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OPINIÃO POLÍTICA

Protesto pioneiro em Brasília

Ivan de Carvalho

Não se espera, evidentemente, qualquer coisa parecida com a Primavera Árabe, o movimento que começou na Tunísia, usou a Internet e especialmente o Facebook e o Twitter como instrumento de mobilização, tornou-se multinacional no mundo árabe e já derrubou algumas ditaduras por lá, estando atualmente infernizando os regimes medonhos de Muammar Gadhafi (usam-se umas dez maneiras de escrever o sobrenome desse gajo), na Líbia e de Bashar al-Assad, na Síria.

Com pretensões extremamente mais modestas, mas muito interessante por ser um teste e uma experiência pioneira no Brasil, acaba de ser lançado em Brasília um movimento que começa usando blogs e as chamadas redes sociais da Internet para promover no dia 23 de outubro, às 15 horas, um Protesto pelo Resgate da Ética, Cidadania e Moralidade Pública. É uma manifestação de rua.

O movimento não tem como alvo o governo federal. É menos ambicioso, mira no governo do Distrito Federal, chefiado pelo governador Agnelo Queiroz, do PT, baiano de Itapetinga e médico formado pela Universidade Federal da Bahia. Agnelo chegou ao cargo como candidato de uma coligação denominada Novo Caminho e no segundo turno conseguiu ser apoiado por pelo menos 14 partidos. Para contentá-los, aumentou o número de secretarias, de 22 ou 23 para 32 secretarias e um outro órgão com status de secretaria.

Brasília já teve de conviver com os governos de Joaquim Roriz e o drama do governo de José Roberto Arruda. Mas parece que a maldição continua. A população anda entre desiludida e indignada com o que vem acontecendo sob o governo Agnelo Queiroz, que decepciona até militantes do PT, habitualmente tão duros na queda e de uma fidelidade canina. A corrente Base Petista e Socialista, por exemplo, fez há poucos dias uma reunião numa pamonharia de Taguatinga, a maior cidade-satélite de Brasília, e de lá ejetou um documento nada pamonha nas fuças do governo distrital. Recomendou que cumpra os compromissos assumidos pela coligação Novo Caminho.

Também insinua que o governador Agnelo Queiroz trocou o Novo Caminho pelo velho, já que fez alianças com quem não deveria e teria aberto espaço incomensurável e inadmissível a políticos gerados nos governos de Roriz e Arruda. E, como os petistas de todo o país, os militantes do PT do Distrito Federal acham que o PMDB está ocupando muito mais espaço do que vale. Mas este não é o ponto que nos interessa, pois não somos do PMDB, só conhecemos Roriz e Arruda pelos escândalos e, graças a Deus, estamos na Bahia.

O movimento de protesto cuja organização dá seus primeiros passos não alveja somente – fica o registro para sermos exatos – o Executivo do DF, mas também, e com grande intensidade, o Legislativo. Ao Judiciário do DF não pretendem seus organizadores conceder imunidade. Convocam-se, segundo anuncia o Blog da Leili (aparentemente, a Leiliane foi a primeira pessoa a ter ou a revelar a idéia) convida “jovens e idosos, mulheres e homens, de todas as raças e credos e orientação sexual, estudantes secundaristas e universitários, sindicalistas, funcionários públicos, desempregados, trabalhadores em geral, donas de casa, e etc” para a manifestação. A Internet é o instrumento principal de divulgação e convocação, mas outras estruturas para o movimento são pretendidas.

O ponto é: se der certo, se a coisa pegar, se bastantes pessoas, no DF, se importarem com a ética, a cidadania e quiserem mesmo combater a corrupção, essa coisa pode sair de lá e se espalhar pelo Brasil, como a Primavera Árabe, começando na Tunísia, saiu de lá e está dando no que está dando e no que ainda vai dar – e essa parte no futuro só o tempo vai nos revelar.

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