de que terá um nome. A senadora Lídice da Mata seria o óbvio, mas ela não parece ansiosa para disputar, talvez seus planos estejam focados nas eleições de 2014 para governador. No PSB, no entanto, muitos a pressionam a correr riscos, ainda mais que, se perder a eleição para a prefeitura, continuará senadora. O PSB tem uma orientação estratégica nacional de disputa de prefeituras de capitais, onde for possível. Além de Lídice, o secretário estadual de Turismo Domingos Leonelli e Sérgio Gaudenzi são outros nomes do PSB.

Mas ainda existem, além do PSB, e sem contar PSOL e outros mais miudinhos ainda, dez partidos com candidatos declarados ou em potencial. Claro que deverá ocorrer uma forte redução no processo. Digamos, só para raciocinar, 50 por cento. Ainda sobrariam cinco ou seis candidaturas. Pelo menos três na base política do governo estadual.

A questão é: conseguirá ou não o governador e seu governo unificar a base em torno da candidatura petista, quase certamente do deputado Nelson Pelegrino, se o grande esforço deste para unificar o PT em torno de si tem sido frustrado até agora? O que dizer da espetacular declaração do ministro das Cidades e presidente estadual do PP (importante partido da base), Mário Negromonte, de que seu partido está hoje no comando da prefeitura e pretende continuar, apresentando desde já como potencial candidato o deputado João Leão, chefe da Casa Civil do prefeito João Henrique?

Se o governo unir a base, seu candidato, seja Pelegrino ou eventualmente outro, dá ao partido, pelo menos teoricamente (às vezes na prática é diferente), a condição de entrar na batalha com muita força. O PT, que já é hegemônico na esfera federal e na esfera estadual baiana teria grandes chances de estender sua hegemonia à capital do estado.

Mas há quem, nas oposições, não creia que o governador Wagner unifique a base, pois isso, ressalvada alguma rara e esquecida exceção, só costuma ocorrer quando há imposição, pressão irresistível, essas coisas atribuídas a uma era declarada superada na Bahia.

Wagner não faria as coisas assim. Afinal, “ainda que levando em conta que disputaria em 2010 um mandato de governador, em 2008 ele foi a três convenções que lançaram diferentes candidatos da base a prefeito da capital”. Mesmo não sendo desta vez candidato à reeleição, Wagner, acredita o político que disse aquela frase, não adotará “o estilo de imprensar”.

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