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OPINIÃO POLÍTICA

KERTÉSZ E A PREFEITURA

Ivan de Carvalho

Vamos por sob foco uma das peças principais, neste momento, da sucessão do prefeito de Salvador. A mim parece tarefa impossível tratar, a um só tempo, no limitado espaço disponível, de todas as peças. A de hoje não é a que entrou na engrenagem por último, o deputado e bispo Márcio Marinho, do PRB e vinculado à Igreja Universal do Reino de Deus. Nas eleições municipais de 2008 ele foi candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo deputado ACM Neto.

Mário Kertész é a peça a ser posta hoje sob foco. Até porque uma eventual candidatura dele a prefeito da capital não é somente consenso no PMDB baiano e alvo de reiterados convites do ex-ministro Geddel Vieira Lima e do deputado Lúcio Vieira Lima, presidente estadual do partido.

Na semana passada esteve na Bahia para um evento o presidente nacional do PMDB, Waldir Raup e no discurso que pronunciou manifestou integral concordância e apoio aos convites que Geddel e Lúcio haviam feito a Kertész para se filiar oportunamente ao partido e representá-lo na disputa pela prefeitura da capital.

Mas o PMDB está verdadeiramente empenhado a fundo em obter a aquiescência (que ainda não houve) de Kertész para ser candidato à sucessão de João Henrique. Antes que termine o mês deverá vir a Salvador o vice-presidente da República, Michel Temer, que foi presidente nacional do PMDB por muitos anos até deixar o antigo cargo (como o de presidente da Câmara dos Deputados) pelo novo. Temer vem para duas coisas: ser padrinho em um casamento, coincidentemente de uma filha de um amigo de Kertész, é uma delas. A outra é convidar pessoalmente Kertész para ingressar no PMDB e ser candidato a prefeito. O convite tende a ser tanto em privado quanto público. Coisa séria, portanto.

Kertész anda feliz com o que tem feito nos últimos muitos anos no rádio baiano. Terá que tomar uma decisão sobre sua opção de vida, sua qualidade de vida, porque governar Salvador é dureza. Mas ele já fez isso em duas ocasiões e gostou. Portanto não se apressem a resolver por ele os simplistas. Nem se impressionem os crédulos por suas evasivas.

Quanto a não admitir logo a candidatura, é uma coisa lógica. Primeiro, porque precisa decidir se quer. Segundo, porque ainda que queira, precisa verificar se pode, isto é, se há uma boa chance de ser eleito. E para isto precisa esperar por mais configurações do cenário sucessório. Terceiro, porque está ainda muito cedo e se uma candidatura forte é admitida, ela passa a ser alvejada por todos os possíveis adversários. Por enquanto, o ideal parece mesmo manter a discussão pública sobre o assunto, com o que mantém presença na mídia e vai entrando nas cabeças dos eleitores.

Kertész precisa ainda conhecer pesquisas eleitorais quantitativas e qualitativas. Ver, por elas, como está junto ao eleitorado, os setores mais e menos simpáticos, como estão os outros principais concorrentes e como influem os concorrentes secundários. E medir uma coisa muito importante: quanto vale para sua candidatura o recall de sua atuação política anterior, especialmente suas duas passagens (uma vez nomeado e demitido por ACM, outra vez eleito) pelo cargo de prefeito.

De algumas coisas não há que duvidar. Sua candidatura em potencial é competitiva, charmosa, tem uma experiência de prefeito a apresentar e faria uma campanha fácil, comunicativa

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